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Livros.

por Tomás Vasques, em 05.09.10

 

 

José Sócrates e Passos Coelho trocaram recados sobre a aprovação do Orçamento de Estado, um em Matosinhos, outro em Castelo de Vide, como quem joga xadrez por correspondência. Acredito que nesta partida não vai haver xeque-mate, mas até ao lavar dos cestos é vindima. Cavaco Silva também é da mesma opinião e disse, hoje, em Sernancelhe, que «não lhe passa pela cabeça» que não se chegue a acordo para a aprovação do Orçamento. E o senhor Presidente tem, certamente, informações que não estão ao alcance de todos. Enquanto a coisa não se compõe, vou para a cozinha praticar as «Receitas Caseiras para Mulheres Infiéis» e as «Receitas Afrodisíacas para Amantes Imorais» (Edições Ramiro Leão). Quanto ao primeiro, Regina Louro, autora do texto introdutório escreve que «O fundamental é o tempero»; quanto ao segundo, Ana Paula Dias escreve «trocamos os destroços e destrocamos de ossos». A gastronomia tem segredos que a política desconhece. E por aqui me fico.

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publicado às 22:21

Citações.

por Tomás Vasques, em 05.09.10

 

 

Vasco Pulido Valente, Uma biografia de Salazar, Público, 05.09.10, excertos:

 

Saiu finalmente uma biografia de Salazar (a de Franco Nogueira era almanaque hagiográfico sem sentido ou valor). A biografia é de Filipe Ribeiro de Menezes, doutorado em Dublin e professor de uma universidade irlandesa. (…) vale a pena ler esta longa e minuciosa história do homem que governou, sem sombra nem rival, gerações sobre gerações de portugueses e conseguiu criar uma cultura política que hoje ainda pesa - e pesa muito - na democracia que temos.

Para quem viveu sob Salazar – e já deve haver pouca gente –, o que falta nesta biografia é, naturalmente, a atmosfera do regime. Porque não existia uma ditadura, existiam milhares. Cada um de nós sofria sob o seu tirano, ou colecção de tiranos, na maior impotência. A família, a escola, a universidade, o trabalho produziam automaticamente os seus pequenos "salazares", que, como o outro, exerciam um autoridade arbitrária e definitiva que ninguém se atrevia a questionar. A deferência – se não o respeito – por quem mandava era universal; e essa educação na humildade (e muitas vezes no vexame) fazia um povo obediente, curvado, obsequioso, que se continua a ver por aí na sua vidinha, aplaudindo e louvando os poderes do dia e sempre partidário da "mão forte" que "mete a canalha na ordem".



Só num ponto, essencial, Salazar perdeu. Queria um país resignado à pobreza cristã e Portugal, se continua pobre, não se resigna agora à pobreza com facilidade e abandonou a Igreja. (…) E o mundo moderno desorganizou o Portugal manso e miserável que ele com tanta devoção construíra. O preço que pagámos pela ditadura desse provinciano mesquinho é incalculável.

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publicado às 08:10



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