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||| Ler os outros.

por Tomás Vasques, em 14.09.08

«Sobre a diferença entre servir o Estado e servir-se do Estado», de Paulo Gorjão.

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publicado às 07:33

|||Censuras.

por Tomás Vasques, em 07.09.08

A propósito deste meu post, onde me insurgi ao saber, pelo João Gonçalves, que a Biblioteca Municipal de Faro bloqueia o acesso a determinados blogues, Adriana Freire Nogueira teve a atenção de esclarecer que, nos sítios públicos, está instalado um filtro que barra o acesso mal detecta conteúdos «associados a pornografia»: ao encontrar algumas palavras consideradas obscenas, bloqueia. Isto chega ao caricato: sei de um caso de um colega de Latim que, ao colocar no blogue que criara para a sua disciplina um texto em que entrava o verbo latino puto, putas, putare, putaui, putatum (que significa «julgar, considerar»), foi bloqueado. O mal não está, como presumi, na Directora da Biblioteca António Ramos Rosa. Está no excesso de zelo de uma Administração despersonalizada que, por preguiça, deixa andar e pouco faz para separar o trigo do joio. Mais filtro, menos filtro, ninguém se incomoda. Mas não é verdade: há quem se incomode.

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publicado às 22:35

|||Eleições. Angola.

por Tomás Vasques, em 07.09.08

Sobre as eleições em Angola, pelo que tenho lido, há três leituras: a primeira, diz que se trata de uma farsa montada pelo partido no poder para enganar incautos, comparando-as com as eleições marcelistas; ao contrário, a segunda, diz que se trata de um acto eleitoral legal e democrático, que em nada fica a dever aos processos eleitorais realizados em qualquer país europeu; entalada entre estas duas leituras, a terceira, diz que se trata de um processo eleitoral imperfeito, em que o partido no poder domina todos os canais de «mediação» com os eleitores e distribui emprego e benesses, mas é um passo no caminho da democracia. Apesar de cada uma destas leituras poder estar directamente relacionada com «exportações» e «importações», há quem, se tivesse vergonha na cara, nunca mais deveria escrever uma linha que fosse sobre Alberto João Jardim e a Madeira.

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publicado às 17:44

||| Filhos e enteados.

por Tomás Vasques, em 03.09.08

A ASAE, quando fiscaliza um restaurante ou qualquer outra casa de «comes e bebes» e detecta «desconformidades com a lei», determina o encerramento imediato até à vistoria que confirme que foram realizadas as obras propostas. O restaurante da Assembleia da República encerra agora, por dois meses, como resultado de uma acção inspectiva da ASAE realizada há dois anos. Não se entende a diferença de critérios, nem os deputados são menos dignos do que os demais cidadãos para que sejam obrigados a almoços confeccionados sem observância das regras de higiene. A lei quando nasce é para todos.

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publicado às 20:53

||| Amantes e liberdades.

por Tomás Vasques, em 29.08.08

Em nome da segurança, os «neurónios» governamentais inventaram mais uma restrição à intimidade e à vida privada de cada cidadão: o chip no automóvel. O Presidente da República, conivente, apenas recomenda que o decreto-lei deve assegurar as garantias de protecção da vida privada. Uma treta. Alguém acredita que, quem tiver acesso à informação, seja ministro, deste governo ou de outro, chefe de polícia ou secretária de qualquer coisa, não vai bisbilhotar por onde a respectiva mulher (ou o marido) anda e identificar o amante (ou a amante)? Porra, já tinha de deixar o telemóvel em casa, não usar cartões de crédito, nem vias verdes e, agora, ainda me obrigam a ir de táxi. É demais!

 

 

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publicado às 00:40

||| A frase.

por Tomás Vasques, em 28.08.08

«Como a História está farta de nos ensinar, o anticomunismo é sempre antidemocrático»

 

Editorial do Avante, 28.08.08

 

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publicado às 23:13

||| Coisas simples.

por Tomás Vasques, em 18.08.08

Colocaram-me a seguinte questão:

 

«fico à espera que Tomás Vasques leia ou releia as edificantes páginas que Rui Mateus, no silenciado, esgotado e nunca reeditado livro CONTOS PROÍBIDOS – MEMÓRIAS DE UM PS DESCONHECIDO (edição da Dom Quixote), dedicou às relações do PS com a Roménia de Ceascescu, com o Iraque de Saddam Hussein e com a Coreia do Norte de Kim-Il-Sung e nos venha contar como é que ele faz para não carregar com essa «história» do seu partido

 

Eu conto:

 

É simples: demarco-me de posições, mesmo do PS, quando não estou de acordo.

 

Exemplo:

 

Escrevi, aqui, sobre o «despropositado convite ao Partido Comunista Chinês para se fazer representar no próximo Congresso do PS. As relações do Estado português com o Estado da República Popular da China são normais e desejáveis, mas relações partidárias? Na minha actividade profissional relaciono-me com quem tenho de relacionar-me, mas para jantar em minha casa só convido os meus amigos

 

Como já escrevi sobre muitos outras questões com as quais não estou de acordo.

 

Mas, quem nunca se demarca das posições do seu partido ou de seus destacados militantes, mesmo quando no íntimo não está de acordo, tem de carregar aos ombros tais posições, sejam recentes, ou remotas.

 

Não são acusações, são conivências.

 

Quem não percebe isto, não sabe o que é a liberdade de pensamento e de expressão.

 

Verá sempre bugalhos onde estão alhos. Verá sempre democracias onde estão ditaduras e vice-versa.

 

 PS: Há quem bote faladura, através de comentários, em posts de outros blogues. A isso, e quando a mim se referem, respondo como no anúncio televisivo a uma cerveja: «oh Daniela, agora não dá!»

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publicado às 22:41

||| Primavera de Praga. Soberania Limitada.

por Tomás Vasques, em 17.08.08

Faz por estes dias 40 anos que 200 000 soldados e 5 mil tanques soviéticos, sob a capa do «Pacto de Varsóvia», invadiram a Checoslováquia. O processo de democratização do regime foi interrompido à força. Dubcek, secretário-geral do PC foi levado para Moscovo e destituído das suas funções. Bastaram apenas duas décadas para os ares de mudança de Praga chegarem até Moscovo.

Em Outubro desse ano, o Avante transcrevia uma Declaração dos comunistas portugueses, onde se lia:

 

«O PC Português entende que os marxistas-leninistas não podem contestar em princípio a legitimidade revolucionária de uma intervenção de países socialistas noutros países socialistas a fim de defenderem as conquistas do socialismo, impedirem a contra-revolução, assegurando ao mesmo tempo a defesa do campo socialista no seu conjunto»

 

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publicado às 12:40

||| A filha de Agamémnon e o Sucessor.

por Tomás Vasques, em 03.07.08

Ismaïl Kadaré é um romancista albanês nascido em 1936. Estudou em Tirana e em Moscovo. O seu primeiro romance, O general do exército morto, publicado em 1963, narra as peripécias e as adversidades de um general italiano em busca dos soldados italianos mortos e enterrados, em terras albanesas, durante a «II Grande Guerra». É, de certo modo, um romance de culto entre os maoístas no final dos anos sessenta, princípios dos anos setenta, sobretudo pela caracterização do «indomável» povo albanês, numa altura em que o regime de Enver Hodja afrontava o todo poderoso partido comunista da URSS. Mas, Ismaïl Kadaré, apesar de ter sido deputado da Assembleia Popular de Tirana durante doze anos (1970-1982), assumiu a crítica, muitas vezes mordaz, ao regime comunista, na versão do país das águias. A filha de Agamémnon e o Sucessor – este escrito 20 anos depois do primeiro – publicado este ano em português (Dom Quixote) constitui um retrato literário da paranóia das ditaduras comunistas: da redução da dignidade humana e da liberdade individual a esterco, em nome dos «supremos interesses do partido» que, no fundo, mais não são que os interesses de um ditador e da nomenclatura que, diariamente, se humilha ao seu serviço para não descer à «profundezas do abismo».  Estes dois curtos romances de Ismaïl Kadaré continuam actuais. Em Cuba ou na Coreia do Norte, por exemplo. Mas, também, porque há, entre nós, quem nos quer vender este «produto».

 

PS – Na leitura do Sucessor, lembrei-me, em várias passagens, de Carlos Carvalhas.

 

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publicado às 21:49

||| Ironias.

por Tomás Vasques, em 29.06.08

As duas primeiras notícias do Púbico online, neste momento, são as declarações de Jerónimo de Sousa sobre o projecto do Código do Trabalho, em Portugal, e as declarações de Mugabe sobre a sua vitória «eleitoral», no Zimbabwe. Sabendo que o dirigente comunista é um amigo político – envergonhado, mas amigo – do ditador Mugabe, relacionar as declarações de um e outro confere-lhes um irónico enquadramento.  

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publicado às 00:34

 

O Avante de ontem, pela pena de Anabela Fino, queixa-se amargamente da «manipulação histórica» do Ministério da Educação. Então não é que na Prova de História A, do 12º ano, «os infantes eram solicitados a identificar, a partir de textos escolhidos a preceito, «três das práticas políticas do estalinismo», podendo para o efeito escolher entre «controlo do aparelho partidário», «campanhas de depuração/purgas», «trabalhos forçados», «repressão policial» e «deportações». Afinal de que se queixa o Avante? A resposta era demasiado fácil: qualquer que fosse a escolha feita pelos alunos, acertavam sempre. Será que o Avante teme que os jovens pioneiros errem a resposta a este tipo de perguntas porque lhes contaram que o estalinismo foi a «democracia mais avançada do mundo»? «Isto» está pior que no tempo do fascismo: «é que nem o fascismo se atreveu a ir tão longe na manipulação da História como o faz este Governo dito socialista». É lindo! Que saudades que os comunistas têm desse tempo. Até Anabela Fino ainda sabe o hino da Mocidade Portuguesa de cor.

 

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publicado às 08:47

||| Literatura, jornalismo e amplas liberdades.

por Tomás Vasques, em 06.06.08

 

Senel Paz é um escritor cubano, vive em Havana, e foi-lhe atribuído o Prémio de Criação Literária Casa da América Latina 2008. Em entrevista ao Público (na ípsilon de hoje) diz não conhecer o trabalho de Yoani Sánchez, também residente em Havana, jornalista da revista digital Desde Cuba e autora do blogue  Generación Y. Senel Paz, a avaliar pela entrevista, é um castrista envergonhado. Yoani Sánchez, dentro dos seus limites, vai dando umas palmadinhas no rabinho do regime. Senel Paz veio a Lisboa receber o prémio que lhe foi atribuído. O regime não permitiu que Yoani Sánchez fosse a Madrid receber o Prémio Ortega y Gasset 2008 de Jornalismo Digital, atribuído por El País. Percebe-se bem porque razão Senel Paz, escritor residente em Havana, não conhece o trabalho jornalístico de Yoani Sánchez, também residente em Havana. Tal como já aqui escrevi em Havana no pasa nada.

 

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publicado às 20:46


Meu caro Carlos Manuel Castro: não estou, na maior parte dos casos, em sintonia com Manuel Alegre e, muito menos, com Helena Roseta. Alegre representa a velha esquerda passadista, a imutável voz de Argel, que ainda viaja num comboio imaginário, sem destino, nem «elasticidade» para acompanhar os tempos e desprender-se do passado. Roseta é o oposto: o seu passado político é outro, como todos sabem, e vai moldando o discurso, quase sempre vazio, ao sabor do vento, como convém a quem tem uma necessidade genética em manter-se na ribalta política e gerir a sua carreira. É uma populista por natureza: foi com Sá Carneiro e é hoje como «independente», como foi ontem no PS e, amanhã, quem sabe, no Bloco de Esquerda ou num «novo» partido. Mas, contudo, há princípios basilares que sustentam as democracias. E, esses, não podem ser beliscados. Nem ontem, nem hoje. Nem no tempo da pedra lascada, nem no tempo dos computadores de última geração. Mais: a sua violação tem sempre as mesmas raízes, venham do Santo Ofício ou do Estado Novo, dos Processos de Moscovo ou do «camarada» Chávez. E, aqui, nesta questão essencial, eu sou solidário, à direita e à esquerda, com a defesa da democracia. É uma questão de princípio. Não se pode assobiar para o ar e condescender com delatores e quejando ou com pessoas que não destoariam no tempo da «outra senhora». Só pára no tempo quem perdeu de vista o essencial.

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publicado às 17:14

Rupturas.

por Tomás Vasques, em 19.07.07

As eleições em Lisboa tiveram o mérito de ampliar os sinais de que o sistema político-partidário português está anquilosado. O PS e o PSD, que representaram, nos últimos 30 anos, entre 70% e 80% do eleitorado, alternaram-se invariavelmente no Governo sem diferenças significativas de políticas, objectivos ou metodologias. Até os aparelhos partidários se assemelham. Há apenas nuances «ideológicas», cujas fronteiras se diluem cada vez mais. Isto significa que começa a haver espaço político-eleitoral para experiências «alternativas». O pessoal sente-se agrilhoado e começa a estar disponível para partir as amarras. Não vale a pena meter a cabeça debaixo da areia: os 10% obtidos por Helena Roseta podem ter esse significado. O resultado obtido por Carmona Rodrigues, também, embora este, em princípio, represente mais um «fenómeno local», na linha de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro. Mas o «essencial» está lá: o descontentamento com o status quo partidário. O PCP e O BE não são «tubo de escape» à esquerda social. Como não o são Paulo Portas ou Santana Lopes à direita. Mas, há indícios de que se aproximam tempos de mudança se o PS e o PSD persistirem em dar mais do mesmo. E o terreno é propício à demagogia e ao populismo. Dentro de dois anos há eleições autárquicas e legislativas. Vamos ver, dia a dia, como vão evoluir os «tubos de escape», quer à direita, quer à esquerda.
(imagem: Pedro Garcia Espinosa, pintor cubano, acrílico sobre tela,121x100 cm.)

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publicado às 22:47



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