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O pré-crime.

por Tomás Vasques, em 14.12.09

Francisco José Viegas escreve sobre o pré-crime de Fernando Negrão (não era um mau título para um romance policial). Eu, que vivo na margem sul – um território de ilusões – sou suspeito se falar sobre inversão de ónus da prova e temas conexos.  Mas os meus receios por ter ultrapassado os mínimos de colesterol e frequentar a Ginjinha do Rossio mantêm-se.

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publicado às 00:42

Alba, madrugada.

por Tomás Vasques, em 14.12.09

 

Gosto da palavra castelhana Alba. Corresponde à nossa aurora, madrugada, alvorecer, amanhecer. A ALBA esteve este fim-de-semana reunida em Havana, Cuba. Trata-se de uma organização que agrupa os países da «linha-da-frente» da América Latina – a Aliança Bolivariana: para além de Raul Castro, presidente de Cuba, estiveram presentes os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega. Das Honduras não apareceu ninguém, como era de esperar, e dos outros 3 ou 4 apêndices (República Dominicana, Antígua e Barbuda, e São Vicente e Granadinas)  ninguém deu conta. Mas a palavra Alba lembra-me sempre o primeiro romance de Reinaldo Arenas: Celestino antes del alba. E a ALBA que este fim-de-semana se reuniu em Havana nada tem a ver com literatura. A revolução cubana nunca se deu bem com a literatura. Desde os primeiros momentos, sobretudo desde 1961, se percebeu que a «revolução cubana» não se dava bem com a diversidade de opiniões, nem com a liberdade criativa, nomeadamente com a literatura. O primeiro sinal foi o encerramento do suplemento cultural Lunes de Revolución, dirigido pelo escritor Guillermo Cabrera Infante. Em 1962, a editora independente El Puente, dirigida pelos escritores José Mario Rodriguez e Ana Maria Simo, passou a ser controlada pelo Estado, depois de publicar uma antologia poética de escritores cubanos que se exilaram após a revolução. A editora foi encerrada em 1965 e os editores foram presos. Neste mesmo ano, o rumo dos acontecimentos indicou a Cabrera Infante o seu destino: abandonou a ilha para sempre. Depois, veio a polémica de El Caimán Barbudo, o suplemento do jornal da Juventude Comunista, onde o poeta Herberto Padilla teve a ousadia de elogiar o livro de Cabrera Infante, Três Tristes Tigres, vencedor do concurso Biblioteca Breve, em Espanha. Em 1968, surge a polémica sobre livro de poemas Fuera del Juego, apresentado a concurso, na União de Escritores, por Herberto Padilla: o júri premiou o livro por unanimidade, mas a direcção da União de Escritores considerou o livro «contra-revolucionário». Em 1971, Padilla serviu de bode expiatória: foi preso e torturado até assinar uma declaração em que «reconhecia» o carácter «contra-revolucionário» da sua obra poética, fez uma «autocrítica» e disponibilizou-se para escrever loas ao regime e à revolução. Depois de libertado foi sujeito a uma humilhante sessão na União de Escritores, onde repetiu, de viva voz, a declaração assinada perante os torcionários. O escândalo nos meios literários internacionais foi tal que motivou a publicação, no Le Monde de 6 de Abril de 1971, de uma Carta dirigida a Fidel Castro, assinada por dezenas de escritores de todo o mundo, entre eles Simone de Beauvoir, Ítalo Calvino, Marguerite Duras, Carlos Fuentes, Gabril Garcia Márquez, Jean-Paul Satre, Alberto Morávia, Jorge Semprún e Mário Vargas Llosa. No início da década de 70, a revolução cubana tinha amordaçado os escritores cubanos e esvaziado a cultura cubana da sua diversidade e multiplicidade, da sua riqueza. Poetas e escritores que não aceitaram vestir o «colete-de-forças», como Virgílio Piñera e Lezama Lima (autor de Paraíso, 1966), foram perseguidos até morrerem; outros foram presos ou conseguiram fugir da ilha, como Reinaldo Arenas. Esta ALBA Bolivariana, que reuniu em Havana, «exige» democracia e liberdade nas Honduras. A censura, o exílio, a prisão e a morte de tantos escritores cubanos não nos permite que os levemos a sério.

 

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publicado às 00:08



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