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Meu caro Paulo Gorjão: recuso-me a aceitar o raciocínio, segundo o qual se tivesse sido vertido no DL 19/2008 o «pensamento» anti-corrupção de João Cravinho, hoje haveria menos corrupção em Portugal. Em consequência, como não foi vertido na lei tal «pensamento», a corrupção, sobretudo a grande corrupção, está a aumentar. Mas quanto a factos que sustentem a «tese», nada. Foi, em primeiro lugar, isto que eu sublinhei. E, este tema, dá pano para mangas. De resto, recuso aceitar «messianismos» e «nossas senhoras de Fátima» anti-corrupção. E, muito menos, o primarismo subjacente, segundo o qual quem está contra a «nossa senhora de Fátima», está a facilitar a corrupção. Logo, o PS está a facilitar a corrupção. No fundo, é este o efeito político das declarações de João Cravinho, seja ou não esse efeito pretendido pelo autor. Aliás, como mero exemplo, Henrique Raposo (Atlântico), para citar um exemplo, escreve de imediato: «Cravinho lança uma bomba sobre a corrupção». Que bomba? Finalmente, compreendo – e foi por isso que fiz a referência a «manter-se vivo politicamente» – que João Cravinho, independentemente da realidade objectiva, e das suas sólidas convicções, que não estão em causa, precise de «ditar para a acta» que não trocou o lugar que ocupa pelo silêncio. E, isso, fica-lhe bem.