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Transformar a Igreja de Santa Engrácia, cujas obras duraram 284 anos, em Panteão Nacional foi provavelmente uma decisão de Afonso Costa - também conhecido como o mata-frades -, primeiro-ministro em 1916.
Dizia a TSF há 14 anos:
"A irmã de Amália, Celeste Rodrigues, entende mesmo que a fadista «deveria ficar num sítio onde o povo que a adorou pudesse ir prestar as suas homenagens».
Esta é aliás a principal crítica apontada pela escolha de um local como o Panteão, que no entender da maioria dos muitos fãs e fadistas, «afasta as pessoas que actualmente se dirigem aos Prazeres».
No cemitério muitas são as pessoas que diariamente ali se dirigem e colocam não só flores como objectos de culto (terços, santos), velas, fotografias e até textos soltos.
Uma dessas «peregrinas», Eunice Cardoso, deixa mesmo um desabafo: «No Panteão não vai lá ninguém nem estamos à vontade». Eunice Cardoso é uma das pessoas que «cuida» do espaço onde se encontra o caixão.
Outra «amaliana» considera que a ida para o Panteão «corta a devoção popular» tanto mais que a entrada é paga e só se poderão levar flores.
De facto assim é. Segundo fonte do Panteão, apenas é facilitada a entrada gratuita a quem vai colocar flores ao Presidente Sidónio Pais. «Não é permitida a visita aos restantes túmulos», disse a mesma fonte, que adiantou que, além das flores, «nada mais é possível colocar»."
Luís Vaz de Camões, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa não estão no Panteão Nacional. Estão nos Jerónimos.
Os “mercados” estão a aliviar a pressão sobre os juros da dívida soberana portuguesa, tal como acontece nos países da Europa com maiores dificuldades financeiras. A Irlanda, a Itália, a Espanha estão, também, a beneficiar desta tendência geral, tal como a Grécia e a Eslovénia. Neste imenso casino global, em que os Estados soberanos se transformaram em “máquinas de jogo”, onde os “investidores” fazem as suas apostas, como se estivessem numa mesa de roleta ou numa pista de cavalos, só há um perdedor: a imensa maioria da população europeia a quem é sonegado grande parte dos seus rendimentos e lançada na miséria para poder alimentar a ganância dos “mercados”. É este o “maravilhoso” mundo novo dos neoliberais, contra ao qual – dizem-nos – não há alternativa: governos “soberanos” curvados e obedientes aos “senhores do dinheiro”. A lógica dos “mercados”, que tomou conta do discurso oficial dos governos europeus, são a ante-câmara de um novo modelo de campo de concentração, para onde se atiram milhões de pessoas com salários mensais que não dão para pagar um jantar de um ministro ou desempregados a vegetar por aí. Como escreveu Maiakovski:
Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.