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O abraço de urso do PS a Manuel Alegre.

por Tomás Vasques, em 24.05.10

 

 

O secretário-geral do Partido Socialista cumpre, por estes dias, um ritual partidário (autarcas, grupo parlamentar e presidentes das federações) tendo em vista declarar, no Domingo, na Comissão Nacional, o apoio ao candidato presidencial Manuel Alegre. O poeta, deputado eleito nas listas do PS durante 34 anos, e candidato oficial do Bloco de Esquerda (onde residem os seus mais acérrimos defensores), com quem se amancebou nos últimos dois ou três anos, impediu a escolha, pela actual direcção dos socialistas, de um candidato capaz de derrotar Cavaco Silva. Nestas circunstâncias, impostas por Manuel Alegre, não resta outra solução ao PS senão cumprir um ritual político, sem alma, nem convicção: apoiar Manuel Alegre como candidato à presidência da República, mesmo sabendo que se trata de um candidato derrotado, sem o apoio de significativos segmentos do eleitorado socialista. Neste momento, e nas circunstâncias políticas que todos conhecemos, a melhor notícia para o candidato (até agora) do BE seria o PS escolher outro candidato: perdia as eleições, mas podia responsabilizar o PS pela derrota. O pior que podia acontecer a Manuel Alegre é o apoio do PS à sua candidatura: perde as eleições e é o responsável pela reeleição de Cavaco Silva. O PS, no Domingo, através da Comissão Nacional, vai dar o abraço de urso a Manuel Alegre.  

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publicado às 22:01

Os nossos governos – este e outros anteriores – herdaram a mania das grandezas de D. João V, o perdulário (também conhecido pelo freirático devido à sua apetência sexual por freiras, de quem teve vários filhos). Conta-se que um seu emissário se deslocou a Amesterdão para encomendar um carrilhão para o Convento de Mafra. O artesão holandês, o melhor na sua arte na Europa, não aceitou iniciar o trabalho enquanto o dito emissário não transmitisse ao Rei o preço, o qual era de elevada monta. Parece que D. João V achou humilhante o que para o holandês era uma regra de oiro: não iniciar um trabalho sem que o dono da obra conhecesse e aceitasse o preço. O nosso rei perdulário respondeu à suposta «humilhação» enviando de novo o emissário com um recado preciso: «Nunca pensei que um carrilhão fabricado na Holanda custasse tão barato. Por esse preço encomendo dois». Ainda hoje estamos a pagar esta herança. Os nossos governantes perderam a apetência sexual por freiras, pelo menos que se saiba, mas não deixaram de ser perdulários, nem perderam a mania das grandezas. Enquanto o Estado gastar como gasta e gostar de exibir uma riqueza que não temos, não saímos da cepa torta. E o esforço actual dos portugueses é inútil enquanto não tivermos um Estado que sirva os cidadãos e não um Estado que se sirva dos cidadãos.

 

 

(No Aparelho de Estado).

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publicado às 16:05

Bons exemplos (2).

por Tomás Vasques, em 24.05.10


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