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||| BOBBIO DÁ VOLTAS NO TÚMULO:

por Tomás Vasques, em 26.06.09

O programa da esquerda italiana consiste em enfiar o nariz nas cuecas de prostitutas e em recolher restos de branquinha.

 

Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado.

 

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publicado às 08:34

||| Citações.

por Tomás Vasques, em 26.06.09

 

Vai uma grande agitação pela Europa a propósito do comportamento de Berlusconi, o cavalheiro que está de primeiro-ministro em Itália. As acusações são de natureza, digamos, moral – e implicam prostitutas e sexo a rodos, à italiana.

Mete dó ver o ‘El País’, histérico como uma viúva de Lorca, a criticar o comportamento libidinoso de Berlusconi; ou a esquerda italiana, muito moralista, a associar-se ao Vaticano para condená-lo aos fogos do inferno. Berlusconi está crucificado por estes merdosos e acabará por ceder.

Não se perde muito, mas é bom saber que, a partir de agora, também no Sul da Europa o ataque à democracia pode ser feito através da cama e de um cerrado escrutínio à vida sexual dos eleitos. Andámos décadas a lutar contra isto e o golpe vem de onde menos se espera.

 

Francisco José Viegas, CM, 26.06.09.

 
 

 

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publicado às 08:21

||| TVI: o essencial e o acessório.

por Tomás Vasques, em 25.06.09

Começo pelo acessório. É relativamente irrelevante se José Sócrates ou Mário Lino deram ou não o aval à compra pela PT de 30% do capital da Media Capital, detentora da TVI. Custa a acreditar que não o tivessem feito, como é óbvio, mas no fundo isso não passa de espuma.

O que me parece essencial é que 30% do capital da Media Capital volte para mãos nacionais, de onde, aliás, nunca deveria ter saído. A comunicação social é um dos centros de decisão nacionais cuja importância estratégica urge manter em mãos nacionais. Se a Prisa está com problemas de liquidez e se existe aqui uma janela de oportunidade, pela parte que me toca, não penso duas vezes: a PT tem todo o meu apoio, como cidadão e como português, nesta operação que permite colocar parte importante do capital da TVI, uma vez mais, em mãos nacionais.

Igualmente importante, a Telefónica prepara-se para entrar no capital da Prisa. A PT trava há anos uma guerra surda no Brasil com a Telefónica tendo como objecto o controlo da Vivo. É fácil de perceber que a entrada da Telefónica no capital da Prisa tem repercussões na relação de forças entre a PT e a Telefónica, razão adicional que, de um ponto de vista estratégico e de âmbito macro, me leva a ver com bons olhos a aquisição pela PT de 30% do capital da Media Capital.

Duas notas finais. Peço desculpa, mas José Eduardo Moniz não é nenhum modelo de virtudes na defesa da liberdade de expressão. Ainda não me esqueci da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI e do papel de Moniz nessa triste história. Não dou para o peditório do mártir Moniz, ponto.

Não acredito igualmente que José Sócrates estivesse a preparar a saída de Moniz. O primeiro-ministro pode ter muitos defeitos, mas não é burro. Se estivesse a planear um golpe contra Moniz não tinha feito as declarações recentes que fez em público.

 

 
 

Paulo Gorjão, Vox Pop

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publicado às 22:50

|||A «Nova Esquerda» e o cozido à portuguesa.

por Tomás Vasques, em 25.06.09

 

No início dos anos 80 do século passado (gosto de escrever «século passado» - dá uma outra dimensão ao meu «tempo») uns deserdados políticos, meio românticos, meio pragmáticos, oriundos sobretudo da extrema-esquerda (e do MES), com a qual tinha feita uma ruptura «epistemológica», associaram-se nuns debates sob a designação «Nova Esquerda». O objectivo primeiro, quase inconfessável, era constituir um partido político. José Pacheco Pereira ficou incumbido de redigir as «bases programáticas» do «movimento». Uma noite, acompanhei Ferro Rodrigues e Agostinho Roseta a casa de José Pacheco Pereira, em Campo de Ourique, para discutir as «teses» fundadoras, ainda incompletas. O texto introdutório, uma espécie de percurso histórico-cultural de uma geração, estava bem «esgalhado». Esta «Nova esquerda» acabou numa tumultuosa sessão pública numa sala do hotel Roma (onde o PCP mandou um batalhão de gente  informar que o «partido da classe operária» já existia) e cada um foi à sua vida. Uns filiaram-se no PS, outros no PSD. Alguns ficaram encostados à esperança que a «Nova Esquerda» surgisse numa manhã de nevoeiro. E surgiu pela mão de Louçã, apesar de não ser nova, nem ser esquerda.   Trinta anos depois, uns «castiços», provavelmente alguns que estiveram na sessão do hotel Roma, decidiram constituir como partido o «Movimento Nova Esquerda», uma coisa ideologicamente híbrida e malparida, sem uma única ideia nova, que resultou dos estilhaços da candidatura presidencial de Manuel Alegre. Os «castiços» estão tão aluados que definiram com objectivo do «movimento», chegar ao poder, ser poder. É caso para citar o poeta: Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?  Eu sei que eles vão acabar numa qualquer sessão numa qualquer sala de um hotel Roma. Mas eles ainda não sabem. Não me admiro nada que a minha prima Hermenegilda, sempre atarantada em momentos eleitorais, sem saber em quem votar, se no PCP, se no BE, se no MRPP, se no POUS, já tenha aderido ao «movimento». Tenho de a convidar para um cozido à portuguesa para saber novidades.

 

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publicado às 17:54

||| Porta-vozes.

por Tomás Vasques, em 25.06.09

No rescaldo das eleições europeias, o PS decidiu mudar de porta-voz. E o PSD, também. Cavaco Silva, assumindo claramente a posição de porta-voz do PSD, veio hoje fazer declarações sobre os negócios da PT sobre a TVI, repetindo o que Manuela Ferreira Leite disse ontem em entrevista à SIC. Não está em causa o acerto ou desacerto do negócio, assunto que deve ser discutido e esclarecido pelos partidos políticos. Está em causa o desacerto do presidente da República ao envolver-se de corpo e alma, sem subtilezas, nas eleições legislativas. E se o tiro lhe sair pela culatra, renuncia ao cargo?

 

 

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publicado às 17:10

|||Não há crise?

por Tomás Vasques, em 25.06.09

Raramente vejo televisão. Ontem vi um jogo de futebol: a Espanha perdeu com os Estados Unidos. Depois disso, desliguei a máquina. Da entrevista de Manuela Ferreira Leite à SIC apanhei apenas os ecos de jornais e blogues. Parece que a líder do PSD, num dado momento, desvalorizou a dimensão da actual crise mundial do «capitalismo». «Esta crise foi um abalozinho» – terá dito. Se o disse, esta frase constitui o maior elogio à governação dos últimos 4 anos. Porquê? Porque todos sabemos, incluindo Manuela Ferreira Leite, que esta crise não é um «abalozinho». E se ela – a crise – pode ser apresentada, em Portugal, como um «abalozinho» deve-se aos méritos das políticas do governo, sobretudo em matéria de controlo do deficit e de consolidação orçamental, à reforma da Segurança Social, do funcionalismo público e da Saúde. Se assim não fosse, Portugal era hoje uma «jangada de pedra» à deriva.

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publicado às 09:04

||| Citações.

por Tomás Vasques, em 25.06.09

Os portugueses estão escaldados com as soldagens, mas o Presidente confessa que as ouve: "(...) sondagens que terão sido feitas manifestam uma preferência por eleições simultâneas...", disse. Cavaco fez bem em ser dubitativo: "terão sido feitas..." De facto, sondagens recentes sobre o assunto, não se conhecem. Antigas, há uma, do Expresso, de de Janeiro (em matéria de sondagem, pré-História). E mesmo essa diz o contrário do que Cavaco sugeriu: a maioria queria eleições separadas; e a minoria que as queria juntas falava das europeias e legislativas. Então, onde foi Cavaco desencantar a tal sondagem que prefere legislativas e autárquicas no mesmo dia? Só se fala daqueles inquéritos on-line que os jornais fazem. Ontem mesmo, o Correio da Manhã tinha um, onde se apontava para aquela leve ideia de Cavaco: sim, o povo quer eleições juntas... Mas se o Presidente dá ouvidos aos inquiridos do CM, posso adivinhar também o pensamento presidencial sobre outros temas tratados nos inquéritos do jornal. Lembro perguntas recentes: "CR é melhor que Messi?", "Sporting perde com saída de Derlei?", "Jesus vale indemnização de 700 mil?"

Ferreira Fernandes, DN, 25.06.09

 

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publicado às 08:41

||| O ADN.

por Tomás Vasques, em 24.06.09

Henrique Raposo sugeriu um conjunto coerente de pontos programáticos e de identidade a ter em conta nas propostas eleitorais do PSD. O Tiago Moreira Ramalho gostou, disse que seria excelente, mas acrescentou, desalentado: «Para que o PSD faça tudo aquilo, era preciso que mudasse todos ou quase todos os quadros e passasse a ser um outro partido.». Concordo com o Tiago. Aliás, um partido que escolhe alterar o nome, 3 anos depois da fundação, para «partido social-democrata» é porque sabe qual é o seu ADN. Muito mais do quer o PS, o PSD - por razões de «posicionamento ideológico» de oportunidade - vive e se fortalece na fusão com o Estado.

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publicado às 23:03

||| Transparências. Contribuintes.

por Tomás Vasques, em 24.06.09

Hoje, no Parlamento, veio à baila uma Fundação, meio clandestina, alimentada, pelo menos em parte, com dinheiro dos contribuintes, cuja história tem de ser melhor contada.

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publicado às 22:17

||| Neda Agha-Soltan.

por Tomás Vasques, em 24.06.09

 

Neda Agha-Soltan, mulher, 26 anos, humilhou todos os ayatollahs Ali Khamenei do mundo.

 

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publicado às 15:41

||| Leve duas pelo preço de uma.

por Tomás Vasques, em 24.06.09

Parece que o presidente da República tem uma sondagem em que a vontade dos portugueses se manifesta por eleições autárquicas e legislativas em simultâneo. Cavaco Silva, normalmente tão parco em palavras noutras situações, não se coibiu de falar na dita sondagem, que só ele conhece, na véspera de ouvir os partidos políticos sobre este assunto. Trata-se de um «deslize» planeado com uma de duas saídas: Cavaco Silva marca as eleições legislativas no mesmo dia em que o governo marcará as autárquicas e, com essa decisão, quer expressar que é também um protagonista nas legislativas, ao lado do PSD, fragilizando a autoridade política do cargo que ocupa ou, atende à vontade maioritariamente expressa pelos partidos políticos e, neste caso, quer expressar a isenção partidária do cargo que ocupa. Depois do que já disse, não há outras leituras possíveis. Essa de levar duas eleições pelo preço de uma não é um argumento próprio de um presidente da República, mas de um gerente de supermercado.

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publicado às 13:43

||| A ler.

por Tomás Vasques, em 24.06.09

Nassim Taleb, americano nascido no Líbano, ensaísta, mais do que filósofo, grande investidor, mais do que professor de Ciências da Incerteza ou corrector, é, provocatoriamente, e por profissão, um profeta do caos. Está em Lisboa e, numa entrevista ao i, fala sobre a actual crise, entremeando, como é seu hábito, coisas inconsequentes com verdades duras e cruas.

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publicado às 10:02

||| Levantar a ponta do véu.

por Tomás Vasques, em 22.06.09

Augusto Mateus, um dos signatários do «manifesto dos economistas», esclareceu um ponto importante que motivou os 28 economistas: «Esta tomada de posição tenta apenas "destravar" um país que queria fazer investimentos sem estudos», e foi acrescentando, para que não hajam dúvidas, que o novo aeroporto é uma prioridade. Ficámos, pois, a saber que apenas faltam «estudos» para que as grandes obras públicas avancem. Estudos económicos, obviamente! É necessário repensar o investimento público nas circunstâncias actuais. Mas não ao sabor dos interesses do lobby dos estudos.

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publicado às 22:27

||| Cair da cama.

por Tomás Vasques, em 22.06.09

Parece que Berlusconi tem um critério de avaliação de competências políticas pouco ortodoxo: a cama. Até uma senhora de nome Barbara Montereale, frequentadora de festas e romarias, sem saber, nem escrever, foi parar a uma lista para eleições autárquicas. Berlusconi resistiu a tudo, mas não resistiu à cama. É daí que ele vai cair.

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publicado às 00:14

||| Auto-avaliação.

por Tomás Vasques, em 21.06.09

A Adriana, a mais socrática dos socráticos que conheço,  obriga-nos sempre a pensar para além da espuma dos dias:

 

Vou observar-me com toda a atenção, vou fazer uma coisa da maior utilidade: avaliar com cuidado cada um dos meus dias.

Habitualmente, ninguém auto-analisa a própria vida, o que só contribui para acrescer os vícios.

Todos pensamos no que estamos a fazer, e mesmo isso raramente, mas não atentamos no que já fizemos, quando afinal as decisões quanto ao futuro estão dependentes do passado.

 

Séneca, Cartas a Lucílio, 83,2. Tradução de Segurado Campos para a FCG.

 

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publicado às 17:30




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