Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Governo de Assembleia.

por Tomás Vasques, em 23.12.09

O que se passou com o Decreto nº 1/XI, da Assembleia da República, hoje vetado por Cavaco Silva, é paradigmático da ânsia da oposição governar a partir do Parlamento. A 12 de Novembro, os partidos da oposição apresentaram diplomas que revogavam as normas que criaram e definiram o valor das taxas moderadoras para o acesso ao internamento e ao acto cirúrgico em ambulatório. Nesta data, já o governo aprovara em Conselho de Ministros um Decreto-Lei sobre a mesma matéria e em termos semelhantes, que a Assembleia da República ignorou. A 20 de Novembro, os partidos da oposição no Parlamento aprovaram, na generalidade, projectos de lei do BE, PSD e CDS-PP. A 27 de Novembro, a Assembleia da República aprovou em votação final global, o texto final apresentado pela comissão parlamentar de Saúde com origem nos diplomas da oposição, o qual foi para promulgação do Presidente da República. Ainda por cima, o diploma aprovado pelos partidos da oposição, idêntico ao do governo, é incerto na data de entrada em vigor. Este é um exemplo do funcionamento de um «governo de assembleia».

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:42

O fim do regime.

por Tomás Vasques, em 22.12.09

Não há comentador à direita do PS que não escrevinhe sobre a Face Oculta, o estado da Justiça, o défice ou o endividamento externo para, de seguida, anunciar que cheira a «fim de regime». À primeira vista, no entendimento destes comentadores, o actual «regime» chega ao fim quando o PSD (ou o PSD e CDS-PP) ganhar eleições e formar governo. Nada é mais falacioso, tão partidariamente pequenino, do que este «fim de regime» anunciado. Nem se percebe o que é o «regime» no entendimento destes comentadores, sobretudo vendo o PSD a desfazer-se aos poucos. Mas se, em 2011, vissem Manuel Alegre na presidência da República e um governo PS-BE (ou PS-BE-PCP) iriam, vaidosos, dizer: eu bem vos disse que estávamos em «fim de regime», apesar de não ser nesse «novo regime» que eles estão a pensar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:04

Abel Xavier e as leis islâmicas.

por Tomás Vasques, em 22.12.09

Hoje, duas notícias despertaram a minha atenção: Abel Xavier anunciou que abandonou a carreira de futebolista e se converteu ao islamismo, adoptando o nome de Faisal, e assegurando estar preparado para os «hábitos rigorosos» da sua nova religião; enquanto isso, no Paquistão, um juiz, baseando-se numa lei islâmica, ordenou que cortassem as orelhas e o nariz a dois réus, para além de os condenar a prisão perpétua. Admiro a decisão de Abel Xavier e desejo-lhe boa sorte (espero que não exista nenhuma lei islâmica contra penteados «exóticos»).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:32

Ignorância.

por Tomás Vasques, em 21.12.09

Um jornalista do Correio da Manhã confundiu uma célebre fotografia de um soldado soviético a hastear a bandeira da União Soviética no Reichstag, em Berlim, no dia 1 de Maio de 1945, com o assalto ao Palácio de Inverno, em São Petersburgo, em Outubro de 1917. Este jornalista devia ficar proibido de entrevistar a deputada do PCP que desconhece o Gulag e não escrever nada sobre o PCP pelo menos durante a presente legislatura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:07

Ditaduras.

por Tomás Vasques, em 21.12.09

O «camarada» Ceausescu – um ditador, meio megalómano, meio sanguinário – caiu da cadeira há 20 anos. O PCP ainda o venera como um comunista morto em combate ou o próximo Avante vai silenciar o aniversário do seu fuzilamento?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:50

Greves.

por Tomás Vasques, em 21.12.09

A anunciada greve dos trabalhadores dos hipermercados na véspera de Natal foi desconvocada pelos Sindicatos. Pelo que leio sem qualquer garantia das associações patronais. Os sindicatos só se dão bem com professores e funcionários públicos. Quando toca ao sector privado roem sempre a corda.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:17

Bola de neve.

por Tomás Vasques, em 21.12.09

O debate político anda rasteiro. Os TSD – estrutura sindical do PSD – «Acusam Sócrates de mandar atacar Cavaco Silva». Sujeitam-se a que apareça alguém a dizer «Cavaco Silva manda os TSD atacar Sócrates».

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:01

Coisinhas boas recebidas por e-mail.

por Tomás Vasques, em 19.12.09

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:22

Cultura política.

por Tomás Vasques, em 19.12.09

Vasco Pulido Valente e José Pacheco Pereira, cada um a seu modo, hoje no Público, focam um dos aspectos mais evidentes, mas inevitáveis, da degradação da nossa «vida política»: nos primeiros anos, a democracia foi construída com gente abnegada, desprendida, com convicções e formada na luta conta a ditadura. Escreve Vasco Pulido Valente: «A maioria dos deputados de 1975, de 76, de 79, de 80, chegou a São Bento por convicção, com sacrifício, com risco (principalmente, em 75) e, ponto importante, com uma carreira respeitável. Poucos vieram por oportunismo. Quase nenhum para se promover, para ganhar influência, para entrar nos "negócios", para arranjar um emprego.» Pacheco Pereira (num momento menos sectário), a propósito do declínio político do PSD, também vai beber à mesma fonte: «É nítido que nos seus primeiros anos o PPD, e depois o PSD, era muito diferente da actualidade. Era constituído por uma elite nacional e local, os seus fundadores, que compreendia um conjunto de advogados, juristas, médicos, alguns reformados, professores, um ou outro engenheiro e alguns operários (sim, operários) e empregados. Mas os advogados eram o núcleo central dessa elite, quer a nível nacional, quer local. Esses advogados não eram alheios à intervenção política antes de 1974, uns na chamada "ala liberal" no tempo de Marcelo Caetano, outros como membros da oposição tradicional moderada e não comunista, com ligações à Maçonaria.» Esta cultura política dos primeiros anos da democracia perdeu-se aos poucos (mas se procurarmos bem o período da ruptura encontramo-lo nos 10 de «cavaquismo» de onde resultaram os BPNs e outras malezas) e agora, com a mudança de paradigma e de geração, uma nova cultura política leva anos, décadas mesmo a consolidar, tal como levou anos e anos a formar aquela que em 1974 deu rumo à democracia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:17

Treinador de sofá.

por Tomás Vasques, em 18.12.09

O resultado do Benfica – FCPorto, no Domingo, já não conta para o título de «campeão de Inverno» – uma invenção à medida do Pai Natal. O Braga, hoje, ganhou ao Paços de Ferreira e estragou a festa à concorrência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:38

Inocentes e culpados.

por Tomás Vasques, em 18.12.09

Um jovem de 19 anos (preto, inevitavelmente) foi condenado a prisão perpétua, em 1974, por atentado violento ao puder de uma criança de 9 anos. 35 anos depois  (com base em exames de ADN) provou-se a sua inocência. Isto passou-se nos Estados Unidos, onde não é assim tão raro a condenação, em tribunal, de inocentes. Por cá, ainda a investigação vai no adro e a acusação está longe (a acusação, não julgamento), mercê de umas «escapadelas» cirúrgicas, tipo «rapidinha», ao «segredo de justiça», e já uns carcereiros de serviço condenaram e a exigem a prisão de arguidos. É um triste sinal de uma democracia imatura e frágil alimentada pela comunicação social.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:19

Encenações.

por Tomás Vasques, em 17.12.09

Parece que o Filipe Nunes Vicente acertou no alvo. Eu repito: «A encenação serviu, obviamente, para dar a Berlusconi a aura de mártir, mas também para pôr a esquerda Gramsci-Armani de rastos: depois de ter andado a vasculhar as cuecas de putéfias, agora idolatra um doente mental

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:53

Galileu, a falta que tu fazes.

por Tomás Vasques, em 17.12.09

 

Hoje foi aprovado, em Conselho de Ministros, um projecto de Lei, a submeter à Assembleia da República, sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Há uma barreira de argumentos contra a consagração desse direito. Todos sabemos que mais cedo ou mais tarde, agora ou daqui a 10 anos, esse direito vai ser consagrado, tal como sabemos que a terra gira à volta do sol. Contudo, esta discussão desvia-nos de outras discussões importantes, como por exemplo, como leio no DN: a Virgem Maria e José, o carpinteiro, deitaram-se nus na mesma cama ou não? A igreja de St. Matthew-in-the-City, em Auckland, na Nova Zelândia, a propósito do Natal, pretendeu suscitar a discussão, colocando nas ruas um cartaz em que os apresenta nus na mesma cama. Parece que os opositores ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, lá na Nova Zelândia, não gostaram do cartaz. Eles ainda acreditam que o sol gira à volta da terra…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10

Cinzentismo.

por Tomás Vasques, em 16.12.09

Soube através do Expresso que uma senhora, norte-americana, de 39 anos, danificou um nervo da pélvis (muito próximo da genitália), num acidente de automóvel, provocando-lhe um insuportável desejo sexual 24 horas por dia. Nós por cá, que mal sabemos onde fica a genitália (gostamos mais ir para a República Dominicana), contentamo-nos em discutir, como coisa séria, o decote de uma senhora deputada. Por mim, Tiago, gostava de ter visto Cavaco Silva de bermudas na sessão de encerramento da conferência Ibero-americana. Ao menos coloria o cinzentismo em que navegamos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:21

Neo-realismo televisivo.

por Tomás Vasques, em 16.12.09

Em dia de neve, um jornalista de televisão entrou, hoje, à procura de notícias sobre o «mau tempo», num café de uma aldeia do distrito de Bragança, e perguntou a uma cliente: «Está frio?» A interpelada respondeu-lhe, naturalmente: «Está a nevar». Pela resposta se percebeu a desvantagem do jornalista, mas este insistiu: «Então, nestes dias, o que é que faz?». A resposta foi objectiva: «Fico em casa à lareira, dou comida aos animais e venho até aqui ao café». O jornalista não merecia um enxovalho tão grande, mas insatisfeito pela falta de um queixume contra o «tempo», ainda perguntou: «Não pode trabalhar no campo?» A resposta veio pronta e serena: «Não. Está a nevar.» O jornalista abordou outro cliente e prosseguiu com as mesmas perguntas. Não ouvi as respostas porque desliguei o aparelho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:35




Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2008
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2007
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2006
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Links

SOBRE LIVROS E OUTRAS ARTES

CONSULTA

LEITURA RECOMENDADA.