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«A marca da infâmia desta directiva é a possibilidade de expulsão de menores sem família para os seus países de origem, condenando-os a toda a espécie de abusos, ao sofrimento físico e mental, à fome, à doença e à morte – depois de terem vindo bater à nossa porta pedir ajuda.
É uma pura hipocrisia dizer (como se diz na directiva), que essa expulsão será feita com todos os cuidados e respeitando todos os direitos das crianças e jovens expulsos. Que deputado europeu pode honestamente garantir que isso será feito dessa forma? Que deputado europeu não sabe que isso são apenas palavras ocas usadas para acalmar a consciência dos que aprovaram este documento infame? Vamos enviar um assistente social a acompanhar cada criança devolvida à Serra Leoa, à Nigéria, à Mauritânia, à China, ao Brasil? Se é assim, sai certamente mais barato deixá-los ficar por cá. (…)
Como cidadão europeu sinto-me envergonhado pelos ministros que aprovaram esta directiva (e pelos que, cobardemente, nem sequer o admitem), sinto-me envergonhado por estes deputados que votaram esta directiva e tudo o que posso dizer é que a mim não me representam. E que, para mim, esta é a directiva da vergonha.»
Retorno à directiva da vergonha, José Vítor Malheiros, Público, 22.07.2008.