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No peditório de Manuel Alegre só dá quem quer.

por Tomás Vasques, em 14.04.10

 

 

Hoje, a meio da tarde, circulou uma notícia segunda a qual o PS iria manifestar o seu apoio a Manuel Alegre, candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, após este formalizar a sua candidatura. Esta notícia foi desmentida em comunicado do Gabinete de Imprensa do PS de uma forma clara: «o Partido Socialista lembra que não tem qualquer reunião perspectivada, nem tem a intenção de a marcar, sobre o tema das eleições presidenciais». A primeira notícia não tinha fonte identificada, quanto ao desmentido, este foi feito pelo próprio PS. Também hoje, Edmundo Pedro, um histórico socialista, em declarações ao Rádio Clube Português, afirmou: «os socialistas estão contra Alegre». E concretizou: «O que eu sei é que a grande parte, a esmagadora maioria do Partido Socialista está contra o Manuel Alegre. O que eu sei, por experiência da minha secção, é que Manuel Alegre dentro do Partido Socialista não tem apoio praticamente nenhum». Pelos vistos, a estratégia pessoal de Manuel Alegre de levar o PS a apoiar o candidato do Bloco de Esquerda, em vez de levar o Bloco de Esquerda a apoiar o candidato apoiado pelo PS está a dar par o torto. Neste momento, três meses depois do poeta se disponibilizar para ser candidato à presidência da República, uma coisa é certa: Alegre não é o candidato presidencial dos socialistas, mesmo que a actual Direcção do PS, lá para Agosto ou Setembro, declare o seu apoio, o que ainda não é certo. Neste cenário, o poeta revela nervosismo: tanto afirma que «há mais vida para além das presidenciais», insinuando uma possível retirada de cena, como tenta emendar a mão, declarando que «a minha casa é o PS». Mas já é tarde: muitos socialistas têm a convicção de que Manuel Alegre já nada tem a ver com o PS e, caso fosse eleito, seria o protagonista de uma cisão no partido que lhe deu poiso durante trinta anos, legalizando o seu MIC e provocando, então, eleições antecipadas. Neste peditório só dá quem quer.

 

Também no Aparelho de Estado.

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publicado às 21:45

Quem tem tomates, tem tudo.

por Tomás Vasques, em 14.04.10

 

 

Enquanto bebo o café, depois de almoço, passo os olhos pelo Le Monde diplomatique (edição portuguesa) de Março. E detenho-me num extenso texto (página 12 e 13) do jornalista Pierre Daum sobre tomates. O título é: E tudo por mais alguns tomates. A história é simples: Pierre Daum – o jornalista – não gosta que a região de Almeria, em Espanha, abasteça toda a Europa de tomates durante todo o ano. Primeiro, porque o preço competitivo é obtido à custa da exploração de mão-de-obra agrícola mal paga (ele explica, com uma boa dose de chauvinismo, que um operário agrícola em França ganha 55,4 euros por dia, enquanto em Espanha só ganha 44,40, beneficiando ainda de alguma mão-de-obra ilegal paga a 37 euros dia); depois; os motoristas ( «búlgaros ou ucranianos» – especifica ele) que fazem a distribuição até Paris, Amesterdão, Londres, Berlim, Varsóvia e por aí fora são explorados («alguns, remunerados por quilómetro percorrido, fazem o máximo de quilómetros que podem, mesmo não respeitando as pausas obrigatórias»). Neste ponto também se inclui a poluição produzida pelos camiões; finalmente, os tomates espanhóis não têm gosto, são duros, não «amadurecem na sua cesta de frutos» e apodrecem rapidamente. Ora, os tomatais de Almeria («quarenta mil hectares, trinta mil produtores», indigna-se o autor do texto) só existem porque os consumidores europeus quando não têm acesso a tomates a sério, procuram os tomates de aviário, borrifando-se nos tomates maduros, na globalização e na luta de classes. O que significa que quem tem tomates todo ano, tem tudo. O resto é conversa fiada.

 

(publicado aqui)

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publicado às 15:58

Assim apareça o sol que nos tem escapado.

por Tomás Vasques, em 14.04.10

Desde que o governo e Câmaras Municipais decretaram tolerâncias de pontos (dia 13 de Maio, quinta feira, é em todo o país) os sites sobre meteorologia e previsão do tempo não têm descanso. Se aparecer o sol que ultimamente nos tem escapado e temperatura primaveril, própria da época, é natural que a maioria dos portugueses dispensados prefiram ver o Papa a partir do Algarve ou, para quem não se quiser afastar muito, dos areais da Costa da Caparica.  

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publicado às 12:02



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