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A propósito da libertação da mais conhecida prisioneira dos campos de concentração das FARC, alguns com voz doce, dizem-me que, apesar de se sentirem felizes, se sentem ludibriados: vi Ingrid aparentemente de boa saúde depois de me terem convencido de que ela estava às portas da morte na selva Colombiana. E acrescentam: Muitos cidadãos mais sensíveis ter-se-ão sentido ludibriados. Ou seja, Ingrid só devia ser libertada em estado de coma. Assim, «aparentemente de boa saúde», é um logro. Não lhes basta uma pessoa ser sequestrada, aprisionada, maltratada, humilhada, durante 6 anos, sem culpa, sem acusação, sem julgamento. Exige-se que se atinja o estado de coma para que a sua libertação não fira a «sensibilidade» de cidadãos – tão culpados como Ingrid - que, nos últimos seis anos, não estiveram sequestrados, viveram com as suas famílias, foram de férias, almoçaram e jantaram onde lhes deu na gana. A «sensibilidade» destes cidadãos é, para mim, um enigma, uma coisa muita estranha.