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Paulo Gorjão acalenta a esperança que a ambiguidade de Manuel Alegre ainda pode esticar mais meia dúzia de meses, ao contrário de Vasco Pulido Valente que não dá tanta corda a este «estado de alma» do poeta. Manuel Alegre, depois da experiência das últimas presidenciais, tomou as próximas como o combate político da sua vida, mas enleou-se na teia que foi tecendo: para tal precisa do eleitorado tradicional do PS que não lhe perdoa uma ruptura que afaste o PS do poder e, ao mesmo tempo, precisa do eleitorado do PCP e do BE, sobretudo deste. A ruptura com o PS é o fim do sonho presidencial. Resta-lhe ir «contentando» o eleitorado do PCP e do BE. As votações no Parlamento do Código do Trabalho ou sobre a avaliação dos professores fazem parte dessa «estratégia» de passar a mão pelo pêlo do eleitorado à esquerda do PS. A ausência do congresso, também. Para Manuel Alegre é irrelevante se com a sua acção provoca ou deixa de provocar «danos a Sócrates». Ele apenas quer gerir a imagem junto do eleitorado que o pode eleger presidente da República. É um jogo político em que as legislativas são apenas um instrumento das presidenciais.
Manuel Alegre, ontem, no DN, insiste no «seu» sonho: juntar no mesmo caldeirão socialistas, comunistas e trotskistas; unir a II, a III e a IV Internacional. Do cozinhado nascia a «Nova Esquerda». Para tanto bastava umas «rupturas»: que o PS abandonasse a sua matriz ideológica; que o PCP se despedisse para sempre da revolução russa e do modelo soviético; que o BE enterrasse definitivamente as suas raízes trotskistas e a sua cultura de contra-poder. Sem estas «rupturas» nunca mais haverá esquerda, avisa o poeta. E qual o rumo desta «nova convergência»? É simples: será «força transformadora da sociedade e criadora de soluções políticas alternativas.». Nem mais, nem menos. Esta «convergência» só pontualmente pode funcionar. Em eleições cujas consequências «unitárias» se esgotem no dia das eleições. Como por exemplo, para a Presidência da República.