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Parece que as palavras do Cardeal Patriarca estão a estrilhar por esse país fora, como se fossem algum disparate. Obviamente, não são um disparate. É evidente para qualquer mortal, desde a D. Francelina, que vende hortícolas no mercado de Olhão, até ao tio Joaquim, reformado, que joga cartas para passar o tempo, em Vila Pouca de Aguiar, que casar a filha com um muçulmano acarreta «um monte de sarilhos». E a sabedoria popular é mais «sábia» do que a dos comentadores «politicamente correctos» encartados. Não quero dar o ar da minha experiência sobre o assunto, mas não posso deixar de dar conta de um almoço memorável, em que nos divertimos, na casa de um amigo meu, para o qual fui convidado, tendo avisado que ia com uma das minhas filhas e o respectivo namorado. Quando lá cheguei fui à cozinha e constatei que o prato era Arroz de Farinheira. Disse, então, ao meu amigo: temos aqui um problema, o namorado da minha filha é muçulmano e a farinheira tem carne de porco. O Luís olhou para mim com aquele seu ar de quem resolve todos os problemas do mundo, e respondeu: não há problema nenhum. Explicamos ao «gajo» que o enchido – a farinheira – aqui, em Portugal – país que ele visitava pela primeira vez –, é confeccionado apenas com carne de galinha. E assim aconteceu. O jovem, simpático e divertido, nascido na Holanda, elogiou as virtudes da farinheira e repetiu mais do que uma vez. No fim fez uma concessão envergonhada: bebeu um copo de vinho. Tudo isto se passou num altura em que ele devia respeitar um tal jejum ritual. Mas estas concessões pontuais não anulam as abissais divergências culturais entre um jovem europeu e um jovem muçulmano. Ora, se a base de partida para um casamento é uma profunda divergência, mesmo uma profunda oposição, entre usos, costumes, culturas, crenças e convicções, é do senso comum que tal casamento só pode ser «um monte de sarilhos». O resto é conversa fiada ou palermice dos «bem pensantes».
PS: 1. Declaração de interesses: sou agnóstico, no mínimo. Nem baptizado, nem casado pela Igreja, como aconteceu a muitos «ateus» nos nossos dias. 2. A minha filha não casou com o jovem mulçulmano. 3. Roubei a foto ao Eduardo ( que também alinhou no coro anti-cardeal).
As posições do grupo parlamentar do PS, quanto à proposta do BE e do PCP-PEV sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é o exemplo mais ilustrativo que conheço da expressão «meter os pés pelas mãos». Começou com a disciplina de voto (quando o «embaraço» de agenda se resolvia à nascença exactamente pela liberdade de voto), obrigando os deputados a votar contra uma proposta sobre a qual, finda a votação, o grupo parlamentar vai apresentar uma declaração de voto a favor do «conteúdo programático» da proposta rejeitada. Não é possível contentar deus e o diabo: fica-se mal com os dois. É elementar.