Há muitas décadas que o PCP não tinha tantos COMPAGNONS DE ROUTE como tem hoje. Com uma diferença: noutros temos bordejavam o «partido»; hoje militam noutros partidos.
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Quando, hoje, se fala nos «ataques à democracia» vem-me à memória as múltiplas «brigadas comunistas» que tentaram impedir-me de chegar, no Verão de 1975, à Fonte Luminosa. Sem sucesso, como sem sucesso foi a vida política de Álvaro Cunhal – um mito dos comunistas portugueses que teve o azar de não acertar uma única vez. A sua primeira falta de visão histórica foi a posição que tomou na ruptura do movimento comunista internacional, nos anos 60. Optou pelo PC da URSS em detrimento do PC Chinês. Hoje, o resultado dessa «visão» está à vista: a URSS desmoronou-se e o PC da URSS desapareceu, enquanto os herdeiros de Cunhal vão acarinhando o PC Chinês. Deve ser duro de engolir depois do que disseram dos comunistas chineses nos anos da cisão. Essa falta de visão repetiu-se em 74/75. Cunhal imaginou-se um novo Lenine capaz de transformar a «revolução burguesa» em «revolução proletária». Até viu em Mário Soares o Kerensky cá do sítio. Não entendeu os tempos e, por isso, ganhou o passaporte para o anonimato histórico. A sua falta de visão levou-o à derrota. Nos anos a seguir ainda teve a «visão» que era possível manter as nacionalizações, o conselho da revolução e outras «conquistas da revolução», mas o que lhe saiu na rifa foi a queda do muro de Berlim. Hoje, os seus herdeiros, arcando esta pesada herança de falta de visão e de insucessos, persistem no erro, espalhando aos sete ventos que estamos à beira de uma ditadura. Confundem desejos com realidade. Uma coisa é o aperfeiçoamento da democracia e a melhoria das condições de vida de todos os portugueses. Outra, bem diferente, são as soluções alternativas à democracia – as ditaduras. E as soluções do PCP são, comprovadamente, soluções ditatoriais.
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Há quem acredite nas aparições de Fátima. Eu não acredito, como não acredito nas «democracias» em Cuba ou na Coreia do Norte. Há quem acredite na bondade dos generais que, por cá, se assumem como «reservas morais» da nação Eu não acredito, como não acredito nos «sinais de explosão» colhidos num supermercado por quem, com unhas e dentes, defendeu a maioria absoluta que nos governou durante 10 anos. Também não acredito no desbragado alarido que por aí circula sobre o «poderoso ataque às liberdades», usando as palavras dos «jornalistas» do Avante, como não acredito nos cantos de sereias de quem não está vocacionado para fazer, mas apenas para dizer como se faz. Sou, no fundo, um incrédulo. Mas acredito na democracia, apesar das suas imperfeições.
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