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Chamar os bois pelos nomes: atrasados mentais.

por Tomás Vasques, em 11.11.10

A blogosfera, as redes sociais e a abertura de comentários aos textos publicados nos jornais on-line, assim grosso modo e sem mais considerandos, constitui uma democratização da opinião, da informação e da participação dos cidadãos. No entanto, quem tiver paciência para ler os comentários despejados nos textos publicados nos jornais on-line constata que a maior parte vem de gente que, no mínimo, deve ter no cabeçalho da ficha clínica a inscrição de atrasado mental. Leio um comentário, num jornal on-line, a um texto noticiando a absolvição de Nuno Cardoso num processo que lhe foi movido por actos praticados enquanto presidente da Câmara do Porto, que diz, mais ou menos o seguinte: socialistas à beira de perder o poder começam a libertar das prisões os seus militantes. Hoje foram dois, Oliveira e Costa e Nuno Cardoso. Eu sei que mesmo os atrasados mentais sabem que quem foi libertado não é socialista e o que é socialista não estava preso. E, assim sendo, quem é esta gente que produz estes comentários? Qual será a sua relação com os filhos, os pais, os amigos, com a sociedade, para além do anonimato em que escondem a cobardia? Ou será gente destacada por aparelhos partidários para cumprir esta função? Não se trata de democratização da opinião, da informação e da participação dos cidadãos, mas de demência. Seja quem for, fico indignado.

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publicado às 01:12

Aqui, bate a bota com a perdigota.

por Tomás Vasques, em 10.11.10

Hoje, o Estado teve de ir o «mercado da dívida» fazer a sua última emissão de obrigações do Tesouro deste ano. Naturalmente, as taxas de juro subiram, sendo as mais elevadas de sempre – acima dos 7,3. Se tivessem baixado era sinal de que o «mercado da dívida» tinha enlouquecido. Onde não bate a bota com a perdigota é na reacção de uma certa direita política: nota-se um estranho contentamento com o valor que as taxas de juro atingiram hoje. Há quem diga, com alguma euforia: «Eu tinha razão». Esta euforia só pode vir de quem não pensa governar nos próximos dez anos.

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publicado às 17:36

Do mercado do Bolhão ao mercado da dívida.

por Tomás Vasques, em 10.11.10

Os juros da dívida pública atingiram, esta manhã, os 7,1%, no «mercado da dívida» – palavra que entrou definitivamente no nosso vocabulário. Antes, abastecíamo-nos no mercado da Ribeira e no mercado do Bolhão. Hoje, perdidas as tradições, abastecemo-nos no «mercado da dívida». Aparentemente, parece não haver relação entre os mercados da Ribeira e do Bolhão e o «mercado da dívida». Mas há. A mudança dos hábitos de consumo dos portugueses, (deixámos de frequentar os mercados tradicionais para entrarmos na voragem dos centros comerciais, dos stands de automóveis e nas agências de viagem), e a mudança dos meios de pagamento (substituindo as notas do Banco de Portugal que nos eram entregues como remuneração pelos cartões de crédito ilimitado) levaram-nos a percorrer o caminho até ao «mercado da dívida». Foi o ciclo do crescimento assente no investimento público e no consumo inaugurado pelos governos de Cavaco Silva e pela integração europeia. O Estado, as empresas e as famílias entregaram-se ao deboche e não mais pararam de aumentar as despesas. A crédito, obviamente. A produção de riqueza não chegava para tanto esbanjamento. Agora, mesmo os mais optimistas já perceberam que temos de voltar aos mercados da Ribeira e do Bolhão. Nunca a expressão Vais pagar e com juros foi tão adequada à nossa situação.

 

(Publicado no Aparelho de Estado)

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publicado às 14:38

É tão evidente que...

por Tomás Vasques, em 08.11.10

«O que não faz sentido é fazer um acordo e agora estar sempre em desacordo.»

Pedro Santana Lopes.

 

Ou como escreveu Nuno Morais Sarmento: «É preciso um percurso pessoal de  aprendizagem, de experiência e, principalmente, de obra feita. Passos Coelho manifestamente não tem provas dadas.»

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publicado às 23:31

Passos em falso.

por Tomás Vasques, em 08.11.10

Pedro Passos Coelho anda a juntar lenha para se queimar. Se alguma vez chegar a primeiro-ministro, todos os anos, usando as suas palavras, muitas vozes vão exigir a sua prisão imediata. Nessa altura, ele dirá, enquanto lhe cresce o nariz: «só quem me elegeu me pode julgar».

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publicado às 16:24

Presidenciais 2011 (14).

por Tomás Vasques, em 08.11.10

Alguém deve agarrar o candidato presidencial Manuel Alegre senão ele ainda atravessa a fronteira e vai por aí fora, à procura dos mercados financeiros, para defender a independência nacional. Ser deputado trinta e tal anos afasta qualquer um da realidade.

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publicado às 16:02

Treinador de sofá.

por Tomás Vasques, em 07.11.10

Depois do jogo, o melhor antes de adormecer é ler o Francisco.

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publicado às 23:49

Traduções.

por Tomás Vasques, em 07.11.10

Em tempos, Pacheco Pereira foi tradutor de Manuela Ferreira Leite. Agora, João Gonçalves é tradutor de Pedro Passos Coelho.

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publicado às 23:48

As armadilhas da história.

por Tomás Vasques, em 07.11.10

O Partido Comunista da China desenvolveu, como nenhum outro partido comunista, a teoria e a prática do marxismo. O que se disser em contrário é apenas efabulação.

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publicado às 14:26

Ideias estranhas sobre a Democracia (2).

por Tomás Vasques, em 07.11.10

Pedro Passos Coelho defende que os titulares de cargos políticos, culpados dos maus resultados da economia portuguesa, devem ser responsabilizados, civil e criminalmente. De imediato, Jerónimo de Sousa responde que se esta declaração for para tomar a sério se aplique a lei penal retroactivamente aos últimos 30 anos. A qualidade do discurso político anda pelas ruas da amargura.

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publicado às 10:02

Marchas populares.

por Tomás Vasques, em 07.11.10

 

 

Estive, hoje, à tarde, na Avenida da Liberdade. Fui ver a «manifestação da Função Pública». Lembrei-me das marchas populares, mas muito pior. O ambiente era de festa, e o compasso entre marchas tinha o mesmo ritmo. É preciso fazer render o peixe. A música era desastrada: cornetas e tambores. As letras estão delidas de tanto uso: Sócrates escuta, o povo está em luta. Se aquela gente que desfilou avenida abaixo está descontente não deu a entender. E quando Carvalho da Silva, nos Restauradores, num discurso de ocasião, sem chama e sem perspectiva, disse que tudo aquilo era para «instabilizar uma certa burguesia» (a burguesia não-certa pode estar descansada) ficou tudo esclarecido. No dia 24 de Novembro há mais do mesmo. Cumpra-se a democracia. O PCP já não é o que era.

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publicado às 00:46

No tempo em que a política comandava o sonho.

por Tomás Vasques, em 06.11.10

 

 

Hoje, 6 de Novembro, a RTP Memória transmite, às 21 horas, o debate entre Mário Soares e Álvaro Cunhal realizado a 6 de Novembro de 1975 – há 35 anos. São 4 horas de um confronto político vital entre a defesa da democracia, assumida pelo dirigente socialista, e a defesa da ditadura (vulgo «democracia popular»), defendida pelo dirigente comunista. Este debate, 15 dias antes do 25 de Novembro de 1975, data que tem um valor histórico próximo do 25 de Abril, ainda está atravessado na garganta dos comunistas. Ainda hoje, passados 35 anos, os comunistas destilam o seu a ódio a Mário Soares. É o caso de José Casanova, director do Avante, que escreveu, na última 5ª feira, o naco de prosa que a seguir se transcreve (fico muito satisfeito ao ler estes textos, significa que não fui testemunha - nem vítima – de prisões e fuzilamentos dirigidos pelos Casanovas):

 

 

«Vale a pena lembrar – quanto mais não seja para que não caia no esquecimento – que Soares é um dos grandes responsáveis pelo desastre nacional a que a política de direita conduziu o País. Foi ele que a iniciou em 1976, dando os primeiros passos da ofensiva contra-revolucionária que, de então para cá, todos os governos prosseguiram, com raivosos ataques às conquistas da Revolução de Abril; chamando para aqui o FMI (e correndo de cá com o MFA...), e enfiando a cabeça no cepo da UE; roubando aos trabalhadores e ao povo direitos fundamentais alcançados pela luta e consagrados nas leis de Abril; recorrendo á repressão brutal sobre as massas trabalhadoras; tirando o poder ao povo e colocando-o nas garras dos grandes grupos económicos e financeiros (quer dos que haviam sido sustentáculo do fascismo quer dos que a política de recuperação capitalista viria a criar); fazendo a vida num inferno aos trabalhadores e oferendo o paraíso ao grande capital; rasgando e espezinhando a Lei Fundamental do País e entregando a soberania e a independência nacional ao imperialismo norte-americano e à sua sucursal que dá pelo nome de União Europeia.»

 

(ver também aqui).

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publicado às 19:15

Ideias estranhas sobre a Democracia.

por Tomás Vasques, em 06.11.10

As democracias vivem tempos difíceis. Falta cultura democrática e política a muitos dos actores políticos dos nossos dias. Já poucos se espantam que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, defenda a responsabilização civil e criminal por actos no exercício da actividade política, exemplificando com o a execução do Orçamento de Estado. De um dia para o outro, qualquer governo perderia a legitimidade democrática, deixaria de responder politicamente apenas a quem os elegeu, e poderia passar a um bando de arguidos, senão mesmo a um bando de presidiários. Na antiga URSS de Staline e na Albânia de Enver Hodja essa possibilidade existia: ser preso ou fuzilado o ministro que caísse em desgraça por não ter cumprido o plano quinquenal. Pedro Passos Coelho tem ideias muitas estranhas sobre a democracia. Aliás, as declarações de Pedro Passos Coelho são copiadas do que escreveu, no Correio da Manhã, João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: «cabe perguntar se é suficiente o ‘julgamento em eleições viciadas por manipulações de toda a ordem, que influenciam o voto dos eleitores.» A ânsia anti-democrática do Ministério Público se querer substituir aos portugueses no julgamento da governação não tem limites, mas que o dirigente de um partido político democrático lhe siga as pisadas é muito mau: é perigoso para a democracia.

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publicado às 12:52

Vamos baixar a despesa do Estado (4).

por Tomás Vasques, em 04.11.10

Esta situação deve ser questionada, obviamente. E alterada, naturalmente.

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publicado às 14:44

Especialistas em política internacional.

por Tomás Vasques, em 04.11.10

Ontem, durante o debate parlamentar, uma intervenção da deputada comunista-verde Heloísa Apolónia, fez-me lembrar a minha prima Hermenegilda, uma especialista em política internacional. Quando lhe falam na miséria em Cuba, diz logo, em tom irritadiço: isso deve-se ao embargo americano; quando lhe falam na crise internacional, alvoraçada, dispara: não venham com desculpas para defender o Sócrates.

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publicado às 08:48




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