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Leio nos jornais que o senhor Wilson Faria, eleito presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, no Porto, pela coligação PSD/CDS, fez aprovar ilegalmente o Executivo da dita Junta ao incluir o filho, o 19º da lista, sem a renuncia ao mandato de todos os eleitos que estavam à sua frente. A tomada de posse já foi anulada e a nova eleição da Junta de Freguesia será repetida. O senhor Faria classificou, em declaração aos jornais, a ilegalidade como “uma coisa normal” e considerou que “não é importante” o facto do beneficiado ser o seu filho. Razão tinha Rui Manchete, presidente da mesa do Conselho Nacional do PSD, quando afirmou recentemente: «Para muitos militantes, o PSD transformou-se numa máquina de conquista de poder.» Se o PSD tivesse ganho as últimas legislativas íamos conhecer o que é o «folclore transmontano» a sério.
Toda a direita protestou quando leu hoje no Editorial do Público: «Vamos estar obcecados com a isenção, a investigação, a profundidade e os temas de proximidade. (…) Não serviremos governos, nem procuraremos certificados de bom comportamento. Prosseguiremos uma nova etapa do caminho, no respeito pelos valores que nos guiam desde o primeiro dia.» É difícil perceber estas cabeças ou, então, está claro que gostam mais de animais amestrados.
«Quando foi presidente do PSD, Marcelo acabou mal. Hoje, ao fim de treze anos de exílio, amadureceu e tem um certa gravitas, que dantes lhe faltava. Em teoria, é um "chefe" perfeito. Conhece o regime e o partido como ninguém; professor de Direito Público e com uma cultura económica respeitável, não corre o perigo de cair nas mãos de "peritos" sem senso ou sensibilidade social; fala "bem"; e, como é notório, "passa" optimamente na televisão. Só que há um vácuo no centro da personagem: um vácuo de convicção. Com duas páginas de jornal e um programa de meia hora por semana na RTP, no fundo ninguém sabe o que Marcelo verdadeiramente pensa, nem o que ele quer para ele e para o país. O que não deixa de ser inquietante.»
Vasco Pulido Valente, Público, 1.11.09