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Em Madrid, o PP está debaixo de fogo. Corrupção é o tema e salpica, indirectamente, muitos dirigentes do maior partido da oposição. A reacção da direcção do PP foi frágil: centrou-se no ataque ao juiz Garzón, argumentando com a simpatia do acusador público com os socialistas. Sobre a matéria de facto, que consta em 18 horas de gravações, não se pronunciaram. Rajoy tem os dias contados. Zapatero não consegue controlar o desemprego, que está quase a atingir os 15%, os bancos já substituíram as imobiliárias na venda de apartamentos, mas a fava do bolo-rei saiu a Rajoy. Efeitos do «situacionismo». Quanto ao mais, entre a Gran Via e a Plaza Jacinto Benavente, pelo menos por aí, está exposto o quadro de uma grande cidade em tempos de crise, desta crise: os sem-abrigo, a prostituição e outras mazelas da pobreza e do desemprego a conviverem paredes-meias com filas intermináveis à porta de bons restaurantes. Há nesta convivência uma verdade incontornável: quem tem emprego não tem razões de queixa. Não é uma realidade socialmente solidária, mas é verdade. A ARCO – a Feira de Arte Contemporânea – continua, mesmo em tempos de crise, com a mesma afluência, apesar da entrada custar 32 euros. No Prado, a fila para ver Francis Bacon ultrapassava a meia-hora de espera. E o Popularte – o melhor clube de Jazz de Madrid – rebentava, como sempre, pelas costuras. A crise quando nasce não é para todos, nem lá, nem cá. A «movida» não parou.
Abrir Karmakar, from my photo album IV, 2005, oil on canvas, 183 x 245 cm
De 11 a 16 de Fevereiro, em Madrid, realiza-se a 28º Feira Internacional de Arte Contemporânea. O país convidado é a Índia que participa através de 15 galerias de arte (na imagem a reprodução de uma obra de um artista de uma das galerias indianas). O resto será, como é habitual, uma mistura entre o déjà vu e a inovação criativa, com predominância do déjà vu. Mas vale sempre a pena. Depois, há o Museu Reina Sofia (atenção a Deimantas Narráveis), o Thyssen (atenção à exposição A sombra – um percurso de artistas e movimentos desde o Renascimento até finais do século XIX). E ainda há o CAFÉ JAZZ POPULARART. Faça-se à estrada e borrife-se naquela gente que pensa que a política é a única razão da existência.