Fundamentalismo e o politicamente correcto. O «politicamente correcto» é uma moda que, muitas vezes, exclui o exercício de pensar. É normalmente um reflexo à flor da pele de quem nunca será responsabilizado ou penalizado pelo que diz. Por isso, em certas circunstâncias, o melhor é navegar contra a corrente. Nesta história dos «cartoons», na qual quase toda gente centrou a questão sobre na defesa do direito de expressão contra uns trogloditas que incendeiam embaixadas e o mais que apanharam pelo caminho quase sem saber porquê, ir contra a corrente tem os seus custos, mas é imprescindível que alguém assuma esse difícil papel. Vamos esmiuçar o problema. As manifestações de rua nos países muçulmanos supostamente contra a publicação dos «cartoons» foram preparadas e organizadas com antecedência; quem as preparou e organizou sabe – sabe muito bem – o que representa nos países democráticos a liberdade de expressão e, sabe também, que aos Estados democráticos não podem ser assacadas responsabilidades pelo exercício desse direito; e, por ser assim, é que este é o tema escolhido para lançar os muçulmanos contra o «Ocidente» – exactamente onde mais atiça a revolta e a consciência democrática dos europeus; o objectivo desta manobra de diversão é atiçar a conflitualidade e preparar o terreno para uma guerra – uma guerra que os dirigentes muçulmanos mais fundamentalistas desejam ardentemente; como resposta, o «pensamento politicamente correcto» vai a reboque destes desejos e clama: - querem guerra? Vamos a ela! Tudo isto é demasiado previsível. Não chega dizer que temos valores superiores. É necessário demonstrar isso. Não está em causa o direito de expressão nos países democráticos. O que está em causa é a necessidade dos fundamentalistas muçulmanos – Irão, Palestina, etc. – se legitimarem na «guerra santa» contra o Ocidente. E por isso lançaram o Maomé para a fogueira - a unidade faz através de Maomé. A única atitude que pode contrariar os objectivos dos fundamentalistas ( também do Ocidente) é desanuviar e não atiçar. Mas o «politicamente correcto» faz o contrário: aqui d´el rei que nos querem tirar a liberdade de expressão. Vamos à guerra - dizem.
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