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Porque razão quase todos os bloguistas que apoiam o actual governo vieram à Praça defender a decisão de Alexandre Soares dos Santos?
Vai para aí um alarido de monta à volta de Soares dos Santos, accionista maioritário do Pingo Doce, por ter sediado a propriedade das suas acções na Holanda. É uma decisão de boa gestão de um grupo económico, já que a legislação comunitária o permite. Aliás,
17 empresas do PSI-20 já anteriormente tinham tomado tal decisão sem que tamanho burburinho se levantasse. A dimensão da indignação (o que revela muitas indignações submersas à espera de factos e ocasiões que as tragam à superfície)
tem a ver mais com Soares do Santos, do que com a decisão que tomou. O accionista principal do Pingo Doce passou, pelo menos, o último ano de vida do anterior governo, em repetidas aparições televisivas, a assumir uma postura política oposicionista, mais do que empresarial, pretendendo representar o «interesse nacional», exigindo sacrifícios a todos a torto e a direito, e a pedir que se metesse os madraços na ordem. Ao fugir desta maneira, revelou o seu carácter e a sua indisponibilidade para fazer os sacrifícios que os outros – os trabalhadores dependentes – têm de fazer. Perdeu a face – esta é a principal origem da justa indignação que por aí explodiu. Foi o «julgamento» de alguém que andou a assumir-se publicamente mais como político, do que como empresário.
Como os cidadãos, em democracia, podem reagir colectiva ou isoladamente, cá por mim, Pingo Doce NUNCA MAIS|
«Quem era Luiz Pacheco? Um homem que o Portugal de hoje não merece. E, para dizer a verdade, o do tempo dele também não. O homem que diria a esta tenebrosa turba que nos governa e à mancha de mediocridade que a rodeia "Vão para a puta que os pariu!".»
Puta que os Pariu! - a Biografia de Luiz Pacheco, de João
Pedro George, editado pela Tinta da China.
O Ouriço - um novo blogue a picar na blogosfera.
Alexandre Soares dos Santos, o segundo homem mais rico de Portugal para a revista «Exame» e principal accionista da rede de supermercados Pingo Doce, transferiu a titularidade das acções que detém na Jerónimo Martins para uma sociedade sediada na Holanda, de modo a fugir –
literalmente! – a tributação prevista no Orçamento de Estado de 2012. Ele acha que se sente «roubado» (entrevista à SICN, em
Setembro). O que dirão os trabalhadores a quem as suas empresas pagam 500 euros por mês e que não podem pagar os seus impostos nas Seychelles?
No arquipélago de Samoa, no Pacífico, mudaram de fuso horário, por motivos económicos. Os seus habitantes
deitaram-se na quinta-feira e acordaram a um sábado. Era mesmo o que nos dava jeito, a nós, portugueses: deitarmo-nos na noite de
31 de Dezembro de 2011 e acordarmos a 1 de Janeiro de 2013. Os de Samoa fizeram desaparecer um dia no
calendário. Nós precisávamos que desaparecesse um ano, pelo menos. Também por razões económicas. Mas, sabemos que estas magias de fusos horários nunca nos bafejam. Só acontecem em sítios distantes, no outro lado do mundo. E, assim sendo, temos de suportar estoicamente este ano de 2012, como se fossemos enteados de um Deus menor. E tudo isto porque, dizem-nos alguns com olhos doces,passámos décadas a viver «acima das nossas possibilidades» e, por isso, agora, «não há dinheiro». E, em consequência, só o empobrecimento e a miséria serão
redentores - nos abrirão as portas do paraíso. Neste novo ano, de marmita na mão com o almoço, vamos todos dizer em uníssono, de mãos dadas, como naquelas igrejas de fanáticos religiosos que esperam a redenção a troco de dádivas generosas:
«Não há dinheiro»! E repetimos, vezes sem conta: «Não há dinheiro»! «Não há dinheiro»! E, depois, batemos com a mão direita no peito, como quem faz o sinal da cruz, e gritamos, de preferência em histeria colectiva: «Somos todos culpados». Todos! Andámos a viver «acima das nossas possibilidades».