Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Em 14 de Janeiro de 1975, o PCP convocou uma manifestação em defesa da unicidade sindical. Nesse dia, em comunicado, a Comissão Política do CC do PCP, escrevia:
«A unicidade sindical foi amplamente discutida pelas massas trabalhadoras. Ninguém de boa fé pode contestar a esmagadora aprovação que lhe foi dada. Esta aprovação e as novas adesões que a todo o momento se vão registando da parte do movimento popular fazem da consagração da unicidade sindical a expressão de uma vontade do povo democraticamente manifestada. A manifestação que hoje tem lugar em Lisboa deve ser olhada corno uma inequívoca afirmação da vontade dos trabalhadores de que a unicidade sindical seja inscrita na lei.»
A manifestação convocada pelo PCP encheu as ruas de Lisboa. Em resposta, a 16 de Janeiro, num comício do PS, Salgado Zenha, não se atemorizou e enfrentou a «rua», afrontando a unicidade sindical, a qual não foi consagrada na lei, como «a vontade do povo democraticamente manifestada» exigia. Naqueles dias, dizer, como Manuel Alegre diz hoje, «não se pode tapar os ouvidos aos protestos» tinha sido fatal para a democracia. E o ontem e o hoje podem não ser muito diferentes. Sejamos claros, se alguém mudou não foi o PCP.
A prisão de Carabanchel, em Madrid, mandada construir pelo ditador Francisco Franco, nos anos 40, começou hoje a ser demolida. Por lá passaram muitos presos políticos: comunistas, anarquistas, socialistas. Entre eles Marcelino Camacho, sindicalista e militante comunista. Vai dar lugar a um hospital, moradias, lojas e escritórios. A propósito, um dos melhores hotéis de Boston – The Liberty Hotel – foi construído aproveitando uma antiga prisão. Por cá, existe um projecto de uma Pousada para o Forte de Peniche. O próprio presidente da Câmara de Peniche, eleito pelo Partido Comunista, já declarou que o projecto é irreversível e contempla «um núcleo museológico dedicado à luta antifascista». Não é de admirar, daqui a uns anos, lá no Forte, o seguinte diálogo: empregado do bar: - sabe que esta era a sala onde se torturavam os presos? Cliente: - Verdade? Sirva-me outro uísque para me esquecer desses tempos.
Excelente abordagem de João Tunes ao livro de Flausino Torres (1906-1974), Diário da Batalha de Praga (Afrontamento).
Amanhã, dia 19 de Junho, no Jardim do Príncipe Real, às 18 horas, junto ao quiosque do Oliveira (uma pequena instituição de Lisboa) juntam-se os amigos e conhecidos do Vítor Wengorovius para trocar impressões sobre a sua a vida vísivel.
Caminhos da memória - um antídoto contra o esquecimento.
