Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Aqui, bate a bota com a perdigota.

por Tomás Vasques, em 10.11.10

Hoje, o Estado teve de ir o «mercado da dívida» fazer a sua última emissão de obrigações do Tesouro deste ano. Naturalmente, as taxas de juro subiram, sendo as mais elevadas de sempre – acima dos 7,3. Se tivessem baixado era sinal de que o «mercado da dívida» tinha enlouquecido. Onde não bate a bota com a perdigota é na reacção de uma certa direita política: nota-se um estranho contentamento com o valor que as taxas de juro atingiram hoje. Há quem diga, com alguma euforia: «Eu tinha razão». Esta euforia só pode vir de quem não pensa governar nos próximos dez anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:36

Do mercado do Bolhão ao mercado da dívida.

por Tomás Vasques, em 10.11.10

Os juros da dívida pública atingiram, esta manhã, os 7,1%, no «mercado da dívida» – palavra que entrou definitivamente no nosso vocabulário. Antes, abastecíamo-nos no mercado da Ribeira e no mercado do Bolhão. Hoje, perdidas as tradições, abastecemo-nos no «mercado da dívida». Aparentemente, parece não haver relação entre os mercados da Ribeira e do Bolhão e o «mercado da dívida». Mas há. A mudança dos hábitos de consumo dos portugueses, (deixámos de frequentar os mercados tradicionais para entrarmos na voragem dos centros comerciais, dos stands de automóveis e nas agências de viagem), e a mudança dos meios de pagamento (substituindo as notas do Banco de Portugal que nos eram entregues como remuneração pelos cartões de crédito ilimitado) levaram-nos a percorrer o caminho até ao «mercado da dívida». Foi o ciclo do crescimento assente no investimento público e no consumo inaugurado pelos governos de Cavaco Silva e pela integração europeia. O Estado, as empresas e as famílias entregaram-se ao deboche e não mais pararam de aumentar as despesas. A crédito, obviamente. A produção de riqueza não chegava para tanto esbanjamento. Agora, mesmo os mais optimistas já perceberam que temos de voltar aos mercados da Ribeira e do Bolhão. Nunca a expressão Vais pagar e com juros foi tão adequada à nossa situação.

 

(Publicado no Aparelho de Estado)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:38



Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

SOBRE LIVROS E OUTRAS ARTES

CONSULTA

LEITURA RECOMENDADA.