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Na semana passada, 4 dirigentes do Sindicato dos Professores do Norte demitiram-se do PCP. Entre eles, Júlia Vale, membro do secretariado nacional e do conselho nacional da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), acusou o «partido» de se imiscuir na vida do Sindicato. Como se isso fosse novidade. Sabemos que estas demissões do PCP são sempre dolorosas para quem sai e resultam de um processo mais ou menos longo de divergências «ideológicas» ou devido ao excesso de intromissão e de «centralismo» do «partido» na vida e na actividade profissional, sindical e pessoal dos seus militantes. O que hoje denunciam não novo, mas há um momento em que lhes «salta a tampa». Com Júlia Vale abandonou também o «partido» Manuel Macedo, coordenador do mesmo Sindicato, e dois outros dirigentes sindicais: Adriano Teixeira de Sousa e Carlos Midões. Todos eles estavam em ruptura com o PCP há quase dois anos, mas só agora consumaram a demissão. Hoje, foi anunciada a demissão de Manuel Coelho, presidente da Câmara de Sines e militante comunista há 35 anos. Os motivos evocados são os mesmos: intromissão do «partido» nos assuntos da autarquia que dirige. E desabafou: «Concluo que este partido está impregnado de um conjunto de características típicas de organizações dogmáticas, com disciplina de caserna, que o tornam uma organização estalinizada, com práticas reaccionárias, envolvidas de um discurso pretensamente progressista, mas, de facto, retrógrado». Manuel Coelho só agora teve coragem de dizer o que todos sabemos, mas é sempre bom ouvir da boca de quem lá esteve 35 anos.
O Avante de ontem, pela pena de Anabela Fino, queixa-se amargamente da «manipulação histórica» do Ministério da Educação. Então não é que na Prova de História A, do 12º ano, «os infantes eram solicitados a identificar, a partir de textos escolhidos a preceito, «três das práticas políticas do estalinismo», podendo para o efeito escolher entre «controlo do aparelho partidário», «campanhas de depuração/purgas», «trabalhos forçados», «repressão policial» e «deportações». Afinal de que se queixa o Avante? A resposta era demasiado fácil: qualquer que fosse a escolha feita pelos alunos, acertavam sempre. Será que o Avante teme que os jovens pioneiros errem a resposta a este tipo de perguntas porque lhes contaram que o estalinismo foi a «democracia mais avançada do mundo»? «Isto» está pior que no tempo do fascismo: «é que nem o fascismo se atreveu a ir tão longe na manipulação da História como o faz este Governo dito socialista». É lindo! Que saudades que os comunistas têm desse tempo. Até Anabela Fino ainda sabe o hino da Mocidade Portuguesa de cor.