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A santa aliança.

por Tomás Vasques, em 24.03.11

O momento escolhido por Passos Coelho para derrubar o governo e provocar eleições antecipadas não foi um mero acaso. Não se ficou a dever sequer ao pacote de austeridade apresentado pelo governo, o dito PEC IV. O líder social-democrata já tinha dado o seu aval, mais do que uma vez, a medidas bem mais gravosas para os portugueses e vai, ele próprio, se tiver essa oportunidade, aplicar medidas bem piores. As circunstâncias: na reunião do Conselho da Europa, a 12 de Março, o primeiro-ministro, ao apresentar o PEC IV, arquitectara com a senhora Merkel e demais parceiros europeus, uma solução para nos manter à tona de água e nos livramos do fardo do pedido de resgate e da intervenção do FMI e das exigências radicais deste. As declarações da senhora Merkel, de Durão Barroso e do comissário europeu para assuntos económicos, depois da reunião de Bruxelas, na sexta-feira passada, são todas elas favoráveis aos esforços do primeiro-ministro. Nestas circunstâncias – esta modalidade «suave» de ajuda externa alcançada por José Sócrates – o principal objectivo de Passos Coelho podia-se gorar: a intervenção do FMI em Portugal e que seja este a exigir o que Passos Coelho pretende, mas sabe que o PSD nunca terá condições políticas para impor: elevados cortes nas despesas do Estado nas áreas da Saúde e da Educação, alteração radical das leis do trabalho e redução dos encargos com a função pública, com consequentes despedimentos. Passos Coelho sabe que só um país de corda ao pescoço, na bancarrota, aceitará a sua proposta de revisão constitucional e as suas «reformas estruturais» de cariz liberal. Por paradoxal que pareça, o PCP e o BE morderam o isco e foram a reboque da estratégia do PSD. A direita mais dura aceitou a «santa aliança» com uma palmadinha nas costas dos comunistas e bloquistas. Estes, para aliviarem as consciências, lá vão dizendo: «PS e PSD são a mesma coisa». Talvez os portugueses, mais uma vez, achem que não.

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publicado às 09:45

Demissão.

por Tomás Vasques, em 23.03.11

O primeiro-ministro José Sócrates pediu a demissão, após ano e meio de governo. É natural em democracia, sobretudo tratando-se de um governo com maioria relativa no Parlamento. Esta era a vontade das oposições há muito tempo, mas só agora acharam chegado o momento. E em que momento! Apenas dois pormenores: o próximo governo sairá, naturalmente, de eleições, e nestas não há favas contadas; o próximo governo, seja ele qual for, irá pedir sacrifícios aos portugueses muito mais gravosos dos que agora todos – todos os partidos na Assembleia da República – recusaram. Vêm aí tempos muito difíceis. Muito difíceis, mesmo.

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publicado às 22:01

Inconsistências.

por Tomás Vasques, em 23.03.11

Passos Coelho já «decidiu» quem é o próximo secretário-geral do PS, dispensando o próximo congresso dos socialistas. Amanhã, em Bruxelas, vai vender «banha da cobra». Pode ser que alguém lhe pergunte com ar ingénuo: é o senhor que decide quem é o interlocutor dos socialistas? A inconsistência destes cenários é um sinal do que está para vir.

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publicado às 09:05

Temores e suores.

por Tomás Vasques, em 22.03.11

Eles – aqui e aqui, por exemplo – estão mesmo com medo do confronto eleitoral de Passos Coelho com José Sócrates.

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publicado às 22:47

Quarta, Quinta e Sexta.

por Tomás Vasques, em 22.03.11

Os próximos 3 dias que vão marcar os próximos tempos: amanhã, quarta-feira, dia 23 de Março, o denominado PEC IV, apresentado pelo governo, em Bruxelas, no dia 12, vai a debate na Assembleia da República, como se se tratasse de uma moção de confiança ao governo. O PSD vai rejeitar, conjuntamente com os restantes partidos, o novo pacote de austeridade. Ao fim do dia, o primeiro-ministro tem encontro marcado com o Presidente da República, provavelmente para lhe apresentar a demissão. No dia seguinte, a 24, quinta-feira, José Sócrates estará em Bruxelas a comunicar que o governo português não se pode comprometer com o pacote apresentado e aceite pelo Conselho europeu. Em consequência, as decisões do conselho europeu sobre Portugal são, neste momento, imprevisíveis. Dia 25, sexta-feira, começa a pré-campanha eleitoral com um governo de mera gestão corrente até quase finais de Junho (eleições, publicação dos resultados, tomada de posse do novo governo). Com o mundo a girar à nossa volta. Depois destes 3 dias, a questão é esta: se o PSD ganhar as próximas eleições (o que não está garantido, obviamente), convocadas a seu pedido, as medidas de austeridade agora rejeitadas (ou, certamente, outras mais gravosas) não serão, então, apresentadas pelo PSD ao parlamento? Se forem (todos sabemos que vão ser) um governo PSD-CDS não vai durar muito pouco tempo.

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publicado às 22:01

Notícias da crise europeia.

por Tomás Vasques, em 22.03.11

No Domingo, na primeira volta das eleições cantonais francesas, a extrema-direita chefiada por Marine Le Pen, bateu-se taco a taco com a UMP do presidente Sarkozi. Recolheram 15% e 17% dos votos, respectivamente. Já não se trata de sondagens, mas de uma votação a nível nacional.

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publicado às 10:32

Notícias da crise política.

por Tomás Vasques, em 22.03.11

Um apelo angustiado, de Mário Soares, hoje no DN.

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publicado às 09:59

Desculpem o mau jeito.

por Tomás Vasques, em 21.03.11

 

E, no final, quando concluírem a protecção da «zona de exclusão aérea», vão enforcar o Kadafi, como fizeram ao outro, no Iraque?

 

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publicado às 17:30

Há, nos olhos meus, ironias e cansaços.

por Tomás Vasques, em 21.03.11

O regime democrático saído do 25 de Abril de 74 e do 25 de Novembro de 75 está assente na alternância entre o PS e o PSD. Descontando os 3 governos de iniciativa eanista e os dois anos de coligação PS-PSD, os socialistas somam 14 anos de governo e os sociais-democratas 16, mais dia, menos dia. Os males estruturais que nos afectam, desde a despesa pública à competitividade da economia, não podem deixar de ser obra dos dois partidos, sobretudo do PSD que definiu o «caminho de desenvolvimento» na década a seguir à integração de Portugal na UE, quando os fundos e os meios jorravam como petróleo. O quinto líder do PSD (e o seu núcleo duro), depois do último que foi eleito primeiro-ministro, decidiu sujeitar o país a eleições, ano e meio após a eleição do actual primeiro-ministro, com receio de ser apeado antes de ter a oportunidade de disputar o cargo. Como escreve Pacheco Pereira: «Algumas dessas personagens estão já muito contentes à espera do seu lugar de ministro e de secretário de estado, e, os favores que prestam às lideranças que eles próprios fabricam, serão certamente pagos.» O país que se borrife. Ou como disse ontem Paulo Portas: «É agora ou nunca».

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publicado às 17:22

Crise. Eleições. Resultados eleitorais.

por Tomás Vasques, em 21.03.11

O PSD, pela boca de Manuel Macedo, voltou ontem a rejeitar qualquer negociação com o governo sobre o PEC. Dificilmente se evitará, a curto prazo, eleições antecipadas. Quer o PS, quer o PSD têm lançado, nos últimos dias, um ao outro, a responsabilidade da crise política iminente. Partem do pressuposto evidente que uma crise política, neste momento, acarretará consequências muito graves para vida dos portugueses. Muito mais graves do que aquelas em que vivemos. No entanto, sem negar efeitos eleitorais negativos a quem arcar com essa responsabilidade, mais decisivo na contenda eleitoral vai ser: 1) as propostas-promessas a apresentar pelo PSD, durante a campanha eleitoral, para diminuir o deficit e evitar o crescimento negativo. O PSD tem de deixar a cómoda posição de só dizer o que está mal e passar a dizer o que vai fazer; 2) a percepção que os eleitores têm sobre a capacidade de Pedro Passos Coelho para chefiar um governo debaixo desta tempestade. Até ao momento, apesar do desgaste político de José Sócrates, Pedro Passos Coelho ainda não levantou voo nas sondagens. Será que vai levantar voo nas eleições?

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publicado às 10:23

Um novo Iraque?

por Tomás Vasques, em 20.03.11

Kadafi é um ditador, no poder desde 1969 – há mais de 40 anos. Passou décadas a «combater o imperialismo» e, por isso, sempre contou com a simpatia das «forças anti-imperialistas», sobretudo os comunistas, mas também toda a amálgama da esquerda radical (O PCP, mesmo agora, ainda o conta entre os amigos «anti-imperialistas»). Há quase uma década, por razões de sobrevivência, passou a ser «amigo» do imperialismo, confraternizando e negociando o petróleo e outras riquezas líbias com Bush, Sarkozy, Berlusconi e quem mais lhe batesse à porta. Hoje, está a ser bombardeado por estes amigos recentes que viram, finalmente, uma oportunidade de o desalojar do poder. A diferença entre a invasão do Iraque pela dupla Bush-Blair e a actual intervenção militar na Líbia é formal: é apenas a «legalidade» conferida pelo Conselho de Segurança da ONU. A nuance é mínima: agora chamam-lhe «zona de exclusão aérea». Se a Líbia não tivesse petróleo alguém tentaria evitar o massacre dos opositores ao regime de Kadafi?

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publicado às 21:42

Descalçar a bota.

por Tomás Vasques, em 17.03.11

Hoje, o Presidente da República recebe Pedro Passos Coelho, em plena ameaça de crise política. Cavaco Silva, com o contunde discurso de tomada de posse, lavou as mãos, e continuou igual a si próprio: não se quer comprometer com a queda do governo. Há muito que deu a entender que essa questão é com os partidos políticos e com a Assembleia da República, posição que desagrada aos social-democratas. Estes não queriam arcar com a responsabilidade de fazer cair o governo, mas concluíram que não lhes resta outra solução se não assumir esse encargo. Agora, parece (apenas parece), que já não há volta a dar: José Sócrates não pode chegar, dia 24, a Bruxelas de mãos a abanar e Passos Coelho recusa-se, desta vez, a deixar-se levar para a pista de dança. Se assim for, vamos ter eleições antecipadas, no momento em que o primeiro-ministro arquitectara, com a senhora Merkel, uma solução para nos manter à tona de água e nos livramos do fardo da «ajuda externa». As declarações da senhora Merkel, de Durão Barroso e do comissário europeu para assuntos económicos, depois da reunião de Bruxelas, na sexta-feira passada, todas elas favoráveis aos esforços do primeiro-ministro (a que se junta as notícias sobre a boa execução orçamental de Janeiro e Fevereiro), assustaram Passos Coelho. Ele sabe, pela voz avisada de Pacheco Pereira, que Rui Rio está atrás da porta e só precisa de meia dúzia de meses para entrar. Passos Coelho ou tenta agora ou nunca mais chega lá. E não «chegar lá» sem tentar é o pior que pode acontecer na vida de um político. E pode acontecer, ainda, a Passos Coelho, não «chegar lá», mesmo tentando.

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publicado às 12:29

Citações. «Geração à rasca».

por Tomás Vasques, em 15.03.11

«Foram manifestações perfeitamente ordeiras que mostraram o desespero que se vive e em que participaram muitos milhares de pessoas de todas as idades. Curiosamente tantos idosos e gente de meia-idade, mulheres e homens, como jovens. Em certos momentos, com um ar de festa, a lembrar as manifestações espontâneas do 25 de Abril. Os jovens mais pobres - desempregados e imigrantes - dos arredores das grandes cidades, poucos participaram, estranhamente, em comparação com os jovens com cursos superiores, sem emprego, filhos em geral das classes médias, que disseram querer emigrar. Foi uma manifestação que merece um estudo sociológico aprofundado e isento. Mas que o Governo, nas dificuldades do presente, não pode nem deve menosprezar. É um sinal tremendo que deve ser tomado em conta

 

Mário Soares, DN

 


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publicado às 14:08

Citações. Interrogações.

por Tomás Vasques, em 15.03.11

«Portugal, com as linhas de orientação para novos cortes na despesa até 2013, apresentados de surpresa no dia dessa reunião, posicionou-se para beneficiar destas novas atribuições do FEEF já no próximo mês de Abril (no qual precisa de refinanciar 4,5 mil milhões de euros). Em contrapartida, a Irlanda, que se obstina em manter o seu IRC a 12,5%, recusando aproximar-se das taxas prevalecentes na Zona Euro, obteve um "não" ao seu pedido de renegociar o apoio de Novembro passado.

Se tudo isto acabar por ser aprovado a 24 e 25 deste mês no Conselho Europeu, compreende-se a razão de ser de tão precipitado anúncio das próximas etapas da política de austeridade. E o PSD, neste contexto e sabendo que esta política orçamental tem de continuar até 2013, atrever-se-á a abrir uma crise de Governo em Portugal?»

Editorial do DN.

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publicado às 09:10

O caminho está cada vez mais afunilado.

por Tomás Vasques, em 14.03.11

O primeiro-ministro fez uma declaração ao país. Muito clara. Explicou, no essencial, qual o principal objectivo do governo: evitar a ajuda externa. E porquê: as medidas exigidas pela ajuda externa penalizariam muito mais os portugueses. Clarificou o que estava em causa para 2011, redução da despesa do Estado, e para 2012-13: novas medidas para a redução do deficit para 3% e 2%, respectivamente. Explicou ainda porque tais medidas tinham de ser anunciadas na Cimeira de Bruxelas. Com esta declaração, José Sócrates deu o pontapé de saída para o debate eleitoral que parece estar próximo. As declarações dos opositores são sinal de desorientação: todos, desde José Manuel Pureza a Miguel Relvas, ou porque não perceberam ou porque não quiseram perceber, insistiram em confundir a redução da despesa para 2011 com as medidas anunciadas para 2012-13. António Capucho, na SicN, foi completamente desastroso quanto a esta distinção. A questão, agora, é a seguinte: quem toma a iniciativa de abrir uma crise política num momento tão sensível e de consequências imprevisíveis? Pedro Passos Coelho está com uma batata quente nas mãos: quer eleições antecipadas, mas teme-as. E com razão.

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publicado às 21:28




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