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Já pude apreciar, numa escola primária, a excitação da criançada com a chegada dos computadores Magalhães. Ontem foi a vez da Assembleia da República ter o seu momento Magalhães. Foi comovedor o entusiasmo infantil com que os deputados receberam os seus novos confortos e brinquedos tecnológicos. Falaram de Ítaca, lembraram a quinta do avô, e até se enganaram no nome do arquitecto que lhes fez a casa. É assim: dêem-lhes um computador novo e até os mais sábios e prudentes voltam a ser crianças.
Rui Ramos (Clube das Repúblicas Mortas).
«Vinda de onde vem — políticos com sensibilidade às novas tecnologias, jornalistas, bloggers da direita, etc.; e nem todos são tontos — a campanha contra o computador Magalhães roça o irracional. (…) O clamor da oposição é directamente proporcional à mudança de paradigma. Portugal não se resume aos meninos da alta classe média cujos papás podem pagar tecnologia de ponta. Porque os da média-média têm sérias dificuldades. E os outros simplesmente não podem (nunca puderam). O que é espantoso é que a democratização da informática, hoje, provoque sobressalto idêntico ao que teria provocado, há cem anos, uma campanha de alfabetização em massa. O resto é cantiga.»
Eduardo Pitta (Da Literatura).