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O PSD reuniu-se, em congresso, este fim-de-semana. Dos dois dias de trabalhos não saiu nada de significativo, o que já se esperava. Três momentos merecem, contudo, relevância negativa. Primeiro, Marcelo Rebelo de Sousa foi lá e, numa única intervenção, demonstrou que o próximo presidente dos sociais-democratas está muito aquém do que o partido precisa; segundo, o próximo presidente do PSD será um líder de facção e não do partido (foi significativo o momento em que Passos Coelho disse que conhecia Paulo Rangel apenas há dois anos: metade da sala pateou, a outra metade aplaudiu); finalmente, o pior momento: a aprovação de uma norma estatutária que prevê sanções por delito de opinião (sanções aos militantes que discordem publicamente das posições do partido nos 60 dias imediatamente anteriores à realização de eleições). Não sei se Santana Lopes, o proponente de tais sanções, e os delegados que a aprovaram, perceberam bem o alcance anti-democrata da proposta, sobretudo no momento em que o PSD, na Assembleia da República, através da Comissão de Ética, pretende discutir a liberdade de expressão na sociedade portuguesa. Este é um infeliz episódio da reunião de Mafra. Como no PS não existem normas deste quilate, qualquer militante socialista pode continuar a criticar o PEC durante qualquer campanha eleitoral. Muitas vezes, a maior parte das vezes, o PSD fala de liberdade de expressão sem se saber do que fala. A prova está à vista.
José Casanova assina, no Avante, um texto em que demonstra, com factos, o silenciamento das actividades do PCP por parte da comunicação social. Quando por aí pululam tantos meninos de coro a lastimar a liberdade de imprensa que temos, é bom introduzir, nessa discussão, o pluralismo na comunicação social. Ou será que a liberdade de imprensa e o pruralismo é só para os amigos?
«Há uma letra a mais no PEC. O "C" de crescimento. Portugal apresentou um "PE", um programa de estabilidade, mas, no horizonte temporal de 2013 não poderemos esperar crescimento. É este o nosso drama, armadilhados que estamos por uma zona euro que não foi concebida para choques como o que enfrentamos.»
Teixeira dos Santos, ontem, no Parlamento, referindo a uma verba para o pagamento de remunerações a presidentes de Juntas de Freguesia, disse tratar-se de money for the boys. Aparentemente, o Ministro das Finanças cometeu a gaffe de confundiu eleitos locais com os milhares de nomeados que pululam em gabinetes ministeriais e em empresas públicas. Aparentemente, apenas. No entanto, o desabafo que Teixeira dos Santos deixou escapar só pode ter uma interpretação: ele olha as eleições autárquicas para as Juntas de Freguesia – a base da pirâmide democrática – como uma «sopa dos pobres» distribuída para alimentar os aparelhos partidários. É uma má leitura da arquitectura do nosso sistema eleitoral, uma meia-verdade, sobretudo porque naquelas eleições não existe o monopólio dos partidos. Teixeira dos Santos tem de encontrar os boys noutros lados, e aí sim, pode corta o money à vontade.
Na sexta-feira passada, um fundo norte-americano, o Liberty Acquisition, adquiriu a maioria do capital da Prisa e, em consequência, da TVI.
Ana Gomes, deputada europeia, quando tomou conhecimento da morte, em Cuba, de Orlando Zapata, preso por delito de opinião, depois de 85 dias em greve de fome, escreveu: «Ainda hoje não consigo entender porque não fomos alertados para este caso, porque não agimos no PE a tempo de procurar salvar-lhe a vida». Não sei se é preciso avisar a senhora eurodeputada que, neste momento, Guillermo Fariñas, jornalista cubano, continua em greve de fome e num estado de saúde muito debilitado. Se não erro as contas, hoje é o 15º dia. Depois não lavem as mãos, como Lula da Silva, que comparou os presos políticos cubanos com os criminosos detidos em S. Paulo.
O descontrolo do deficit em 2009, as agências de rating, a Grécia e a procura de «consensos» internos produziram o PEC agora em discussão. Este PEC é um grande trambolhão.
Ao ler declarações de José Eduardo Moniz, hoje, no Parlamento, acusando José Sócrates, António Guterres e António Costa de pressões sobre a TVI, percebi finalmente o conceito de pressão: se telefona um dirigente do PSD ou do CDS, um Durão Barroso, um Paulo Portas, um Santana Lopes, trata-se de um telefonema de amigos, de correligionários políticos que exercem o seu direito a esclarecer uma qualquer notícia coxa, enviesada; mas se o telefonema é de um adversário político, de um qualquer dirigente do PS, por exemplo, o telefonema só pode ser entendido como uma pressão. Havia qualquer coisa que eu não entendia nestas denúncias de pressão sobre jornalistas. O José Eduardo Moniz hoje foi tão claro que eu, finalmente, percebi: o conceito de pressão está associado aos adversários políticos e não aos amigos políticos. Afinal é um conceito simples. Mas Manuela Moura Guedes não foi muito clara. O Moniz sim, explicou bem.
Nasceu o Vias de Facto, onde se reúne um lote de colaboradores de primeira água. Há cada vez mais vida na blogosfera.
Quando Berlusconi apresentou candidatas a miss qualquer coisa ou ex-misses nas listas do seu partido, quer nas eleições europeias, quer, agora, nas regionais italianas de 28 e 29 de Março (uma concorrente a miss Itália integra as listas, bem como uma striper que é agora dentista), meio mundo, sobretudo à esquerda, veio dizer que «é difícil levar Berlusconi a sério» ou fala em «falta de respeito». Jéssica Jordan, que foi miss Bolívia, em 2006, e candidata a miss Universo, em 2007, é agora a candidata do partido de Evo Morales a governadora da região Beni. E promete, caso seja eleita, levar os presos a trabalhar nas minas sem direito a salário, o que mereceu um elogio de Morales. Ainda não ouvi nenhuma voz a desprestigiar a escolha do presidente da Bolívia, pelo facto da sua candidata ser miss, de onde se deve concluir que miss que apoia a «esquerda» é inteligente, culta, preparada para o exercício da nobre função política; miss que apoia a «direita» é burra, analfabeta, mulher «da vida». É este o raciocínio, não é?
Começa a ser vulgar, demasiado vulgar, os comentadores se referirem ao estado lastimoso em que se encontra o PSD, associando ora os candidatos à liderança, ora o próprio partido, quase sempre, a «defuntos», «coveiros», «em fase terminal», etc. Hoje, no DN, Alberto Gonçalves, sob o título O direito do PSD à eutanásia, escreve:
Vasco Pulido Valente chamou defuntos aos candidatos. "Coveiros" talvez fosse mais exacto. De qualquer modo, o congresso do PSD ameaça passar por um velório, e é duvidoso que mesmo um milagre, incluindo a descida de Cristo ou a de Marcelo, o transforme numa festa. Quando em estado terminal, às vezes um moribundo apenas precisa de morrer em paz.
O que comentadores de diversas quadrantes vêem, também o «Zé Povinho» vê. Sabendo isso, sabendo que são incapazes de produzir um programa consistente de governação que mereça o apoio dos portugueses, sem líderes à altura das circunstâncias, alguma Direita – mais radical, mais extrema, e mais jovem decidiu percorrer o caminho mais fácil: chamar a polícia para, à força (não dos fuzis, mas dos «processos» judicias»), afastar os socialistas do governo. Procuram, assim, substituir o governo que resulta de eleições recentes. Em seu lugar sonham colocar lá um dos 3 candidatos à liderança do PSD. Não lhe interessa - a esta Direita – o bem-estar dos portugueses ou a saúde da democracia e do Estado de Direito. Interessa-lhe o poder pelo poder. É muito pouco. Haja decoro.
Há traços de navalhas a cortar o ar que se respira. A frase: «Manuel Godinho tem tanto direito à presunção de inocência como o primeiro-ministro José Sócrates» faz parte de um «pensamento» que se derrama diariamente em jornais e blogues, sobretudo à direita. O primeiro-ministro tem tanto direito à presunção de inocência, no sentido em que esta expressão é utilizada, como Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Paulo Rangel ou como o autor da frase, assim como todos os portugueses, não porque decorra da Lei, mas porque não são arguidos em nenhum processo judicial. A história está repleta de exemplos em que a Direita utilizou o exército para derrubar governos democraticamente eleitos. Em Portugal, no século XXI, a direita quer utilizar a polícia. Não há respeito por leis, nem por tribunais. Há só uma obsessão: derrubar por qualquer meio o governo que resultou das eleições e atacar todos os que defendem que um governo eleito deve governar até novas eleições. E há muito boa gente a alinhar nesta tramóia anti-democrática. Uns, eu compreendo: esta «coisa» da democracia deixa-os em estado de choque; outros, não entendo porque em vez de apresentarem soluções para o país , preferem a «solução policial».