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|||Discurso improvisado sobre o bem e o mal.

por Tomás Vasques, em 08.07.09

Nestas histórias quotidianas entre «polícias e ladrões» podemos considerar que há três abordagens possíveis. A primeira, diz-nos que a polícia representa o bem e os ladrões o mal. Em regra, é o conceito do cidadão comum, educado no princípio de que ao Estado está conferida a função da segurança de pessoas e bens, desde o taxista (os taxistas não são gente enjeitada) até à minha prima Hermenegilda, uma mulher de extrema-esquerda que, apesar disso, costuma dizer: quando é preciso a polícia nunca aparece (ou porque um cão dejectou no passeio, onde ela meteu o salto alto, ou algum distraído estacionou o carro a bloquear o dela). A segunda, diz-nos que os polícias são os maus e os ladrões sãos os bons. Este conceito está muito divulgado entre o pessoal do carjacking, gang do Multibanco, assaltantes de ourives e, de um modo geral, entre pessoal menos violento, aqueles que apenas mataram o pai ou mãe. Finalmente, a terceira, diz-nos que, entre polícias e ladrões, não há bons, nem maus. Tem dias e é pendular: nuns dias, os polícias são maus; noutros dias a maldade pende para os ladrões e vice-versa. Todos nascemos iguais, só que uns foram «obrigados» a ir para a polícia e outros «obrigados» a ir para ladrões. E já que ambos os «segmentos profissionais» andam armados, o melhor é conferir-lhes igualdade de circunstâncias durante um tiroteio. Quem estiver melhor treinado ou em melhor posição que vença mas, ainda segundo os defensores desta tese, de preferência que vença o assaltante, enquanto «vitima» de uma sociedade injusta. E ainda tem outra atenuante: a mulher do polícia morto tem direito à pensão de viuvez, enquanto a mulher do assaltante fica com as mãos a abanar. Esta terceira tese, propalada entre os que vêm no Estado a fonte de toda a violência (não esquecer O papel da violência na História, Friederich Engels), quer por criar a pobreza, quer por a reprimir, esquece-se de um pormenor (e estamos a falar de pessoas): os assaltantes, no exercício da sua actividade, não têm por função andar à procura de polícias, mas tão só de vítimas inocentes, um esticão aqui, um tirito na cabeça ali. Mas, os polícias, coitados, têm por função, mesmo mal pagos, andar à procura de assaltantes, o que os diminui. Esta situação provoca um grande desequilíbrio nesta terceira tese – a da igualdade de circunstâncias entre o «bem e o mal». Daí que eu deseje sorte aos polícias nesta sua difícil missão.

(É dispensável acrescentar que os tribunais devem castigar qualquer polícia que cometa um crime, seja no desempenho das suas funções ou fora dele).

 

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publicado às 18:07

António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, dirigente do BE:

Quando recebeu o convite do ex-ministro da Economia Manuel Pinho para participar no jantar de despedida, não hesitou em aceitar? Apesar de pertencer à Comissão Política do Bloco de Esquerda e disso poder ser de difícil gestão para o partido?

Quis saber em que qualidade era convidado. Como o convite era feito em termos pessoais não hesitei em aceitar. Não tenho inimigos na política, tenho adversários.

Francisco Louçã demarcou-se das suas declarações, segundo as quais Pinho fez muito pela indústria automóvel e reputou o jantar de carácter pessoal. Já foi abordado pela direcção do BE?

Comigo ninguém falou e quando falarem estou à vontade para responder. Estou num partido em que os militantes têm a máxima liberdade e foi nesse sentido que eu agi. Estive ali de boa-fé.

Hoje percebe o real impacto da sua presença no jantar?

Percebo que, infelizmente, as pessoas em Portugal confundem muito as coisas. Utilizam muito o lema, segundo o qual, o que parece é. Mas comigo nem sempre o que parece é. E na maioria das vezes, não é mesmo. Posso dizer que nem medi as consequências políticas de ter participado no jantar. Quem quiser que retire as consequências políticas.

Tem pena da saída de Pinho?

Face à acção não havia outra saída e eu próprio lhe disse. Mas, para a Autoeuropa, se isto tivesse acontecido mais longe das eleições podia ser complicado, já que estamos à beira de ultrapassar os nossos problemas em torno do lay-off para concorrer a outro produto, sem o qual não temos futuro. Precisamos de um ministro igual a este.

 

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publicado às 16:38

|||Honduras, outra vez.

por Tomás Vasques, em 08.07.09

 

Oscar Arias, presidente da Costa Rica (foi presidente entre 1986-90 e foi eleito de novo em 2006), foi uma boa escolha para tentar a «mediação» entre Manuel Zelaya, o presidente eleito das Honduras e Roberto Micheletti, presidente do Congresso, que o substituiu no cargo há duas semanas, por determinação do poder legislativo e judicial das Honduras. Debelado o perigo de Zelaya se plebiscitar, à margem da lei, para se perpetuar no poder, deveria cumprir o seu mandato até às próximas eleições presidenciais, marcadas para Novembro próximo. A origem da acção das Forças Armadas, em 28 de Junho, foi baseada numa ordem judicial emitida por um Juiz competente, mas a sua execução ultrapassou a legalidade democrática e constitucional. As Forças Armadas só tinham que impedir, a pedido do poder Judicial e Legislativo, o golpe de Estado que Zelaya preparava. Oscar Arias é um dos artífices da Paz na América Central, na década de 80, quando toda a região era um barril de pólvora e um amontoado de mortos. Ele foi a peça mais importante na reunião, em 7 de Agosto de 1987, no Hotel Camino Real, na Cidade de Guatemala, onde se reuniu com Vinicio Cerezo, Napoleón Duarte, Daniel Ortega e José Azcona, presidentes da Guatemala, El Salvador, Nicarágua e Honduras, respectivamente. Aí começou, de certo modo, a paz proibida no labirinto centro-americano. Árias receberia o prémio Nobel da Paz nesse ano. Pode acontecer que, passadas 3 décadas, ainda dê mais um contributo à Paz e à Democracia na América Central.

 

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publicado às 15:43

||| Declaração de Vilnius.

por Tomás Vasques, em 07.07.09

 

 

Muito por culpa da nossa cultura política estruturalmente paroquiana, a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) que engloba 56 Estados num arco geográfico que vai de Vancouver a Vladivostok e as suas actividades são pouco conhecidas e comentadas entre nós. E nem o facto de o deputado português João Soares ser o presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE (com 320 membros indicados por 55 parlamentos nacionais) resolve esta indiferença portuguesa que, no caso mas não por acaso, não beneficia do “efeito patriótico à Barroso”. (…) Em Vilnius, a Assembleia Parlamentar da OSCE aprovou um importante documento que passa à história como “Declaração de Vilnius”. Nele se abordam importantes posições, declarações e apelos sobre as grandes questões que as pessoas, as sociedades e as nações hoje enfrentam. (…) Segundo nos conta José Milhazes, num dos Estados membros não gostaram muito desta Declaração. Esperemos, agora, para ver como reagem os órfãos lusitanos de Estaline. Se eles mostrarem a cabeça em período eleitoral, é claro.

 

João Tunes.

 

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publicado às 23:42

|||Antinomias.

por Tomás Vasques, em 07.07.09

 

 

Esta é uma verdadeira manifestação de mesquinhez, sectarismo e ingratidão. Aprendam, enquanto é tempo, o significado profundo do desprezo pela tolerância e pelo diálogo.

 

Eduardo Graça.

 

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publicado às 23:11

|||Polícias e Ladrões [2].

por Tomás Vasques, em 07.07.09

 

 

Fernanda: penso que leu apressadamente o meu post. O meu curto texto nada tem a ver com quem dispara primeiro – polícias ou ladrões –, e muito menos com a apologia da violência policial injustificada. Tem a ver, isso sim, com a síndroma de uma certa «esquerda» que assenta em dois pressupostos: primeiro, as forças de segurança, nomeadamente PSP e GNR, em última análise, são um braço armado do Estado repressor que protege os «ricos» e reprime e mata os «pobres»; segundo, os «pobres» são sempre potenciais criminosos porque são marginalizados pelo Estado. E daqui, a desculpabilidade das suas acções. Nem um, nem outro dos pressupostos são verdadeiros. Mas, quando à luz destes pressupostos, numa situação como a que ocorreu no Domingo passado, num bairro da Amadora, a polícia dispara primeiro, cai o Carmo e a Trindade. Quando acontece o contrário, o «pessoal do costume» não tem uma palavra de solidariedade para com os polícias atingidos. E porquê? Porque não há que ter uma palavra com o «braço armado do Estado repressor». O meu texto só tinha este sentido.

A Fernanda pergunta-me: se o tomás ou alguém das suas relações um dia destes levar um tiro estúpido e injustificado da polícia vai achar bem e aplaudir? Penso que a pergunta só faz sentido se a Fernanda acha que eu ou alguém das minhas relações andamos no gamanço. Fora a ironia primária, isso é possível, mas é mais, muito mais provável eu levar um tiro estúpido e injustificado de alguém que me queira assaltar do que de um polícia. E, aqui, reside o busílis: nesta circunstância desejo que, antes do assaltante disparar, esteja um polícia por perto que, não tendo outro meio de o evitar, dispare primeiro sobre o assaltante do que este sobre mim.  Percebe Fernanda?

 

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publicado às 16:56

||| Hipocrisias.

por Tomás Vasques, em 07.07.09

Escrevi aqui, no dia em que o assunto foi levantado no Parlamento, sobre a Fundação para as Comunicações Móveis. Mas não faz sentido confundir Fundações com offshores. E, muito menos, exigir que uma Fundação instituída pela Sonaecom, Vodafone Portugal e TMN devia ser uma Direcção Geral. Brada aos céus!

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publicado às 15:27

|||Entrevista.

por Tomás Vasques, em 07.07.09

Vai votar em António Costa?


Sim. Prefiro o António Costa ao Santana Lopes, embora o Santana Lopes me divirta muito mais. Mas ele só me diverte quando está fora do poder, no poder é um irresponsável.

 

Maria Filomena Mónica, entrevista ao i.

 

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publicado às 09:48

|||Coisas da bola.

por Tomás Vasques, em 07.07.09

Parece que é intelectualmente chic dizer: já não posso com esta história do Cristiano Ronaldo. Eu, pela minha parte, não vi nada. Nem liguei a televisão. Li, porque quis ler, que 80 mil madrilenos foram ao Santiago Bernabéu ver o homem durante uns minutos. Alguns estiveram 10 horas à espera para entrar. Se foram lá todos porque quiseram ir, o que é que eu tenho a ver com isso?

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publicado às 01:01

|||LER. Vasco Pulido Valente.

por Tomás Vasques, em 06.07.09

 

Mais do que o nome de cronista ou de historiador, Vasco Pulido Valente, tantas vezes lúcido e premonitório, como contraditório e incoerente, mas sempre com uma acidez que lhe vem de dentro das desilusões que já viveu, é uma instituição do regime. Um regime que não tenha entre os seus críticos homens cultos e verrinosos é um regime que não respira, asfixiado, porque nenhum regime se alimenta da mediocridade dos seus yes man. Cada regime precisa, pois, para respirar, dos seus «vencidos da vida», jantem eles no Hotel Bragança ou no Gambrinus. A entrevista de Vasco Pulido Valente à Ler de Julho é uma Lição de um Mestre.

 

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publicado às 17:03

|||As obras públicas levantam muito pó.

por Tomás Vasques, em 06.07.09

Manuela Ferreira Leite prometeu «rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social». E, por diversas vezes, se declarou adversária implacável das grandes obras públicas. Mas, para sabermos onde está a «verdade», devemos dar atenção a outros sinais. Por exemplo, quando a líder do PSD bate palmas ao novo túnel, anunciado por Santana Lopes, no centro de Lisboa, o que é que nos está a querer dizer? E quando António Borges, «um dos homens mais relevantes da equipa de Ferreira Leite», hoje no i, a propósito das grandes obras públicas, diz: «Quando chegarmos ao Governo, não vamos riscar tudo, como é óbvio», que quer exactamente dizer? Esta é mais uma guerra de alecrim e manjerona: o PSD não está contras a realização de obras públicas; está contra a execução dessas obras pelo governo do PS.

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publicado às 12:46

|||Polícias e ladrões.

por Tomás Vasques, em 06.07.09

Ontem à tarde, num bairro na Amadora, dois encapuçados, prontos para executar um assalto, dispararam 9 tiros de caçadeira, quase à queima-roupa, sobre dois polícias, ou melhor, sobre dois jovens de 25 anos, que têm a difícil profissão de zelar pela nossa segurança a troco de um salário escasso. Se, por sorte, os policias se tivessem antecipado e, em legítima defesa, disparado sobre os assaltantes, o «pessoal do costume» estaria, em coro, a brandir despautérios contra «a violência policial sobre gente pobre, de um bairro pobre». Assim, como são os jovens polícias que estão no hospital, não dá jeito falar no assunto.

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publicado às 10:13

|||Lisboa.

por Tomás Vasques, em 05.07.09

E, entretanto, não obstante termos um bom presidente, ainda por cima de ascendência goesa, facto que não é despiciendo, corremos o risco de ver na Câmara de Lisboa um basbaque que já lá esteve e tratou o município como o seu reino de brincar ao faz de conta. O Pedro Santana Lopes, com as devidas distâncias, que são muitas, é o nosso Sílvio Berlusconi. Apesar da mediocridade já demonstrada, há sempre quem lhes admire a beleza alvar dos traços, a virilidade própria dos fodilhões serôdios, a oratória brilhante, a demagogia dos discursos, a megalomania dos projectos, o amor aos pobrezinhos e às velhinhas, a saudade pelos tempos de antanho onde tudo era decente e genuíno. Não havia cá pretos, castanhos e chineses e os teatros de revista estavam cheios de coristas anafadinhas e obedientes. Outros tempos. Comia-se um bom bife na Portugália e podia passear-se na Baixa sem preocupações. A verdade é que o nosso menino guerreiro segue, com sucesso, as pegadas do il cavalieri, imitando-lhe o charme e o populismo. São tantas as qualidades e os atributos, que os eleitores, cansados de políticos cinzentos e sisudos, votam neles. A democracia tem destas coisas. Há um certo apreço pelo que é grotesco e imundo. A falta de vergonha compensa quase sempre.

 

Ana Cássia Rebelo

 

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publicado às 16:36

|||Vou ali, já volto.

por Tomás Vasques, em 05.07.09

Ana Gomes disse à TSF que considera «razoável» a decisão do PS em proibir candidaturas a vários cargos. Razoável é pouco, obviamente, porquanto se trata de uma boa decisão, apenas tardia. Mas, apesar disso, Ana Gomes tem razão quando aponta o exemplo de Paulo Rangel que, mal foi eleito deputado europeu, se disponibilizou para integrar o próximo governo, caso o PSD vença as eleições legislativas. Esta «promiscuidade» das duplas candidaturas e a sua consequência: não cumprir um dos mandatos para qual se foi eleito, não é apreciada pelo «Zé-povinho», o qual, em regra, se desilude, e lhes faz um manguito. Já que andam a regular a quantidade de sal que o pão deve ter, que tal legislar sobre esta questão. É simples: quem não cumprir um mandato, ao qual se candidatou e foi eleito, salvo motivos de saúde ou outros tipificados, deve ficar inibido de se candidatar a qualquer cargo por uma boa dezena de anos. Isto de jogar em vários tabuleiros, desacredita os protagonistas, o que é o menos, mas desacredita, também, o que é grave, a frágil democracia em que vivemos.

(Nota de rodapé: Ilda Figueiredo, cabeça de lista do PCP ao parlamento europeu, é candidata à Câmara Municipal de Gaia?)

 

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publicado às 15:59

|||Prima-donas.

por Tomás Vasques, em 05.07.09

Miguel Sousa Tavares disse ao DN: «Estou a pensar ir-me embora para o Brasil». Só lhe posso desejar boa viagem. Mas o Alto-Volta, mesmo tendo mudado de nome, também não me parece má ideia.

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publicado às 15:29




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