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Fidel Castro seguiu, a partir da crise dos mísseis, em 1962, o guião «marxista-leninista» soviético (apesar de algumas hesitações internas iniciais, sobretudo alimentadas por Guevara, quanto ao conflito sino-soviético). A posição castrista de apoio à invasão da Checoslováquia marca, definitivamente, no plano interno, a consolidação da dependência soviética. O caso da prisão e das humilhações a que sujeitaram o poeta Heberto Padilla, em 1971, o que gerou um movimento internacional de condenação de Castro, encabeçado por Jean-Paul Sartre, é um dos símbolos da repressão estalinista desse período. Fidel Castro, na sua longa entrevista a Ignacio Ramonet, desenvolve o conceito «marxista-leninista» sobre um tema incómodo para os ditadores – as eleições. Diz Fidel Castro: «Não há que medir as nossas eleições pelo número de votos. Eu meço-as pela profundidade dos sentimentos, pelo calor – tenho estado a ver tudo isto durante muitos anos. Nunca vi os rostos tão cheios de esperança, com tanto orgulho.» (Página 560). O marxismo-leninismo assumiu, em Castro, o seu amadurecimento tropical. No «socialismo» cubano, o número de votos não conta. O que conta é a «profundidade dos sentimentos» avaliado, durante anos, pelo ditador. É assim em todas as ditaduras.
(continua)