- Então, finalmente despediram Correia de Campos.
- Um sinal de fraqueza de José Sócrates.
- Como? Todos os dias me dizias que Correia de Campos devia ser remodelado.
- Mas isso era só para hoje poder dizer que foi um acto de fraqueza.
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«Ainda ninguém provou que existem agora mais mortes porque fecharam urgências, ou mais partos em ambulâncias devido ao encerramento de maternidades; ainda não houve qualquer pedido para um debate sério e digno sobre a política da saúde em Portugal; ainda não se ouviu nenhuma proposta de contra-reforma daquela que o actual Governo pôs em marcha depois das conclusões do estudo encomendado a uma comissão especializada; nunca foi equacionado qualquer pacto de regime entre os dois partidos que alternam no poder, PS e PSD, sobre esta questão fundamental.·
Perante uma reforma mal explicada a quem dela deve usufruir e o aproveitamento das suas consequências, os episódios a que se assiste só desprestigiam o País e alimentam a descrença da população nos políticos e nas suas políticas. E o pior é que a cada mudança de Governo é preciso começar tudo de novo.» Editorial
do DN, 27.01.08
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João: tens razão, como eu não deixo de a ter. Ao ministro da Saúde compete-lhe pôr a funcionar as urgências, o SNS e sei lá que mais; À SIC, como a qualquer orgão de comunicação social, compete informar sobre os «casos» esdrúxulos que por aí vão acontecendo diariamente nas urgências, nas ambulâncias e por aí fora. Contudo, todas as competências têm limites. Manda, por isso, o bom senso que não se atribua à «política de saúde» de Correia de Campos (ou de quem quer que seja) a incompetência de um maqueiro, o desleixo de um bombeiro ou uma morte súbita à porta de um hospital sem urgências. Como também manda o bom senso que não aceite – enquanto consumidor – os critérios editoriais que integram «no contexto» de boas informações e boas notícias várias
não-notícias, metendo alhos e bugalhos no mesmo saco. Porque é da nossa saúde que estamos a falar.
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«Ora, o que importa discutir é a racionalidade das medidas do Governo. E a verdade é que, tendo em conta as melhorias inegáveis nos índices de Saúde nos últimos 20 anos (todos os parâmetros o indicam), a evolução tecnológica dos meios de diagnóstico e de intervenção e a radical diferença da rede viária e das acessibilidades, só se entendia a manutenção dos blocos de partos e das urgências que até agora existiram como formas de não afrontar as populações de certas localidades e de aumentar a despesa na Saúde para níveis impossíveis de manter.
Ou seja, independentemente da sua total falta de jeito para a política, que é notória, o ministro Correia de Campos tem razão quanto ao fundo da questão» Editorial do
Expresso, 26.0108.
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A SIC montou tenda na Ministério da Saúde e não larga o osso. Coisas que se prendem mais com a política (de informação) do que com a saúde. Neste momento (depois de já ter noticiado, pelo menos, 5 ou 6 casos, uns graves, outros de puro folclore, a jornalista com voz melodramática, quase a soluçar, como se descrevesse o cenário de milhares de mortos de um terramoto ou de um tsunami, dá-nos conta da história de um homem a sangrar de um tornozelo que esperou 50 minutos numa ambulância. A minha condescendência – talvez mesmo o meu sorriso – deve-se, provavelmente, ao facto de eu ter vivido um tempo em que (quase) não haviam ambulâncias. Mas, apesar do meu sorriso – sorriso idiota, dirão alguns - estou ao lado de todos os protestos por uma melhor assistência, sobretudo no interior do país e aos mais idosos. A minha dúvida sincera (quase existencial) é quem, a médio e longo prazo (para além da espuma dos dias) terá razão: Correia de Campos ou os seus críticos. Espero ter saúde para ver os resultados.
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