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Notas soltas sobre a manifestação de sábado.

por Tomás Vasques, em 14.03.11
  1. - Não consigo compreender quem, ainda hoje, quando vai a Paris, beija as pedras das calçadas do Quartier Latin, como se estivesse em Maio de 1968, e agora mostra uma aversão tão grande a esta manifestação da «geração à rasca». Sei que pouco tem a ver uma coisa com a outra, dada a distância, do tempo e do modo, a não ser tratar-se de uma iniciativa política da juventude que, independentemente das reivindicações, enriquece a democracia. Recuso-me, porque passaram sobre mim quarenta e tal anos, a pensar como gaullista.
  2. Tenho muitos amigos, sobretudo do PS, que teriam ido a esta manifestação e tecido largos elogios, caso o PS estivesse na oposição. Eu guio-me por outros critérios.
  3. A mobilização demonstrou que para encher a avenida da Liberdade não é necessário trazer a Lisboa 500 autocarros de todos os pontos do país. Os sindicatos da CGTP estão trôpegos e burocratas. Representam muito menos do que aquilo que aparentam e foram, pela primeira vez, confrontados com «outras realidades».
  4. Para quem pensava que esta manifestação iria provocar o início de uma revolução, e já via Lisboa transformada em Cairo ou em Tunes, ficou desiludido. O protesto foi pacífico, democrático e alegre. No fim, no Rossio, a frase que mais se ouviu foi: onde é que vamos beber uma bjeca.
  5. Li coisas semelhantes sobre a manifestação nos blogues Blasfémias e Jugular. Fiquei preocupado.

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publicado às 11:29

«Geração à rasca».

por Tomás Vasques, em 12.03.11

A manifestação de hoje, na avenida da Liberdade, em Lisboa, convocada em nome da «geração à rasca», foi um momento importante da democracia. Por se tratar da primeira manifestação convocada pelo facebook. Por ter iniciado uma nova forma de fazer política. Por ter sido uma das maiores manifestações desde o 1º de Maio de 1974. Por ter entrecruzado todas as gerações e todos os descontentamentos. Por ter decorrido com alegria.

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publicado às 20:18

Infelizmente.

por Tomás Vasques, em 10.03.11

 

Este foi o último número da L+arte. A directora, Paula Brito, explicou o fim: «não foi possível conseguir um patrocínio de cinco mil euros». Luís Penha e Costa, no último editorial, escreveu: «Aquilo que eu temia aconteceu: o mundo da arte e os leitores não são o suficiente para mantê-la viva, razão pela qual esta é a última edição da L+Arte». Infelizmente.

 

 

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publicado às 20:52

O Portugal político está a passar um momento particularmente estranho. O Presidente da República, no seu discurso de tomada de posse, ontem no Parlamento, «arrasou» o governo, na opinião de alguns comentadores. É estranho que o Presidente da República faça tal discurso e, em consequência, não dissolva de imediato a Assembleia da República e convoque eleições antecipadas. Hoje discutiu-se, no Parlamento, uma moção de censura do Bloco de Esquerda. É estranho que o PSD e o CDS que, diariamente, dizem que este governo nos conduz à desgraça, não tenham votado favoravelmente. O próprio Bloco de Esquerda, que apresentou a moção de censura ao governo, por estranho que pareça, apressou-se a esclarecer que tal censura se estendia ao PSD, uma forma de ter a certeza que a moção não seria aprovada. Afinal, parece que todos os actores políticos, desde o Presidente da República ao presidente do PSD, passando por Francisco Louçã, não estão convencidos da censura da maioria dos portugueses ao governo, apesar de todas as medidas de austeridade.

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publicado às 16:55

Convicções.

por Tomás Vasques, em 08.03.11

Caro Fernando Martins: o fascismo não está a bater à porta, mas não deixo passar em claro o facto de alguém se infiltrar indevidamente numa reunião partidária para a boicotar. Dou-lhe uma garantia: protestarei de igual forma quando e se isso acontecer a qualquer outro partido político, esteja no governo ou na oposição. Não é por generosidade. É por convicção democrática.

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publicado às 23:22

Para quem tem memória.

por Tomás Vasques, em 08.03.11

Nuno Ramos de Almeida acha normal que um grupo de provocadores (parece que licenciados…) se infiltre e interrompa uma reunião de um partido político. Só o incomoda que os provocadores tenham sido expulsos da reunião onde indevidamente se infiltraram. Infiltrar-se e interromper reuniões partidárias é de má memória para quem tem memória. Aliás, o Nuno deve recordar-se das «reacções espontâneas da sociedade civil» que se traduziram nos assaltos às sedes de partidos políticos no verão quente de 1975. Mas parece que, por estes dias, está a fazer o seu caminho a tese segunda a qual «se é para passar fome e não ter emprego não precisamos de partidos políticos para nada». É um caminho perigoso.

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publicado às 23:14

Homens da luta desde Afonso Henriques.

por Tomás Vasques, em 08.03.11

Os «Homens da luta» vão representar Portugal num festival da canção, na Alemanha. Sem ironia, acho que estamos bem representados. Não vamos desiludir ninguém. 

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publicado às 13:08

É bom não esquecer...

por Tomás Vasques, em 08.03.11

Um grupo de «jovens à rasca» decidiu interromper uma sessão partidária, onde o secretário-geral de um partido político, por sinal o partido mais votado pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, falava aos militantes. Os períodos mais negros da história da democracia europeia começaram sempre pela perturbação, interrupção ou suspensão de actividades partidárias. É bom não esquecer, mesmo no Carnaval.

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publicado às 12:58

No próximo sábado, dia 12 de Março, a Avenida da Liberdade vai ser o cenário onde se cruzam todos os desencantos com a democracia. Um verdadeiro albergue espanhol, onde Alberto João Jardim, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã desfilarão de mãos dadas na primeira fila. O desemprego e a «precariedade» de uma geração numa sociedade em mudança acelerada serviram de mote ao protesto e o Facebook de inspiração (ou como disse Carvalho da Silva a «revolução árabe vai passar para o lado de cá»). Uns vão passear para a Avenida pedindo a «demissão de toda a classe política», Alberto João Jardim, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, incluídos; outros, vão até lá porque não acreditam «que os partidos políticos façam parte da solução mas parte do problema», PCP incluído, obviamente; outros, vão carpir mágoas por uma sociedade que se desmorona diariamente e que já não lhes pode dar aquilo que os seus pais obtiveram. Esta caldeirada, e perdoem-me os incautos, lembra-me o 1º de Dezembro anti-democracia da Vera Lagoa. Com uma diferença: ela sempre subiu a Avenida, dos Restauradores até ao Marquês. Nunca desceu a Avenida.

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publicado às 21:46

Citações.

por Tomás Vasques, em 05.03.11

Parece que está convocada, via redes sociais, uma manifestação popular contra a classe política, contra os partidos, e, portanto, contra o actual modelo político da democracia em Portugal. Não é que não haja motivos para criticar os partidos, todos; há-os e muitos. Mas a hostilidade para com os partidos tem sido, historicamente, o tempero com que os fascismos, venham eles de onde vierem, seduzem o paladar das populações. E essa sedução poderá ser, até involuntariamente, a face oculta do referido protesto.

 

Rui Herbon, Jugular.

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publicado às 13:41

«Negócios» estrangeiros.

por Tomás Vasques, em 03.03.11

Todos sabemos que as relações internacionais são, em regra, uma hipocrisia comandada por uma teia de interesses da mais variada ordem. Esta cultura da hipocrisia tem permitido a muitos ditadores, alguns loucos varridos, ocuparem o poder por décadas e décadas. Kadafi é, no fundo, uma das maiores vitimas desta hipocrisia internacional: ontem quase todos andavam com ele ao colo; de um dia para o outro, da noite para o dia, deixaram-no caíram e, uma vez no chão, todos o pontapeiam. Só agora é que se lembram de aplicar sanções à Líbia?

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publicado às 21:42

Merkel: o trabalho do governo português "é excelente". Sabemos que se trata de conversa para a fotografia, mas não deixa de enervar a nomenclatura à volta de Pedro Passos Coelho.

 

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publicado às 18:06

É proibido proibir.

por Tomás Vasques, em 02.03.11

Intelectuais argentinos próximos da presidente Cristina Kirchner, encabeçados por Horácio González, director da Biblioteca Nacional, querem que se reconsidere o convite a Vargas Llosa para abrir a Feira do Livro de Buenos Aires. Concretamente: querem proibir a presença do prémio Nobel, em Buenos Aires, por este se ter pronunciado várias vezes contra a política populista da presidente argentina. Ainda há intelectuais que não sabem que é proibido proibir.

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publicado às 16:37

José Sócrates tem encontro marcado coma a senhora Merkel no mesmo dia em que, segundo leio nos jornais, «analistas internacionais» – gestores de activos e agências de notação – nos dizem que Portugal, nas próximas semanas, vai recorrer à «ajuda externa» do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. (Aliás, há quase um ano que repetem a mesma ladainha, o que significa que, mais semana, menos semana, vão «acertar»). O país político está suspenso, praticamente desde Maio do ano passado, do tão apregoado pedido de «ajuda externa». Passos Coelho «interiorizou», desde que assumiu a liderança dos social-democratas, duas premissas: primeira, José Sócrates é um adversário político difícil de ganhar; segunda, quem derrubar o governo evidenciando «ganância de poder» será eleitoralmente penalizado. Por isso, há um ano que se empenha em «mostrar» a sua colaboração com o governo e já afirmou diversas vezes que o «momento» só chegará quando o governo solicitar a tal «ajuda externa» (facto que julga «incontestável» do insucesso governamental). Esta falta de coragem política, este calculismo (levado ao extremo na entrevista a Judite de Sousa, na RTP), está a deixar as suas hostes enervadas e os seus adversários internos menos contidos. Passos Coelho, neste ano de liderança do PSD, mostrou que, se um dia ganhar eleições legislativas, não é por ser visto como alternativa, mas como um mal menor.

 

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publicado às 16:09

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