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Pedro Correia faz um resumo da leitura de Casadas com o Poder, da jornalista alemã Antje Windgassen (Quetzal 2008), o que me dispensa de acrescentar muito mais. A leitura de Casadas com o Poder reforça o ditado popular «Por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher». E de que maneira! Naturalmente, é aliciante a abordagem da influência exercida nos ditadores (e suas consequências) pelas suas mulheres ou amantes. Em nome do rigor, deve-se descontar as influências que carecem de prova documental ou testemunhal mas, em contrapartida, devem-se imaginar outras influências incalculáveis. Normalmente, nos casos mais flagrantes, a vaidade é o suporte da influência. (A mulher de Mao Tsé-Tung, num país comunista, excitava-se em público, proclamando que «Possuía diversas casas, cavalos para equitação e um avião especial.» Muitos outros casos são referenciados, mas cito três exemplos enumerados por Pedro Correia:
«Chiang Ching (1913-91), mulher de Mao Tsé-Tung, teve um papel decisivo no endurecimento da tirania comunista na China. Instigou Mao a livrar-se dos dirigentes moderados e a lançar a “Revolução Cultural” que abalou todas as estruturas sociais do velho Império do Meio, mergulhando o país no caos em nome da luta contra a burguesia.
Elena Ceaucescu (1916-89) manobrava por completo o marido, inseguro e tímido: a ela se deve o progressivo desvio demencial da ditadura de Nicolae Ceaucescu.
Carmen Polo (1898-1988), oriunda da aristocracia asturiana, foi instrumental na transformação do marido, Francisco Franco, com origens sociais bem mais modestas. O clericalismo quase medieval que caracterizou a longa ditadura franquista tinha a marca da esposa do generalíssimo, que o converteu num crente fervoroso, convicto de que tinha sido ungido por Deus para redimir a pátria».
Em suma, a história é uma armadilha permanente.