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A análise concreta da situação concreta.

por Tomás Vasques, em 14.10.09

Jerónimo de Sousa transmitiu hoje a análise do Comité Central do PCP aos resultados eleitorais. Pelos vistos, instalou-se a desorientação analítica por aquelas bandas. Disse Jerónimo de Sousa que a «proximidade destas eleições com as eleições legislativas realizadas há apenas duas semanas, não permitiu que o valor do trabalho da CDU no poder local e o mérito que lhe é largamente reconhecido se tivessem plenamente afirmado nestas circunstância». Ou seja, segundo o líder comunista, o pessoal é burro e como vinha embalado das legislativas, onde votou no PS, não teve tempo, em 15 dias, para perceber que agora se tratava de outro assunto. Por seu lado, a Comissão Executiva Nacional do Partido Ecologista Os verdes, parceiro de coligação do PCP, afirma em comunicado: «Como factos negativos registamos naturalmente a perda de eleitos, assim como a presidência em algumas Câmaras, embora nem sempre de forma democraticamente leal, como foi, aparentemente, o caso do município de Beja.» Ou seja, foi introduzido um novo conceito político-jurídico (a merecer tratamento constitucional na próxima revisão) na análise destas eleições: a deslealdade democrática. Aliás, Jerónimo de Sousa, desenvolveu a tese, explicando que o PCP foi prejudicado pela «a concentração de votos da direita no PS». Não há naquelas reuniões do Comité Central uma alminha que tenha lido Marx e que lhes explique a paranóia em que se afundam?

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publicado às 00:52

A regra e a excepção.

por Tomás Vasques, em 13.10.09

José Simões comentou o meu post anterior, referindo-se a Setúbal, onde o PCP substituiu Carlos Sousa por Maria das Dores Meira. Mas… neste caso, José Simões explica porque motivo os setubalenses não fizeram um manguito ao PCP.

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publicado às 17:43

Autárquicas: dois exemplos.

por Tomás Vasques, em 12.10.09

O PCP comporta-se, em regra, com «proprietário» dos votos dos eleitores. Por isso, entende que o cargo de um eleito nas listas do PCP é «propriedade» do partido. E quando lhe dá na telha, a meio do mandato, substitui o eleito, mesmo contra a sua vontade. Os eleitores, assim que têm oportunidade, fazem um manguito ao PCP. Aconteceu, por exemplo, na Marinha Grande: em 2005, o PCP, elegeu como presidente da Câmara João Barros Duarte, substituindo-o a meio do mandato por Alberto Cascalho, o qual encabeçou a lista do PCP, em 2009. Resultado: o PCP perdeu a Câmara da Marinha Grande. Outro exemplo: o de Manuel Coelho, em Sines. Manuel Coelho foi eleito pelo PCP, em Sines, em três eleições autárquicas consecutivas. Saiu do PCP e candidatou-se num movimento independente. Ontem, ganhou a Câmara de Sines com maioria absoluta. O PCP foi o terceiro partido no concelho, perdendo mais de 40% dos votos em relação a 2005. O PCP não vai aprender a lição: os partidos não donos dos votos (nem da opinião) dos portugueses.

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publicado às 22:28

Acordos e desacordos.

por Tomás Vasques, em 12.10.09

 

 

José Sócrates foi indigitado hoje para formar governo na sequência da vontade dos portugueses expressa nas eleições legislativas. Segundo declarou, à saída do palácio de Belém, vai ouvir os demais partido de «espírito aberto», admitindo disponibilidade para encontrar um solução que permita a estabilidade governativa indispensável ao tempo de corre. Esta abertura vai encontrar, à esquerda do PS, uma dificuldade (para além das diferenças políticas): o PCP e o BE têm, antes, de resolver a questão em que se concentram (e esgotam) os seus principais esforços políticos: qual dos dois é reconhecido como o «verdadeiro» represente da «classe operária e das massas trabalhadores». Enquanto aqueles dois partidos comunistas – o histórico e o reconstruído – não resolverem essa questão; enquanto não se entenderem entre eles, não é possível nem ao PCP, nem ao BE qualquer entendimento (por mínimo que seja) com o maior partido da esquerda portuguesa – o PS. Um e outro – PCP e BE – vigiam-se, palmo a palmo. O primeiro a dar o primeiro passo no entendimento com o PS será o «traidor»; demonstrará estar ao serviço da «burguesia e da direita», o que os torna partidos inúteis (apenas a aguardar os amanhãs que cantam) e, por isso, incapazes de contribuir para as soluções nacionais. Os eleitores, aos poucos, vão cansar-se de atirar o seu voto para o lixo.

 

 

(Publicado aqui)

 

 

 

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publicado às 21:24

Autárquicas: duas observações.

por Tomás Vasques, em 12.10.09

Regresso no rescaldo das eleições autárquicas, depois de duas semanas de ausência. Os resultados são conhecidos; os vencedores e os derrotados estão identificados. Deixo aqui apenas duas pequenas observações. A primeira: Santana Lopes e Jerónimo de Sousa pensam da mesma maneira – ambos pensam que os partidos (e os políticos) são donos dos votos dos portugueses. Não são, obviamente. Ambos, nas respectivas declarações de derrota, sublinharam «acordos por baixo da mesa» para explicar a decisão dos eleitores e as suas derrotas. Em Lisboa, Santana Lopes falou nos eleitores do PCP/CDU e do BE que votaram no Partido Socialista para a Câmara Municipal – votaram em António Costa -, tendo votado PCP/CDU e BE nas Assembleias de Freguesia, como se isso fizesse parte de um «acordo» entre o PS e aqueles partidos. Em Beja, Jerónimo de Sousa falou nos eleitores do PSD que votaram no Partido Socialista para a presidência da Câmara, como um «acordo por baixo da mesa». Nem um nem outro, nem Santana Lopes, nem Jerónimo de Sousa percebem que se tratam de eleitores que não desejavam Santana Lopes à frente da Câmara de Lisboa, nem o PCP na presidência da Câmara de Beja. E votaram para que o seu voto tivesse utilidade. Como acabou por ter. Os partidos e os políticos que se julgam donos dos votos dos eleitores enganam-se. Como Fátima Felgueiras se enganou. A segunda observação tem a ver com a estrondosa derrota do BE, o que significa que o crescimento desta frente eleitoral não é sustentado, vive eleitoralmente do descontentamento e da penalização pontual da governação PS (ou do PSD). E nenhum eleitor está disponível para empenhar sempre o seu voto em quem só está disponível apenas para protestar.

 

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publicado às 20:52

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