Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Uruguai. José "Pepe" Mujica.

por Tomás Vasques, em 02.03.10

 

Tomou ontem posse como Presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, preso 14 anos durante a ditadura militar naquele país. Eleito pela Frente Ampla – uma coligação de partidos de esquerda que elegeu Tabaré Vásquez em 2004 (o qual não tentou,   através de referendo,  continuar no cargo, apesar do elevado índice de popularidade) e que voltou a ganhar as eleições presidenciais, em 2009, com Mujica –, o novo Presidente declarou que iria seguir o caminho traçado pelo seu antecessor. Na posse de Mujica estiveram Lula da Silva, Hillary Clinton, Cristina Kirchner, Hugo Chávez, Álvaro Uribe, Fernando Lugo, Evo Morales, Rafael Correa, além do príncipe espanhol Felipe de Borbón. É sempre reconfortante ver um ex-preso político ser eleito Presidente da República. Aos meus amigos uruguaios da Frente Ampla – em especial, ao Aparaín, ao Gonzalo, ao Wilfredo –  um grande abraço.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:36

Eu socialista me confesso.

por Tomás Vasques, em 02.03.10

 

 

 

A história dos socialistas europeus – que passa pelos partidos socialistas e sociais-democratas – no século XX demonstra que, regra geral, se transformaram naturalmente no eixo, senão mesmo como centro de gravidade, das sociedades democráticas. E apesar dos «constantes compromissos», «das múltiplas prevaricações» e das «hesitações estultas» referidas por Donald Sassoon, são a «esquerda que resta». De um modo geral, e sem pruridos, os socialistas sempre estabeleceram pontos de contacto à sua direita, sobretudo quanto ao modelo económico – capitalismo ou economia de mercado, como lhe queiram chamar – e quanto à democracia e às liberdades, rejeitando a estatização da economia e a supressão de eleições livres e das liberdades de imprensa, de manifestação, sindical e todas as demais, cujo paradigma foi o modelo soviético. Como, também, sempre estabeleceram pontos de contacto à sua esquerda (sobretudo em países onde essa esquerda existiu ou existe, como é o caso de Portugal), sobretudo ao atribuir ao Estado um papel importante na distribuição da riqueza produzida, na protecção social dos mais pobres e desfavorecidos, na defesa dos direitos de quem trabalha por conta de outrem ou na defesa de direitos individuais, de que são exemplo, entre nós, a interrupção voluntária da gravidez ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esta posição charneira dos socialistas nas sociedades democráticas europeias leva-os, na aparência, a «estar próximos» direita ou da esquerda, conforme as circunstâncias do momento ou os perigos para a sua concepção do mundo e da sociedade tem origem num ou outro. Neste sentido, servem de exemplo as conhecidas Frentes Populares nos anos 30, em França ou em Espanha, entre socialistas, comunistas e radicais ou, como é sobejamente conhecida, a luta dos socialistas portugueses contra os comunistas e a extrema-esquerda em defesa da democracia e das liberdades, quando outros se esconderam debaixo da cama. Nesta conjuntura difícil, e nos tempos acelerados que correm, em que os valores sobre os quais assenta a democracia são achincalhados diariamente, em que a direita revanchista perdeu a vergonha e, sobretudo, pela dimensão e as consequências da crise sobre os trabalhadores, de que o desemprego é um exemplo, ao partido socialista, enquanto expressão organizada da esquerda democrática, exige-se o protagonismo na luta pela democracia, pelas liberdades, pela ética, por uma sociedade mais justa para todos. Neste momento, com o secretário-geral que os socialistas elegeram (e que os portugueses elegeram por duas vezes como primeiro-ministro). Os dirigentes – todos os dirigentes políticos – são produto do seu tempo e das circunstâncias. Não se fazem nas Caldas. E se dúvidas sobre isso subsistissem, dissipavam-se ao olhar para os candidatos à liderança do maior partido da oposição – o PSD. Entre gente de bem, entre democratas, não se renega quem foi eleito, nem se metem rosas e punhos de pernas para o ar.

 

(imagem de João Cóias)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:47

Liberdade de expressão a quanto obrigas.

por Tomás Vasques, em 02.03.10

Passo os olhos pelos destaques informativos. Fico a saber que o PSD e o BE vão exigir despachos do Procurador da República e que o primeiro-ministro vai ser ouvido numa comissão de inquérito; que um blogger trabalha no Ministério das Finanças e que a PSP vai multar peões fora das passadeiras; explicam-me em detalhe o projecto do altar onde Sua Santidade rezará missa em Lisboa e os vários desastres e crimes que por aí vão acontecendo. Em rodapé, em letras minúsculas, não deixo escapar um pormenor: o desemprego atingiu os 10,5%.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:21

A devassa é uma arma desta canolhocracia.

por Tomás Vasques, em 02.03.10

 

 

 

Eduardo Pitta indigna-se – e bem –, a propósito da manchete do i de hoje, com o que considera «porventura, a manchete mais asinina do jornalismo português», onde uma não-notícia «revela publicamente a identidade de alguém que tem o direito a escrever sob pseudónimo.» A isto acrescenta a origem da «investigação» do i, concluindo: «Ao contrário da lenda, Roma sempre pagou a traidores.» E eu acrescento: trata-se de uma disfarçada perseguição por delito de opinião, iniciada por Pacheco Pereira e que Luís Novaes Tito não deixa escapar. Esta perseguição por delito de opinião (e os métodos policiais utilizados contra direitos individuais e de privacidade) é um modo de estar de revanchistas desesperados e constitui apenas um exemplo deste PREC invertido a que assistimos. Hoje mesmo, no DN, Pedro Tadeu, contaminado pelo espírito reinante, defende a divulgação pública dos vencimentos de todos os portugueses. Também o PSD ameaça alterar a lei para acabar com sigilos profissionais e deontológicos, como «obstáculos» ao apuramento da «verdade». A destruição dos direitos individuais acompanha a destruição do Estado de Direito. Eles querem que a Justiça deixe de ser feita pelos Tribunais e passe para a praça pública. José António Saraiva, o director de um semanário salvo da bancarrota por «capitais angolanos», falou no Parlamento no «encobrimento do poder político pelo poder judicial» como primeiro passo para atingir tal desiderato. Esta investida contra os pilares da democracia e do Estado de Direito passa, ainda, pela procura da «verdade» – a sua «verdade – destruindo um dos fundamentos em que assenta o Direito e a Justiça: o respeito pelas regras procedimentais na procura da Justiça. Exigem já que se validem provas obtidas ilegalmente em nome da «verdade», como se, num processo cível, uma contestação entregue fora de prazo permitisse ao contestante continuar a invocar a «verdade» que a simples passagem do prazo extinguiu. A subversão em curso dos mais elementares direitos individuais e do Estado de Direito, o regabofe e a impunidade reinantes, tem como objectivo afastar do governo o partido que ganhou as eleições. O desespero é tal que não se importam que a criança vá na água do banho. A «investigação» do i – a disfarçada perseguição por delito de opinião – a apoiantes do Partido Socialista na campanha eleitoral para as legislativas é apenas um pormenor na vasta teia urdida pela direita contra a democracia e o Estado de Direito.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:32



Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

SOBRE LIVROS E OUTRAS ARTES

CONSULTA

LEITURA RECOMENDADA.