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«Será que ninguém sente o crepitar desesperado da Ilha
onde milhões de
escravos (já nem cor têm) esgaravatam
inutilmente a terra?
Não há nada a
dizer; resta-nos derrear o corpo e fuçar.
Não há nada a dizer da liberdade;
aqui ou nos calamos
ou morremos com um tiro.
Não há nada a dizer da
humanidade; aqui, ou aplaudimos
ou morremos com um tiro.
Não há nada a
dizer dos sagrados princípios da justiça:
aqui, ou prostramos o nosso corpo
de escravos ou morremos
naturalmente com um tiro.
Assim se resumem os
nossos direitos.»
Reinaldo Arenas, O Engenho (Antígona)