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Um amigo enviou-me um e-mail onde diz que este meu post tem um «erro de análise» na medida em que Gil Garcia, que fez as despesas oposicionistas na Convenção do Bloco, não é da linha «marxista-leninista». É também de origem trotskista, como Louçã. Eu sei, e conheço toda a história. Se atendesse ao percurso, caberia a Luís Fazenda desempenhar o papel de «marxista-leninista», mas ele já não está para aí virado. Eu refiro-me às posições assumidas nesta Convenção. E aqui, Gil Garcia assumiu a linha «dura», bolchevique. Luís Fazenda já há muito tempo que aderiu ao «entrismo» e ao «frentismo» trotskista.
Mário Soares escreveu há dias, no DN: «Lula da Silva, Hugo Chávez, Evo Morales, (…) manifestaram-se violentamente contra o capitalismo financeiro-especulativo – o que está certo: esse tipo de capitalismo morreu – e em favor do socialismo. Mas que socialismo? Não, seguramente, o socialismo de tipo soviético ou, muito menos ainda, chinês... Do socialismo democrático, não gostam. Então, qual?». A questão é esta. Qual «esquerda»? Qual «socialismo»? A «convergência à esquerda» e «quebrar o tabu da incomunicabilidade das correntes de esquerda» são frases delidas pelo uso no último século. São frases ocas, vazias, que só querem dizer que quem as profere não sabe o que quer. Convergência à volta de quê? O que é que se abriga debaixo do chavão «esquerda»? O totalitarismo soviético era de esquerda? O «socialismos» cubano e norte coreano são de esquerda? Se a «convergência de esquerda» tem apenas por limite eleger um candidato presidencial de esquerda expliquem-nos isso claramente (o PS sozinho já elegeu dois), mas não nos contem histórias da carochinha. Isto não funciona com a «táctica» de tudo ao monte e fé na revolução porque depois quem paga a factura não é quem foge para o exílio é quem fica cá.
Os socialistas franceses adiaram para hoje o resultado final do embate entre Ségolène Royal e Martine Aubry. Ontem Ségolene arrecadou 42,45 % dos votos, enquanto Martine ficou com 34,75%, deixando fora da corrida Benoît Hamon, com 22,83%. Pelas duas eleições já realizadas, a primeira com 4 candidatos, e a de ontem com 3, prova-se que não há somas aritméticas: os votantes de Bertrand Delanoë, apesar da indicação de voto em Martine, dividiram-se pelas duas candidaturas. Se o mesmo acontecer, o que é provável, com os votantes de Hamon, Ségolène tem, hoje, a vitória assegurada. O pior vem depois.
Os socialistas franceses estão ao rubro. No congresso deste fim-de-semana, onde se previa a eleição do secretário-geral, não saiu fumo branco. Duas mulheres disputam (depois da desistência, no congresso, de Bertrand Delanöe, presidente da Câmara de Paris) encarniçadamente a liderança do partido: Ségolene Royal e Martine Aubry, presidente da Câmara de Lille (filha de Jaques Delors). Para além de não se poderem ver uma à outra, o que não é relevante, a contenda política é simples: neste caso, a candidata derrotada à presidência da República, Ségolene, quer conquistar o «centro», enquanto Aubry quer conquistar «as ruas e apoiar todos os protestos sociais». Portanto, nada de novo. É caso para dizer: onde é que eu já ouvi isto? Terá sido hoje, no DN? Na próxima quinta-feira vão a votos.