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Medeiros Ferreira defendeu numa conferência em Barcelona «que os calendários da construção dos troços do TGV, e outras linhas, fossem harmonizados entre os responsáveis de três países – Portugal, Espanha e França e não apenas nas cimeiras luso-espanholas. As linhas ibéricas de alta velocidade devem estar articuladas com o transporte para o centro da Europa.» Faz todo o sentido. Tão irracional é toda a Europa estar servida de TGV até Badajoz, como ter um TGV a partir de Lisboa que não passa de Madrid.
A Europa está a perder a memória: a Europa anti-minaretes encerra lojas ao Domingo, em Berlim, a pedido das igrejas católica e evangélica.
Houve hoje, 1º de Dezembro, um espectáculo de fogo de artifício junto da Torre de Belém para comemorar a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. O Tratado nasceu enjeitado (rejeitado foi só pelos irlandeses, onde se repetiu o referendo e deram o dito por não dito) porque nenhum dos Estados-membros se sujeitou a referendá-lo. Mas referendos a Constituições e Tratados (e, também, a Minaretes) não fazem prova de vida das democracias. Registo, no entanto, sobre o Tratado de Lisboa, a defesa do PS e do PSD, em artigos de opinião hoje no Público. Vital Moreira, disse: «É seguramente um dos tratados mais decisivos desde o instrumento fundador da então Comunidade Económica Europeia, o Tratado de Roma de 1957» e de Paulo Rangel, disse: «O Tratado de Lisboa – talvez seja esse o seu maior legado – dá o salto: o salto do "poder burocrático" para o "poder político", da "eurocracia" para a "politicocracia".» Espero que não seja só fogo de artifício.
Terminou a XIX Cimeira Ibero-Americana. O tema escolhido (a inovação e o conhecimento) era inócuo, apenas escolhido para cumprir o calendário da cimeira realizada no país associado que menos conta – Portugal. Por isso, a situação nas Honduras serviu de tema central nos dois dias: uma luta de bastidores à procura do consenso final sobre o assunto, onde Lula da Silva mostrou a importância do Brasil no contexto regional sul-americano. Consenso final não houve, mas o comunicado final refere-se à situação nas Honduras sem saber como descalçar a bota: restituir Zelaya ao seu cargo de presidente (a um mês do fim do mandato) depois das eleições presidenciais realizadas no Domingo passado? De resto, o mais importante foi a Shakira.
As consequências podem ser terríveis quando a presunção de inocência é ignorada. Médicos, polícia e jornais pedem desculpa a um inocente. E com a sede de sangue que por aí anda, pode acontecer a qualquer um. No El País.