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Guillermo Rivera Fúquene é um comunista colombiano, membro do Polo Alternativo Democrático, dirigentes sindical, e que está desaparecido desde 22 de Abril deste ano. Vítor Dias (o tempo das cerejas) solidariza-se – e bem, como todos os que prezam a liberdade e a democracia se solidarizam – com a mulher de Guillermo, Sonia Betancur e sua filha Chaira Rivera. Escreve Vítor Dias que «Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana». A minha solidariedade para com as vitimas e a minha denúncia dos eventuais crimes do Estado colombiano não impedem a solidariedade para com as vitimas e a denúncia dos crimes das FARC. A vida de Guillermo Rivera Fúquene tem tanto valor com a vida de Ingrid Betancourt. Mas há quem pense que as Betancourt deste mundo devem pagar pelos Guillermo Rivera. Não me parece que assim deva ser. E, aqui, reside toda a diferença.
A propósito da libertação da mais conhecida prisioneira dos campos de concentração das FARC, alguns com voz doce, dizem-me que, apesar de se sentirem felizes, se sentem ludibriados: vi Ingrid aparentemente de boa saúde depois de me terem convencido de que ela estava às portas da morte na selva Colombiana. E acrescentam: Muitos cidadãos mais sensíveis ter-se-ão sentido ludibriados. Ou seja, Ingrid só devia ser libertada em estado de coma. Assim, «aparentemente de boa saúde», é um logro. Não lhes basta uma pessoa ser sequestrada, aprisionada, maltratada, humilhada, durante 6 anos, sem culpa, sem acusação, sem julgamento. Exige-se que se atinja o estado de coma para que a sua libertação não fira a «sensibilidade» de cidadãos – tão culpados como Ingrid - que, nos últimos seis anos, não estiveram sequestrados, viveram com as suas famílias, foram de férias, almoçaram e jantaram onde lhes deu na gana. A «sensibilidade» destes cidadãos é, para mim, um enigma, uma coisa muita estranha.
Durante uma curta ausência recebi a feliz notícia de uma operação do exército colombiano que libertou Ingrid Betancourt do cativeiro a que as FARC a submeteram durante seis anos. Esta libertação (e o modo que foi alcançada) é uma pesada derrota para as FARC (e para todos os seus amigos, os de cá e os de lá). É, praticamente, o início do desmoronar do gulag sul-americano, apesar dos milhares de inocentes que as FARC ainda mantêm em cativeiro.
PS – Aguardo com curiosidade o próximo Avante: deixam cair um manto de silêncio sobre o assunto ou atacam as «forças do imperialismo internacional» que se «imiscuíram» nos assuntos «internos» da Colômbia? A ver vamos!