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Um padre católico, em exercício de funções em Covas de Barroso, foi hoje detido (com mais 3 comparsas) por posse ilegal de armas (16, pelo menos), milhares de munições e explosivos. Esqueceram-se de avisar o senhor padre que Afonso Costa morreu em 1937 e que José Saramago só quer vender o seu último livro.
Leio por aí que um grupo de «militantes socialistas católicos» pede um referendo sobre o casamento homossexual. O referendo já foi realizado, a 27 de Setembro, mas não me custa admitir que essa hipótese seja discutida, desde que esses militantes socialistas (e outros que por aí vão aparecer) sejam parte interessada: para isso devem fazer prova de que são homossexuais e que não desejam casar. Se apenas se trata de uma manobra para limitar a liberdade dos outros, sem que isso afecta a sua liberdade – incluindo a de serem católicos – é preciso avisá-los que já não há fogueiras no Terreiro do Paço.
Narciso Miranda: «Ando com medo há muito tempo».
Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel anunciou, hoje, que o seu governo (que toma posse 4ª feira) irá reduzir os impostos das empresas e das famílias a partir de 1 de Janeiro de 2010, medida que, de acordo com a sua perspectiva, incentiva o crescimento económico e diminui o desemprego. É uma boa notícia para os alemães (tenho um preconceito: sempre que um governo baixa imposto penso que o Estado está a ser bem gerido, sempre que há aumento de impostos penso, naturalmente, que o Estado está a ser mal gerido).
Parece que o «senhor Nuno Cabral de Montalegre» comprou o Correio da Manhã, o qual, a partir de agora, só escreve sobre «folclore transmontano». É o que me ocorre ao ler uma notícia sobre Manuela Moura Guedes, a heroína da luta contra a «repressão» e a «asfixia» democrática – uma espécie de Santa da Ladeira da comunicação social para alguns «asfixiados». O Correio da Manhã quer «destruir a imagem» da nossa «libertadora»: Manuela Moura Guedes encontra-se de baixa médica, segunda palavras da própria, e estava às duas e meia da madrugada no BBC, como cabeça de cartaz no lançamento de um produto energético, a conselho da sua médica. E aí exerceu o seu direito à «asfixia democrática», tentando impedir um fotógrafo de a fotografar e ameaçando com tribunais e outras sanções o exercício de liberdade de imprensa. Estou-me borrifando para o que Manuela Moura Guedes faz ou deixa de fazer na sua vida privada, mas aos «heróis» exige-se decoro e comportamentos coerentes. Não me atirem areia para os olhos.
(publicado aqui)
No Público de hoje, no seu artigo de opinião habitual, José Pacheco Pereira volta a defender a dama pela qual se tem batido com denodo nos últimos tempos: a «asfixia democrática». E queixa-se amargamente das dificuldades em «explicar a falta de ar a quem está habituado a respirar tóxicos.» Pacheco Pereira não pode deixar de saber as razões porque ninguém lhe liga patavina. A primeira razão – e ele conhece-a muito bem –, é a confusão entre a árvore e a floresta: atribui a um partido (ao partido no governo, ao PS) os males e os vícios em que o Regime assenta. A segunda razão reside no facto de Pacheco Pereira – e ele sabe muito bem – ser um dos protagonistas (pelos cargos que desempenhou e pelo que fez) da emissão de «tóxicos» quando o seu partido, o PSD, esteve no governo, sobretudo com Cavaco Silva. A utilização dos males e vícios do regime contra um partido só pode enganar incautos. A prova disso é que o PSD, na campanha eleitoral para as legislativas, brandiu a «asfixia democrática» como um machado de guerra, mas não fez uma única proposta, não gastou uma única palavra a dizer como ia acabar com a dita. José Pacheco Pereira sabe que a «asfixia democrática» deriva de uma teia complexa de grandes e pequenos interesses entranhada até à medula na sociedade portuguesa, da base ao topo, e tecida, ao longo de muitas décadas, à medida da nossa cultura democrática. Acabar (diminuir) a «asfixia democrática» na sociedade portuguesa é um combate político e cívico de uma ou duas gerações. Ou muito mais, caso se persista – como o faz Pacheco Pereira – em a usar na luta partidária imediatista pelo poder e não na luta política e cívica, de médio prazo ou longo, pela melhoria da qualidade do ar que democracia portuguesa deve respirar.
(Publicado aqui)
A SICN acolheu uma longa conversa entre José Saramago e o Padre Carreira das Neves a propósito de Caim – o último romance do Nobel da Literatura. A conversa perdeu-se entre leituras e interpretações simbólicas e literais da Bíblia e outros assuntos adjacentes, como não podia deixar de ser. Nesta controvérsia artificial, a questão mais importante é que a Igreja se deixou enredar na campanha promocional do novo livro de José Saramago, área em que o autor tem revelado grandes capacidades. Saramago agradece.
(publicado aqui)
O primeiro-ministro indigitado apresentou hoje ao presidente da República o novo governo. As pistas são claras: primeira, continuidade governativa (mantendo metade dos anteriores ministros em funções), respeitando a vontade expressa dos eleitores; segunda, justificada preocupação com as áreas das Finanças e da Economia, mantendo na primeira Teixeira dos Santos e nomeando para a segunda um ministro – Vieira da Silva – que, no anterior governo, levou a bom porto uma das principais reformas, a da Segurança Social; terceira, nas caras novas, uma clara aposta em «especialistas», quer pelo currículo académico, quer pela experiência, cujos exemplos mais evidentes são Helena André no Ministério do Trabalho e Solidariedade Social ou Dulce Pássaro no Ministério do Ambiente. Pode dizer-se que não há um único Ministro com peso político específico, mas isso não é garantia de uma boa governação; com também se pode dizer que, por exemplo, na Cultura se fica aquém das expectativas, mas isso é um juízo apriori sem conhecer as capacidades da nomeada para o desempenho do cargo. Podemos ainda questionar a flexibilidade de Jorge Lacão para o difícil cargo de ministro dos Assuntos Parlamentares ou o voluntarismo de Santos Silva para a pasta da Defesa, mas tal como os melões, só depois de abertos se conhece a sua qualidade. A ver vamos.
Mesmo com atraso, não posso deixar de referir a atribuição do Prémio Saramago 2009 ao romance As Três Vidas (Quid Novi) de João Tordo. Um prémio que assenta que nem uma luva ao jovem escritor.
Aguiar-Branco é o único candidato à liderança do grupo parlamentar do PSD, reunindo o apoio de 76 dos 81 deputados social-democratas. O primeiro teste à sua liderança será na votação de quinta-feira: conseguirá obter os 76 votos favoráveis ou o voto secreto fará os primeiros estragos?
A propósito disto e disto, lembram-se dos cartoons sobre Maomé publicados num jornal norueguês? O «pessoal do costume» já se esqueceu de evocar a liberdade de expressão e de imprensa? Ou a Bíblia tem uma dignidade religiosa superior aos símbolos sagrados de outras religiões?
De uma crónica de Baptista Bastos, no Jornal de Negócios, de 16 de Outubro:
Anabela Fino, jornalista do Avante, podia ter escrito, hoje, sobre o estado de espírito dos camaradas na sede do partido em Beja ou na Marinha Grande; podia mesmo escrever sobre a alegria em Alpiarça. Mas não nos deu esse prazer. Escreveu um texto «teórico» (uma apurada análise «marxista», trabalhada com desvelo literário) sobre as pistolas do D. Pedro. É difícil perceber o objectivo do texto, mas pareceu-me que a senhora queria dizer o seguinte: «os capitalistas, para desviarem as atenções das derrotas eleitorais do PS e do PSD nas eleições legislativas e autárquicas, inventaram a história da recuperação das pistolas de D. Pedro, a qual «mobilizou as atenções nos últimos dias.» O «argumento» é pobre demais para ser verdade. Ver isto escrito, preto no branco, é ver o estado em que se encontra o PCP.
João de Deus Pinheiro, ministro nos três governos chefiados por Cavaco Silva, encabeçou a lista de deputados apresentada pelo PSD, em Braga. Hoje, meia hora depois de tomar posse, renunciou ao mandato, invocando motivos pessoais. O que terá levado João de Deus Pinheiro a aceitar o convite de Manuela Ferreira Leite para cabeça de lista do PSD por Braga? O que pensará João de Deus Pinheiro da democracia? O que é a «política da verdade?»
Chego através do Blogtailors a uma notícia no Correio do Minho, onde Inês Pedrosa, actual Directora da Casa Fernando Pessoa, revela o estado adiantado em que se encontra o projecto de transformação da Casa Fernando Pessoa numa Fundação Municipal. Não vislumbro como essa transformação permite a magia do aumento de receitas, mas adivinho já o aumento de despesas. O orçamento municipal vai ter sempre de suportar o plano de actividades, seja ou não uma Fundação. Se a Câmara abrir os cordões à bolsa pelo facto da Casa Fernando Pessoa se transformar numa Fundação, que venha a Fundação.