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Meu caro Luís Naves: sabemos que Portugal vive em crise há séculos. Na monarquia, na 1ª República, no Estado Novo e na 2ª República. O que Antero de Quental escreveu sobre As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, na linha de Alexandre Herculano e que Oliveira Martins a seu modo reproduziu, mantém uma certa actualidade. Há séculos que não temos, enquanto povo, um rasgo que nos liberte da austera, apagada e vil tristeza em que nos afundámos. E, nisto, penso, estamos de acordo. No entanto, apesar desse pano de fundo, quando destaco os devastadores efeitos da actual crise internacional não são para «concluir que a dimensão das dificuldades dos outros iliba os nossos governantes de qualquer responsabilidade na actual situação». São sobretudo para chamar a atenção de que não se deve comparar situações que não podem ser comparáveis. Não se pode comparar os números de 2005 com os de 2009, por exemplo. Independentemente dos méritos ou deméritos do actual Governo, uma coisa é certa e insofismável: quer a taxa de desemprego, quer os principais indicadores económicos, neste ano de 2009, não resultam das políticas do Governo, mas da situação internacional. Enquanto não formos rigorosos na análise não encontraremos os rumos e os rasgos. Nem este, nem qualquer outro governo. É apenas isto que eu sublinho. Mais nada.