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No tempo em que a política comandava o sonho.

por Tomás Vasques, em 06.11.10

 

 

Hoje, 6 de Novembro, a RTP Memória transmite, às 21 horas, o debate entre Mário Soares e Álvaro Cunhal realizado a 6 de Novembro de 1975 – há 35 anos. São 4 horas de um confronto político vital entre a defesa da democracia, assumida pelo dirigente socialista, e a defesa da ditadura (vulgo «democracia popular»), defendida pelo dirigente comunista. Este debate, 15 dias antes do 25 de Novembro de 1975, data que tem um valor histórico próximo do 25 de Abril, ainda está atravessado na garganta dos comunistas. Ainda hoje, passados 35 anos, os comunistas destilam o seu a ódio a Mário Soares. É o caso de José Casanova, director do Avante, que escreveu, na última 5ª feira, o naco de prosa que a seguir se transcreve (fico muito satisfeito ao ler estes textos, significa que não fui testemunha - nem vítima – de prisões e fuzilamentos dirigidos pelos Casanovas):

 

 

«Vale a pena lembrar – quanto mais não seja para que não caia no esquecimento – que Soares é um dos grandes responsáveis pelo desastre nacional a que a política de direita conduziu o País. Foi ele que a iniciou em 1976, dando os primeiros passos da ofensiva contra-revolucionária que, de então para cá, todos os governos prosseguiram, com raivosos ataques às conquistas da Revolução de Abril; chamando para aqui o FMI (e correndo de cá com o MFA...), e enfiando a cabeça no cepo da UE; roubando aos trabalhadores e ao povo direitos fundamentais alcançados pela luta e consagrados nas leis de Abril; recorrendo á repressão brutal sobre as massas trabalhadoras; tirando o poder ao povo e colocando-o nas garras dos grandes grupos económicos e financeiros (quer dos que haviam sido sustentáculo do fascismo quer dos que a política de recuperação capitalista viria a criar); fazendo a vida num inferno aos trabalhadores e oferendo o paraíso ao grande capital; rasgando e espezinhando a Lei Fundamental do País e entregando a soberania e a independência nacional ao imperialismo norte-americano e à sua sucursal que dá pelo nome de União Europeia.»

 

(ver também aqui).

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publicado às 19:15

Ideias estranhas sobre a Democracia.

por Tomás Vasques, em 06.11.10

As democracias vivem tempos difíceis. Falta cultura democrática e política a muitos dos actores políticos dos nossos dias. Já poucos se espantam que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, defenda a responsabilização civil e criminal por actos no exercício da actividade política, exemplificando com o a execução do Orçamento de Estado. De um dia para o outro, qualquer governo perderia a legitimidade democrática, deixaria de responder politicamente apenas a quem os elegeu, e poderia passar a um bando de arguidos, senão mesmo a um bando de presidiários. Na antiga URSS de Staline e na Albânia de Enver Hodja essa possibilidade existia: ser preso ou fuzilado o ministro que caísse em desgraça por não ter cumprido o plano quinquenal. Pedro Passos Coelho tem ideias muitas estranhas sobre a democracia. Aliás, as declarações de Pedro Passos Coelho são copiadas do que escreveu, no Correio da Manhã, João Palma, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público: «cabe perguntar se é suficiente o ‘julgamento em eleições viciadas por manipulações de toda a ordem, que influenciam o voto dos eleitores.» A ânsia anti-democrática do Ministério Público se querer substituir aos portugueses no julgamento da governação não tem limites, mas que o dirigente de um partido político democrático lhe siga as pisadas é muito mau: é perigoso para a democracia.

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publicado às 12:52



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