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Se Pacheco Pereira viesse dizer que o PS o tinha convidado para a lista de deputados, ninguém acreditava. Como foi Joana Amaral Dias a dizer há quem acredite. E porquê? Porque só é susceptível de ser convidado quem transmite a outros a percepção de estar disponível para aceitar. É essa disponibilidade que lança a dúvida sobre o suposto convite. Como complemento, não se deve descartar a «manobra de pressão» sobre Louçã para integrar as listas do BE.
Joana Amaral Dias poderia ter sido convidada pelo PS, recusar o convite e encerrar o assunto em privado e em silêncio. Entendeu, por razões que não interessa para o caso, comunicar o sucedido a Francisco Louçã. Este, por sua vez, poderia ter ficado a saber do sucedido e nada dizer em público. Entendeu, todavia, criar um caso político. E é aqui que o caso se torna interessante: por que motivo Louçã decidiu amplificar e dar um impacto político ao convite?
Dissuasão, pura e dura. Louçã entendeu responder de forma desproporcional, de modo a incutir um custo, ou a expectativa de um custo, de tal forma elevado que obrigue o PS a pensar duas vezes antes de voltar a abordar alguém do BE.
Ironicamente, a reacção de Louçã revela também fraqueza. Algo surpreendentemente ficámos a saber que o líder do BE receia as investidas do PS nas suas águas. Louçã receia eventuais deserções nas fileiras. Quem diria?
Paulo Gorjão (Delito de opinião)
Se José Sócrates, secretário-geral do PS, tivesse convidado Joana Amaral Dias para a lista de candidatos a deputados do PS, nas próximas eleições legislativas, estava no exercício dos seus direitos e tinha toda a legitimidade para o fazer, apesar do mau gosto político de tal convite Se o secretário-geral do PS tivesse abordado a bloquista e lhe tivesse dito: «minha cara, se o PS ganhar as eleições conto consigo para dirigir o Instituto da Droga e da Toxidependência, estava no pleno uso dos seus direitos e tinha toda a legitimidade, apesar dos danos que iria causar ao dito instituto. Perguntar não ofende, diria o outro. E só um trotskista furibundo pode encontrar nisto «tráfico de influências». Parece, afinal, que a coisa pia mais fino: Joana Amaral Dias, rejeitada no último congresso do BE, está empenhada em recuperar a confiança que Louçã lhe retirou. E em manter-se, também, à tona de água. Para além de Louçã, o que é normal, toda a direita seguiu atrás das declarações da senhora. Eles – a direita - andam atrás de tudo o que mexe, enquanto não aparece um programa de governo do PSD.
Gosto de livros. De todos os livros, os que leio e os que não leio. Os livros guardam o património e a memória do que somos. E são amigos silenciosos e fiéis. Há quatro décadas que, compulsivamente, compro livros. Ainda me recordo que, há 40 anos, a primeira coisa que fiz quando recebi o meu primeiro salário foi comprar um livro, o meu primeiro livro comprado (antes eram as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian que suportavam a minha leitura). Numa livraria em Almada. Já não sei precisar se foi As vinhas da Ira ou A um deus desconhecido, mas não é relevante. Foi John Steinbeck. Não sei se me vou adaptar ao e-book. Gosto de os folhear, sublinhar, dobrar o canto superior direito da página. Arrumá-los na estante. Há quem não perceba o que é gostar de livros. A esses aconselho a frequentarem livrarias, como quem frequenta restaurantes. E nunca saírem de uma livraria sem comprar um livro. E, assim, aprenderem a ler como Kate Winslet, em The Reader. Vão ver como serão muito mais felizes.
Leio nos jornais que Cavaco Silva, em visita oficial à Áustria, anda a promover o turismo nacional. Com esta finalidade, disse num discurso: «Portugal, para os austríacos, incluindo os vienenses, é frequentemente associado a imagens de sol e de praia. Mas somos, também, um património que reflecte uma história riquíssima, a beleza paisagística multifacetada do nosso interior continental e das nossas ilhas atlânticas e uma sociedade aberta à modernidade. Espero que cada vez mais vienenses se sintam estimulados a melhor conhecer este Portugal». É natural, faz parte das suas funções, quer do presidente da República, quer do primeiro-ministro, quer de qualquer ministro, sobretudo o da Economia, quando se deslocam ao estrangeiro procurem fomentar as relações comerciais com Portugal ou promover os nossos produtos. Mas as línguas viperinas da nossa praça, afiadas pela cegueira partidária, disseram cobras e lagartos quando o primeiro-ministro promoveu no estrangeiro o famoso computador Magalhães. Se algumas dessas almas penadas conseguisse utilizar as duas partes da cabeça ao mesmo tempo, hoje diriam que Cavaco Silva anda na Áustria a vender hotelaria. Mas não têm essa coragem política. Estão em silêncio a morder a língua.
Em resposta ao SIMplex, apareceu hoje oficialmente (e finalmente) o Jamais – o blogue onde se reúne um conjunto de pessoas que gostariam de ver o PSD ganhar as próximas eleições legislativas. A coisa promete…
Desde sempre, desde tempos imemoriais, mas para não ir mais longe, desde Roma – a do Império – que há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres. E nem a experiência soviética e seus derivados alterou esta realidade. O juiz desembargador Rui Rangel - coitado - só descobriu isso agora. E o mais caricato é que atribui ao actual governo a principal responsabilidade por esta situação. Arcar com a responsabilidade de, pelos menos, dois mil anos, é obra! É mau, muito mau mesmo, sobretudo para os pobres, saber que a «Justiça» está nas mãos desta casta cujos interesses corporativos se sobrepõe à Justiça. Rui Rangel explicou o que o motiva: este governo é o «principal responsável», apenas e só porque, segundo as suas palavras, disse: «Estes senhores têm férias a mais, não trabalham, pelo que o problema dos atrasos nos tribunais tem a ver com as férias a mais». Se este governo não tivesse mexido nos seus privilégios, certamente, para o juiz Rangel, este governo teria sido um «bom governo» Há uma justiça para ricos e uma justiça para pobres. É inquestionável. Mas o juiz Rangel e os seus pares são tão responsáveis, ou mais, do que todos os que nos governam desde Afonso Henriques.
Ouvi esta noite MFL dizer que uma medida proposta pelo PS seria vergonhosa… ou que o PS devia ter vergonha de qualquer coisa que não fixei. Em seu lugar não propôs nada. É uma linguagem política muito pobre. Estou convencido que se o PS desse o mínimo sinal de ponderação e de novidade ganharia as eleições legislativas. Há muita gente que agradeceria. Pelo País.
José Medeiros Ferreira (Bicho-carpinteiro)
Este verão, o Benfica já gastou mais dinheiro, com a renovação da equipa, do que o Sporting deve gastar nas próximas dez épocas. 27 Milhões de euros. É um grande investimento para o retorno previsto: disputar o segundo lugar ao Sporting.
«A vida tem destas coisas, juntar pessoas que não se conhecem, homens e mulheres, jovens e menos jovens, gente consagrada e por consagrar, gente divertida e sisuda, oriunda das mais diversas áreas profissionais e políticas, sem outra afinidade que não uma declaração de voto comum:(...)"
Simplex:
A partir de hoje também estou AQUI.
Não é demais insistir na desorientação política que o PSD atravessa (que teve o seu início com a fuga para Bruxelas de Durão Barroso, se agudizou com Filipe Meneses e se prolongou com Manuela Ferreira Leite) e que lhe confere um elevado grau de perigosidade para os portugueses, enquanto partido que, em quaisquer circunstâncias, é alternativa de governo. O dia a dia do PSD está cheio de contradições que denunciam essa perigosidade, caso tivesse que constituir governo. Eles estão deveras baralhados, e mais baralhados ficaram desde que ficaram de esperanças, depois dos resultados das europeias. Veja-se este exemplo recente: Pacheco Pereira, apoiante incondicional da direcção do partido, diz da sua líder o que Maomé não era capaz de dizer do toucinho: "Manuela Ferreira Leite tem direito a uma interpretação especial (...) Enreda-se, tropeça, troca." Por sua vez, Passos Coelho, adversário interno de Manuela Ferreira Leite, que Pacheco Pereira não quer que faça parte da lista de deputados por causa das suas opiniões, acredita e deseja a maioria absoluta do PSD nas próximas legislativas, e faz, em entevista ao DN, «um apelo à responsabilidade do eleitorado, para que saiba o que pode esperar de um governo frágil ou de um governo mais forte. Não há razão hoje para que o PSD tenha menos condições do que teve o PS.” Parece mais que estão à volta de uma mesa de poker, cada um fazendo bluff à sua maneira, do que a preparar uma séria alternativa de governo.
Paris Hilton muito low--cost: "Face a uma crise destas, é importante que as pessoas não gastem mal o seu dinheiro em coisas de que não têm realmente necessidade..." Quem diria que a miúda era capaz de aprender tão depressa? A crise pode, afinal, ser uma boa escola...
José Mateus, CM, 18.07.09
O PSD não sabe o que fazer se tiver que formar governo, para além de «assumir o poder» e distribuir o «aparelho de Estado» pelos seus aficionados. Abstiveram-se de pensar, enquanto alternativa de governo, nos últimos anos. Foram irresponsavelmente do contra sem apresentar alternativas. Não às obras públicas, não à avaliação dos professores, não… não… Agora, a dois meses das eleições, estão baralhados, sem réstia de decoro: um dia dizem uma coisa; no outro, o seu contrário. Esta desorientação é tão notória que até o «ideólogo mor» do situacionismo laranja, Pacheco Pereira, necessita de pedir clemência, argumentando que «Manuela Ferreira Leite tem direito a uma interpretação especial». Portugal está encalacrado, mas se esta desorientação política chega ao poder, nem que mandem cá em baixo outra nossa senhora de Fátima nos salva do desastre.
Rui Bebiano, historiador, escreveu no seu blogue (A Terceira Noite) Outubro, um conjunto de textos a propósito do 90º da revolução bolchevique em de 1917, o qual foi agora editado em livro pela editora Angelus Novus.
«Não me interessa o que o meu partido pensa. Eu penso pela minha cabeça. Eu sou pelo TGV» - Disse hoje, em Beja, Alberto João Jardim, temendo que a historieta da «proibição do comunismo», por via constitucional, não tivesse sido bem compreendida no interior do PSD.