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Lamento informar que, ao ouvir a TSF, fiquei a saber:
«As campanhas para as eleições presidenciais nos Estados Unidos estão, pela primeira vez, a dedicar uma atenção especial ao poder da Internet, recorrendo a blogues e à criação de meios de comunicação próprios, afastando assim os jornalistas como intermediários no contacto com os eleitores. ( …) Os jornalistas estão a perder o poder e o controlo sobre a informação que tinham na era industrial», mas isto é apenas o começo da «revolução», onde o leitor já vai verificar a informação dos media junto de outras fontes, alertou. O especialista em jornalismo digital sublinhou que esta realidade tem «um impacto muito grande» na política, porque «as pessoas participam nas noticias, reclamam e verificam».
Tudo isto é muito aborrecido para a tese da «lixeira», mas já conhecemos a condenação de outras «lixeiras» feitas pela Inquisição.
Quem não se sente não é filho de boa gente (ou está todo o mundo a pensar que faz parte do 1 por cento?).
Haverá algum motivo que eu não entenda para que os candidatos a autarca ou a deputado, quando se aproximam os actos eleitorais, criarem um blogue que no dia a seguir ás eleições desaparece da «lixeira» quase sem deixar rasto? Não vou dar exemplos porque incomodaria tanta gente que, só de pensar, fico incomodado.
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, mostrou ontem, na Quadratura do círculo, a sua frontalidade e o seu desapego ao poder. Mesmo sabendo, como sabe, que a forma como caracterizou a «blogosfera» lhe pode custar milhares de votos, não deixou, por isso, de dar a sua opinião.
Leio-o por aí que, ontem à noite, num programa de televisão que dá pelo nome de Quadratura do Círculo, esta «coisa» a que se convencionou chamar blogosfera foi rotulada de «submundo» e «lixo». É a opinião de duas pessoas respeitáveis. No entanto, se me é permitido, aqui do fundo do «submundo», discordar, eu discordo! E apesar de discordar, compreendo as razões que sustentam a «tese» do lixo e do submundo. Antes, a mediação entre a política e os cidadãos era feita exclusivamente através da «comunicação social», o que significava que os jornalistas e os profissionais da crónica política detinham o monopólio da informação e da opinião. A «função política» tinha entre os seus atributos o saber «controlar» a «realidade» mediatizada. A blogosfera, mais do que submundo ou lixo, é um fenómeno que permitiu democratizar a opinião, sujeitando a «função política» a um prestação de contas mais severa e sem possibilidade de controlo, na medida em que a blogosfera é, ao mesmo tempo, atomizada e global. Na passada, desvaloriza a «função» de cronista político, vulgarizando a sua «qualificação»). Daí, a necessidade de, num primeiro momento, os principais afectados pelo fenómeno procurarem desqualificá-la junto da opinião pública (sem perceberem que a blogosfera é já uma parte importante da opinião pública e publicada). José Pacheco Pereira explicou, em meia dúzia de palavras, a essência do fenómeno «blogosférico»: «Tenho mais poder no Abrupto que como secretário de Estado» (Diário de Notícias", 27-07-2008). Ora, se o autor do Abrupto, através do seu blogue, tem mais poder do que um secretário de Estado, pode-se facilmente concluir que a blogosfera no seu conjunto tenha (ou possa vir a ter) mais poder do que um primeiro-ministro. É neste «poder» que reside a preocupação de quem lhe desagrada este novo «poder», incontrolável, mas democrático. Neste sentido, se pode entender também as palavras de Pedro Magalhães: «A blogosfera começa a ter um peso enorme na actividade política, especialmente nos Estados Unidos. É a verdadeira consciência crítica da actividade política.» (no programa de Pedro Rolo Duarte, Abril de 2007). Este tema é interessante e merece um amplo debate, sobretudo entre os que «vegetam nos caixotes do lixo»