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Aproveitei «o dia de Portugal» para vaguear, durante cindo dias, pela nossa herança genética mais próxima e mais forte: Tanger, Alcácer Ceguer (Ksar-es-Srhir) – hoje uma pequena vila piscatória, mas onde estão a construir o maior porto de África – Tetouan, Ceuta e, finalmente, a capital deste «mundo» que nos molda: Córdova. Queremos imitar os finlandeses, mas a semelhança entre os lenços na cabeça e o chapéu de palha das mulheres berberes que trabalham no campo e as mulheres alentejanas em idênticas tarefas não enganam. Afinal, foram quinhentos anos de convivência, mais a cultura do povo muçulmano que por cá ficou e por cá se fundiu, com os seus hábitos e costumes. É usual falarmos da nossa cultura judaico-cristão, varrendo para debaixo do tapete a nossa cultura muçulmana, como que a depreciar parte significativa das nossas raízes, E se deixámos o Santo António em Ceuta, onde assisti a uma procissão no dia 13, herdámos a cultura do «mercado árabe», a qual se sente muito no nosso modo de «fazer» política, sobretudo porque esta já não é domínio das «elites visigodas-cristãs», como até meados do século XIX. Mas, também se sente na vida económica, no jornalismo e por aí fora. Quem sai aos seus não degenera - diz o povo.