O blogue
Movimento Verde Eufémia reproduz um texto, supostamente publicado no Brasil, sobre o «milho de Silves», em que, preto no branco, se escreve:
«
A ação foi liderada por pequenos agricultores, ecologistas e cidadãos “preocupados em restabelecer a ordem democrática, moral e ecológica e defender os direitos e bem-estar das comunidades de trabalhadores”.»
Gostei, sobretudo, dos pequenos agricultores. Há fotos históricas em que fizeram desaparecer personagens. Neste caso, adicionam personagens às fotos.
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Há duas horas entrei num pequeno café no centro de uma vila alentejana. Uma dúzia de clientes, uns sentados nas duas ou três mesas, outros, em pé, ao balcão falavam sobre a acção dos «ecologistas» Verde Eufémia, ontem em Silves. A condenação dos «meninos família» era unânime. O agricultor prejudicado merecia a simpatia dos presentes. Das conversas cruzadas, o que sobressaía era a dicotomia legalidade-ilegalidade («o homem tinha tudo legal e aquela cambada destruiu tudo» ou «meninos família que não têm respeito pelo trabalho dos outros» ou ainda «a guarda estava lá mas nunca está ao lado de quem trabalha»). Se os «ecologistas» pretendiam chamar a atenção para os malefícios do milho transgénico saiu-lhe o tiro pela culatra. Naquele café, como provavelmente no resto do país, ninguém evocou tais malefícios, mas sim a brutalidade da acção de «restabelecimento da ordem ecológica, moral e democrática». É um bom tema para discutir!
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