Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Citações.

por Tomás Vasques, em 05.02.10

 

«O primeiro-ministro resolveu almoçar com o ministro da Presidência e Jorge Lacão no restaurante do Hotel Tivoli, que é notoriamente frequentado por personagens da política, do jornalismo e dos negócios. Foi um almoço de amigos ou, pelo menos, de colegas de trabalho. Sem qualquer dúvida um acto privado. A certa altura, o director da SIC e Bárbara Guimarães pararam uns minutos na mesa dele e o primeiro-ministro, provavelmente inspirado pela companhia, resolveu dar a sua opinião sobre Mário Crespo, com quem anda com certeza furioso por causa do programa Plano Inclinado. Para Sócrates, como seria de esperar, Mário Crespo é um "problema a resolver", e devia (com Medina Carreira) estar higienicamente metido num manicómio. As pessoas sempre falaram assim na intimidade. Dizer mal do próximo é um prazer velho como o homem.

Mas Sócrates falou alto de mais. Tão alto que um coscuvilheiro qualquer conseguiu ouvir e começou a divulgar a conversa, ninguém sabe, ou pode saber, com que exactidão e respeito pela verdade. O que não impediu Mário Crespo de se erigir tragicamente em vítima e de contar o episódio numa "coluna" do Jornal de Notícias, que o director do dito jornal (que não é em bom rigor um tablóide inglês) se recusou a publicar. Isto provocou um enorme escândalo na imprensa e na televisão, que tomaram indignadamente o partido de Crespo e trataram Sócrates como se não houvesse a menor diferença ente o restaurante do Tivoli e a Assembleia da República. Não se percebe porquê. Parece que o primeiro-ministro não tem direito à privacidade ou que de repente a coscuvilhice se tornou numa fonte fidedigna e usável.

Se de facto assim é, daqui em diante nenhuma personagem com alguma notoriedade pública fica ao abrigo dos piores vexames. Nada agora, eticamente, impede que a imprensa e a televisão recrutem bandos de espiões com o propósito de recolher ou "extrair" todo o lixo disponível sobre criaturas de quem não gostam ou que, em geral, atraem audiências: políticos, músicos, jogadores (ou treinadores) de futebol e até, calculem, jornalistas. Claro que o exemplo vem de cima: vários deputados do PS já querem revelar na Net os rendimentos de cada um de nós. Tarde ou cedo, mais cedo do que tarde, vamos viver numa sociedade ao pé da qual a Ditadura passaria por um regime tolerante e digno. O "caso Mário Crespo" contribuiu consciente ou inconscientemente para apressar as coisas. Portugal nunca, no fundo, se habituou à liberdade.»

 

Vasco Pulido Valente, Público, 05.02.0.10

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:52

Livros.

por Tomás Vasques, em 04.02.10

 

A Editora Quetzal lançou o novo livro do escritor, ensaísta e crítico Eduardo Pitta, Aula de poesia. A obra (será apresentada por Pedro Mexia, no dia 10 de Fevereiro, às 18h.30, na FNAC Chiado) é composta por várias crónicas sobre escritores como Eugénio de Andrade; Adília Lopes; Camilo Pessanha; Judith Teixeira; Jorge de Sena; Manuel Gusmão; Joaquim Manuel de Magalhães; Carlos Drummond de Andrade; Manuel de Freitas; Carlos de Oliveira; Gonçalo M. Tavares; Rui Knopfli; Fernando Assis Pacheco; Mário Cesariny; Sophia de Mello Breyner; Herberto Hélder; VGM; António Botto; Cesário Verde, entre outros.

In Nicotina Magazine.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:06

Mais um bouquet de flores.

por Tomás Vasques, em 03.02.10

A Ministra da Cultura activou o Conselho Nacional de Cultura – um órgão consultivo do ministério – e convidou para aí ter poiso uma dezena de personalidades com reconhecidos méritos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:20

Big Brother.

por Tomás Vasques, em 03.02.10

Leio nos jornais que o PS se prepara para apresentar um projecto de Lei que, a ser aprovado, colocará on-line os rendimentos brutos anuais de todos os cidadãos portugueses contribuintes. O combate à corrupção só pode acabar num grande big brother. Já se perdeu a noção de direitos individuais, de privacidade. Não vão acabar com a corrupção, mas vão acabar com as sociedades democráticas.

Adenda:

«Francisco Assis, líder da bancada parlamentar do PS, deixou hoje cair uma proposta que três deputados socialistas e vice-presidentes da bancada tinham feito com o objectivo de tornar públicos os rendimentos dos contribuintes.»

Adenda 2: Desculpem-me a ousadia. Não sei se alguém chamou louco ao Mário Crespo ou não, mas isso não é relevante, porque de louco todos temos um pouco. Mas, digo eu, se Strecht Ribeiro, deputado do PS, produziu mesmo esta afirmação, pode ser desde já internado, com dispensa de exames médicos:

 

«Parece-nos razoável que, sendo nós um imenso condomínio de 10 milhões, cada um de nós saiba a permilagem de cada um dos outros para sabermos se há um efectivo contributo que corresponda àquilo que é o bocado que temos neste imenso latifúndio»

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:42

Nicotina Magazine.

por Tomás Vasques, em 03.02.10

João Gomes Ferreira lançou, ontem, o Nicotina Magazine – «primeiro magazine on-line de alta cultura. Subversivo, pós-revolucionário e viciante», onde se escreve sobre literatura, cinema, arte e design, dança e teatro, música, blogues e outros vícios. Este primeiro número inclui crónicas e ensaios de Luís Novaes Tito, Maria Isabel Goulão, Maria Inês de Almeida, Nuno Ramos de Almeida, Vasco Campilho e um texto meu (A história de uma cubana que ensinou o gato a nadar). Um projecto jovem a merecer aplauso.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:36

Vichyssoise à Marcelo?

por Tomás Vasques, em 02.02.10

 

A «historieta» de Mário Crespo tem duas abordagens diferentes. Uma, a não publicação do texto pelo JN. Não se trata de uma notícia por «ouvir dizer». É um texto de opinião, apesar de ser construído a partir de uma «conversa» de credibilidade duvidosa. A não publicação é um acto de censura. Inequivocamente.  Se contém algum crime tipificado na lei será apreciado pelos tribunais a pedido dos prejudicados. Depois, ninguém deve esquecer que o «fruto proibido é o mais apetecido». A segunda abordagem é a credibilidade do facto por «ouvir dizer que…» que sustenta o texto assinado por Mário Crespo. E essa, a credibilidade, é curta. Muito curta. Outros jornais já escreveram que o tal «director executivo de um canal de televisão» estava a almoçar na mesma sala (com Bárbara Guimarães), mas não na mesma mesa e que passaram pela mesa onde estavam os visados de Mário Crespo, no fim da refeição, num acto de cortesia, o que, a ser assim, torna a «historieta» ainda mais rocambolesca: uma espécie de vichyssoise à Marcelo. Mas é para ser discutida, não é para ser proibida.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:43

Rosa Lobato de Faria (1932-2010).

por Tomás Vasques, em 02.02.10

 

Rosa Lobato de Faria, poetisa, por vocação; actriz, por convicção; e romancista, por gosto pela escrita.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:56

Liberdades.

por Tomás Vasques, em 02.02.10

Não é demais repetir o óbvio: a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não estão automaticamente asseguradas pelo facto de cada órgão de comunicação social possuir um leque de comentadores diversificado, plural. É necessário mais. É necessário que nenhum jornalista se sinta ameaçado, pressionado ou condicionado no exercício da sua actividade. A qualidade da nossa democracia, tantas vezes maltratada, depende sobretudo disso. Só os Tribunais são competentes para avaliar e julgar os «excessos».

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:37

Citações (2).

por Tomás Vasques, em 01.02.10

 

 

Citei atrás uma frase de Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, que nos quer incutir o «espírito dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891» para nos ajudar a ultrapassar a actual crise. Também Cristina Kirchner, Presidente da Argentina, num discurso à Nação, tendo em vista ultrapassar a crise na Argentina, disse: «Comer carne de porco melhora a actividade sexual. Eu acho que é muito mais gratificante comer um porco grelhado do que tomar Viagra». Cristina Kirchner explicou que passou um fim-de-semana maravilhoso com o marido depois de comer carne de porco. Faltou a Cavaco Silva dar um exemplo da sua vida que provasse estar irmanado do «espírito dos revoltosos». Demagogia por demagogia, que se lixe a revolução, viva a carne de porco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:39

Pág. 8/8




Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

SOBRE LIVROS E OUTRAS ARTES

CONSULTA

LEITURA RECOMENDADA.