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Miguel Abrantes não compreende que ao desvalorizar a decisão do Tribunal da Relação do Porto, o qual condenou o Estado a pagar uma indemnização a Pinto da Costa por prisão ilegal, está a desvalorizar a decisão do tribunal que condenou o Estado, pelos mesmos motivos, a pagar uma indemnização a Paulo Pedroso? O que está em causa, em primeira linha, não é a proporcionalidade: os dias ou as horas de prisão ou os montantes das indemnizações, mas os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. De todos os cidadãos.
Todos nos lembramos da forma hollywoodesca como o juiz Teixeira entrou pela Assembleia da República adentro, em Maio de 2003, acompanhado por um canal de televisão, para pedir o levantamento da imunidade parlamentar de Paulo Pedroso, deputado socialista, e notificá-lo para prestar declarações. Nesse dia, Paulo Pedroso foi apanhado por um furacão: acusado, julgado e condenado, dando entrada de imediato nos calaboiços em prisão preventiva. Foi um dos dias mais negros da justiça criminal em Portugal, só possível com a exploração dos sentimentos populares contra o tipo de crime