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|||Diálogos absurdos.

por Tomás Vasques, em 02.08.09

- Esta lá? Boa tarde. É a Joana Amaral Dias?

- Sim. Quem me deseja falar?

- É o Paulo Campos. Não sei se se recorda de mim.

- Quem?

- O Paulo Campos. Cruzámo-nos uma vez na sede de candidatura do Dr. Mário Soares.

- Dr. Mário Soares?

- Não. É Paulo Campos.

- Eu já percebi que é um Paulo qualquer-coisa ou julga que eu sou surda? É só para saber em que candidatura é que nos cruzámos? Você é do PS ou do Bloco?

- Sou do PS. Sou secretário de Estado do Engenheiro Sócrates.

- Engenheiro Sócrates?

- Não. É Paulo Campos.

- Eu já percebi que é um Paulo qualquer-coisa ou julga que eu sou surda? É só para saber da parte de quem me está a telefonar.

- Não é da parte do Engenheiro Sócrates.

- Não é? Então, você é do Bloco? É por causa das listas?

- Não é da parte do Bloco, mas é por causa das listas.

- Senhor Paulo: estou a ficar muito confusa, mas diga lá porque me telefonou.

- É por causa da lista de deputados. A Joana aceita um lugar na lista?

- No Bloco?

- Não. No PS.

- No PS?

- Sim. No PS.

- Mas eu gostava era de ir na lista do Bloco.

- Essa, nós não fazemos.

- Não? Então, deixe-me pensar. Ligue-me amanhã.

 

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publicado às 22:54

|||BE, o trotskismo de corpo inteiro.

por Tomás Vasques, em 02.08.09

 

Francisco Louçã é o BE. No processo de construção e consolidação do «partido» do «socialismo do Século XXI», o grupo trotskista de Louçã – o PSR – meteu no bolso os maoistas de Fazenda e os ex-comunistas de Portas. O que é natural, já que os outros atravessavam uma «crise de identidade» ideológica e política, enquanto Louçã se mantinha fiel, como sempre, ao seu «mestre» e à Internacional trotskista. Fazenda e o seu grupo, sem Mao Tsé Tung e Henver Hodja, perderam o rumo «revolucionário»; Miguel Portas, sem a disciplina férrea do PCP, entrou em «transição». O que aqui releva é o gato escondido com Louçã de fora. Muitos dos eleitores do BE, armados do «romantismo de esquerda» não param para pensar no que é essencial: que tipo de sociedade é que o BE deseja construir. Louçã, ao longo destes últimos 40 anos, e sobretudo nos últimos 10 anos, em declarações e entrevistas, já disse tudo o que tinha a dizer: nacionalizar os sectores estratégicos da economia, a começar pelo sistema financeiro e, assim, fazer depender do Estado toda a Economia; acabar com os ricos e com o lucro das empresas privadas; «aprofundar» a democracia participativa, o que interpretado à moda de Moscovo, dos anos 20, de Havana, nos anos 60, ou em Caracas nos dias que correm, significa os «comités de bairros» a perseguirem todos os que se opõem ao «regime», enquanto as instituições democraticamente eleitas, como o Parlamento, vão definhando no processo. O «socialismo do século XXI» é uma mera adaptação à «realidade concreta» de um processo de soviétização da sociedade portuguesa. Não há meio-termo, por muito que almas bem intencionadas se esforcem. O argumento de que o BE é uma facção do «socialismo de esquerda» e é parte da «esquerda democrática» é areia nos olhos. Mas, o pior, é que, quem hoje contribui para o crescimento eleitoral do BE, amanhã – se os amanhãs pudessem cantar – seriam os primeiros a amaldiçoar a sua sorte, como aconteceu em Havana e hoje está a acontecer em Caracas.  

 

 

Publicado no SIMplex.

 

 

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publicado às 22:06

|||Hotéis com fantasmas.

por Tomás Vasques, em 02.08.09

 

«…me instalé por primera vez en el hotel La Louisiane, de la rue de Seine, llevado por la mitología que daba por buena la austeridad de ese establecimiento con tal de ocupar la misma habitación en la que habían vivido Juan Paul Sastre y Simone de Beauvoir durante años y también Albert Camus, Juliette Gréco y todos los jazzistas norteamericanos del momento. (…) Puede que uno de mis momentos de gloria en este mundo haya sido coincidir en el hotel La Louisiane en el ascensor con Miles Davis y en aquel angosto cajón haber respirado el sudor que emanaba su cuerpo.»

 

MANUEL VICENT, El País, 02/08/2009

(foto: Hotel La Louisiane, Daniel Mordzinsky)

 

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publicado às 18:15

|||Venezuela. Democracia.

por Tomás Vasques, em 02.08.09

A comunidade internacional, nomeadamente a Organização dos Estados Americanos e a própria Administração Obama, reagiu prontamente ao contra-golpe dos militares em Tegucigalpa, apesar de este ter a cobertura de todas as instituições democráticas hondurenhas: do Congresso de Deputados ao tribunal constitucional. Agora, perante mais um golpe de Chávez na frágil e maltratada democracia Venezuelana, ao encerrar 32 rádios e 2 televisões criticas do regime, a comunidade internacional mantém um silêncio cúmplice, como se os golpes na democracia vinda da «esquerda» fossem benignos. Esta cultura política produziu o Gulag, o terror polpotiano, a monarquia absoluta norte-coreana, as prisões cubanas e espalhou miséria por todo o lado.

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publicado às 12:57



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