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O governo da República Popular da China começou ontem a comprar acções de 3 bancos chineses – Industrial and Commercial Bank of China, Bank of China e China Construction Bank – «de modo a sustentar as suas cotações num contexto de queda dos mercados bolsistas».
Diane Wei Liang (Pequim, 1966) nasceu no ano em que se iniciou a Revolução Cultural. Com vinte e poucos anos envolveu-se em protestos «pouco recomendáveis». Após os massacres da Praça Tiananmen saiu da China. Sobre esse período escreveu um romance autobiográfico: O lago sem nome (Bizâncio). A mesma editora publicou este Verão O olho de Jade – um policial que, na passagem, estabelece a ligação entre os Guardas Vermelhos dos anos sessenta do século passado e a agitada vida de Pequim, hoje, desde a vertigem dos casinos à vida empresarial. «Éramos como carneiros conduzidos de um lado para o outro» (pág. 208) é a resposta à pergunta: Vocês nunca se questionaram sobre a Revolução Cultural?
A Rússia reconheceu a independência das regiões georgianas separatistas da Ossétia do Sul e Abkházia. O «Ocidente» não gostou. E protestou. Baixinho, mas protestou. Medvedev, o Presidente russo, respondeu de imediato aos protestos: «Não temos medo de nada e isso inclui uma Guerra Fria». Por sua vez, o representante russo na Nato aumentou a parada, ao afirmar que a atmosfera política na Europa «recorda os tempos que antecederam a I Guerra Mundial». Repito: há no ar, nestas coisas dos impérios, acumulações quantitativas que vão dar mudanças qualitativas. É só esperar mais um pouco.
O aventureiro Bush, com a invasão do Iraque e outros desmandos, internos e externos, colocou os EUA de cócoras: já nem pode com um gato pelo rabo. A EU assemelha-se a um clube recreativo sem poder para mandar um cego cantar. A China e a Rússia estão a tomar conta da «situação» e, concertadamente, dividem tarefas. O Irão, e outros figurantes, fazem as manobras de diversão próprias dos peões de brega. Há no ar, nestas coisas dos impérios, acumulações quantitativas que vão dar mudanças qualitativas. É só esperar mais um pouco.
Quem tem um Tibete ou uma Chechénia na carteira não pode deixar de vetar sanções ao Zimbabwe.
«Durante décadas, a propaganda comunista chinesa multiplicou, em cartazes e pinturas, sorrisos abertos, confiantes, vitoriosos. Os operários trabalhavam que nem escravos mas riam muito nas fábricas, os camponeses passavam fome mas enchiam de gargalhadas os campos, as mulheres não descansavam um minuto mas também não paravam de rir. Parecia uma anedota e seria, caso não fosse de facto grave. Porque os sorrisos faziam a sua parte na imensa encenação de felicidade que Mao dirigiu com a sua batuta enérgica e calculista, silenciando os desavindos ou os críticos, mesmo que ainda crédulos nos invisíveis milagres do comunismo chinês.»
Os sorrisos do Oriente Vermelho, Nuno Pacheco, Público, 10.07.2008.
João Pinto Castro, sempre atento, fala de coisas que não se fala.