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Li por aí que muitos portugueses fizeram um manguito à crise e aproveitam a próxima semana para desopilarem longe do dia-a-dia. À procura do sol e do mar, sobretudo. É, aliás, a prova de que quem não perdeu o emprego tem um desafogo superior ao ano anterior (baixa dos combustíveis, da prestação da casa, da inflação e por aí fora). As preferências são o Algarve e a Madeira, nos destinos internos, e o Brasil e as Caraíbas, nos destinos externos. Quem, nesta Páscoa, procura Cuba como destino turístico e visita Havana vai ficar bem informado quanto às «conquistas do socialismo». Pela manhã, bem cedinho, quem chegar à Praça de Armas e subir as Calles Obispo, O'Reilly ou Empedrado, ou qualquer outra paralela, em direcção ao Prado, depara-se com uma multidão de cubanos, de todas as idades, que vagueiam por aí, perdidos, à procura de coisa nenhuma. Uns querem vender charutos roubados nas fábricas do Estado; outros querem vender refeições nos «paladares»; outros vendem «gineteras». Os menos ousados, apenas pedem uma moeda, uma esferográfica, um sabonete. O «socialismo» está ali, naquelas ruas, em cada rosto, a boiar à tona de água. Aqueles milhares de pessoas não têm qualquer ocupação. Vagueiam sem destino, nem rumo pelas ruas da cidade. São desempregados. Por isso, a cantilena de Jerónimo de Sousa, Bernardino Soares, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Joana Amaral Dias e Companhia contra o desemprego provoca nos meus olhos ironias e cansaços.
Jerónimo de Sousa, ontem no Porto, pediu o controlo do Estado, «por aquisição ou nacionalização, dos sectores estratégicos, para que possa defender-se de crises como a actual». O secretário-geral do PCP ainda não percebeu o que se está a passar, neste momento, no «mundo capitalista», como ainda não percebeu o que levou à derrocada do «mundo socialista». Quando perceber o que aconteceu na antiga União Soviética pode ser que compreenda as «nacionalizações» em curso na actual «crise financeira».