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Muitos dos escritores cubanos, que lutaram pela democracia durante a ditadura de Baptista e apoiaram a «revolução cubana» e Fidel Castro, começaram a criticar o castrismo e a ser perseguidos meia dúzia de anos após a revolução. José Lezama Lima, Heberto Padilla, entre muitos outros. O dramaturgo e poeta Virgílio Piñera, em 1962, já indiciava o seu descontentamento. No poema Nunca los dejaré, escreve: y gritaré com esse amor que puede/ gritar su nombre hacia los cuatro vientos,/lo que el pueblo dice en cada instante:/«me están matando pero estoy gozando». Neste período, entre 1959 e 1968, ainda não era claro para a maioria dos cubanos o rumo soviético da revolução cubana. Castro, só se apropria do Partido Comunista de Cuba e o refunda, em 1965 (o PC de Cuba tinha sido fundado em 1920). Quanto aos comunistas cubanos que o antecederam, Castro não tem contemplações: «o Komitern não era uma Internacional e sim uma instituição de comunistas muito leais, muito sacrificados, que sofreram consequências muito duras devido aos métodos estalinistas» (Página 65). E acrescenta: «O Partido Comunista de Cuba foi obrigado a ser aliado de um governo sangrento, repressivo e corrupto como o de Baptista (…) chegaram a ter ministros no governo de Baptista». Quando cantam loas à «revolução cubana», os comunistas portugueses varrem para debaixo do tapete o que não lhes interessa que se conheça.
(continua)