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Há quem pense (e escreva) que a «história» de Vital Moreira no 1º de Maio está mal contada. Qual agressão, qual carapuça. Tudo não passou de umas «bocas ordinárias» de meia dúzia de exaltados. Um arrufo de ex-namorados. Estas pessoas que assim pensam precisam de emoções fortes: muito sangue, facadas, fuzilamento é o mínimo que exigem como prova do delito. Menos do que isso são mariquices, coisas normais do quotidiano político. Mas, por caricato que pareça, são os mesmo que protestam contra o comportamento violento de alguém que, enquanto foi beber um café, lhes barrou o carro ao estacionar em segunda fila ou que chamam selvagem ao condutor do lado porque buzinou sem motivo. Cada um de nós é o umbigo do mundo: protestamos, às vezes, por insignificâncias; aos outros exigimos, para que lhe seja conferido o direito à indignação e ao protesto, a prova de que foram fuzilados. O que mais me surpreende é que estas pessoas vivem bem com as suas consciências.
Tenho para mim – modesta opinião, certamente – que Manuel Ferreira Leite ao escolher o cabeça de lista ao Parlamento Europeu designou, sobretudo e antes de tudo, o candidato a seu sucessor.
O João Tordo escreve: O mundo é um lugar demasiado grande para se perder a perspectiva; a vida demasiado rica para lhe voltarmos as costas. Como eu o compreendo: todos os dias são dias de partida.
O meu Vasco da Gama é maior que o teu.
«No PÚBLICO de ontem, em grandes letras vermelhas, noticiava-se (…) que: "Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, e o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, reunidos ontem em Braga, concordam com a necessidade de avançar com medidas de combate aos problemas sociais do país como forma de atacar a crise económica."
Tanto faz ser um comuna ou um bispo. O puritanismo é o mesmo. O desejo de mandar em todos os nós é o mesmo. A convicção de que são melhores do que nós, também. Idem aspas a existência, enrolado num cilindro debaixo do braço, de um plano para nos salvar a todos.
Visto do outro lado, o desgraçado do camelo que passa mais facilmente pelo buraco de uma agulha do que um homem rico pelos portões do paraíso já tem uma foice e um martelo pintados na bossa. E os comunistas já passam mais facilmente do que os capitalistas.
Considerem-se tramados. »
Miguel Esteves Cardoso, Público, 02.05.09.
Meu caro Luís Naves: sabemos que Portugal vive em crise há séculos. Na monarquia, na 1ª República, no Estado Novo e na 2ª República. O que Antero de Quental escreveu sobre As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, na linha de Alexandre Herculano e que Oliveira Martins a seu modo reproduziu, mantém uma certa actualidade. Há séculos que não temos, enquanto povo, um rasgo que nos liberte da austera, apagada e vil tristeza em que nos afundámos. E, nisto, penso, estamos de acordo. No entanto, apesar desse pano de fundo, quando destaco os devastadores efeitos da actual crise internacional não são para «concluir que a dimensão das dificuldades dos outros iliba os nossos governantes de qualquer responsabilidade na actual situação». São sobretudo para chamar a atenção de que não se deve comparar situações que não podem ser comparáveis. Não se pode comparar os números de 2005 com os de 2009, por exemplo. Independentemente dos méritos ou deméritos do actual Governo, uma coisa é certa e insofismável: quer a taxa de desemprego, quer os principais indicadores económicos, neste ano de 2009, não resultam das políticas do Governo, mas da situação internacional. Enquanto não formos rigorosos na análise não encontraremos os rumos e os rasgos. Nem este, nem qualquer outro governo. É apenas isto que eu sublinho. Mais nada.
«Mário Crespo andou um tempão a servir a agenda do governo no seu programa Jornal das 9. (…). No auge desta opção editorial, o jornalista afirmou em entrevista ao Semanário Económico (15.01.09) que nas próximas eleições "provavelmente" votará (ou votaria) Sócrates; e noutra entrevista, ao CM (12.01.09), disse que "provavelmente" irá (ou iria) em breve para Washington por grandes temporadas (por coincidência, foi anunciado esta semana pelo Diário da República que o próximo conselheiro de imprensa em Washington será Carneiro Jacinto, ligado ao PS). Entretanto, a linha editorial de Crespo mudou, e de que maneira, quer no seu programa, quer nos seus artigos de opinião no Jornal de Notícias. Passou a criticar abertamente o poder PS (…). Crespo não explicou a sua radical mudança editorial (…). Mudar de opinião não é crime, nem para um lado nem para o outro, mas 180 graus é muita mudança.»
Eduardo Cintra Torres, Público, 02.05.09.
Num país de cantigas de escárnio e maldizer, as mordomias contam muito. E a inveja, também. Até lhe chamamos «dor de cotovelo». É caso para dizer: os cavalos também se abatem. Às vezes abatem-se uns aos outros.
Gosto do pensamento de Michel Onfray (nasceu em 1959, na Normandia). Este ano, entre nós, foram editados dois dos seus livros: A potência de existir (Campo da Comunicação) e a Teoria da Viagem (Quetzal), sobre o qual escrevi uma pequena nota. Para quem não o conhece, Michel Onfray é um filósofo francês, filho de um «trabalhador rural e de uma mulher-a-dias» – como o próprio diz –, cuja origem humilde empurrou para um curso industrial. «Queriam que eu fosse metalúrgico», mas acabou, em 1975, por se inscrever na Faculdade de Filosofia, «coisa impossível para um filho de pobre». Agarrou a liberdade e a felicidade como paradigmas; como objectivo filosófico e modo de vida ( «digo o que faço e faço o que digo. Não posso criar uma teoria que não sou capaz de pôr em prática»). Onfray é ateísta, hedonista, anarquista mas, sobretudo, um liberal, anti-liberalismo («Há uma grande confusão em torno da palavra liberal, que é uma bela palavra. O liberalismo no século XVIII em Helvétius, por exemplo, não tem nada a ver com o liberalismo de Smith, dos economistas»). A revista Relance, de Maio, publica uma entrevista com Michel Onfray, conduzida por Inês de Medeiros: «Quando Helvétius fala da maior felicidade para o maior número, isso é um ideal hedonista. Porque havemos de aceitar que a vida feliz de uma minoria seja paga pela pela vida infeliz da maioria? E quando falamos de felicidade falamos do direito à dignidade. Isso implica distribuição, partilha. Porque é que eu posso gozar do supérfluo quando outros não têm sequer o necessário?». Para Onfray, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo pregam a destruição de tudo o que represente liberdade. : « Só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana. Deus pressupõe a existência de uma providência divina, o que nega a possibilidade de escolher o próprio destino e inventar a própria existência. Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar. A liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia. Ora, o princípio fundamental do Deus do cristianismo, do judaísmo e do Islão é um entrave e um inibidor da autonomia do homem.» A ler.
Imaginem Alegre numa passeata com Louçã. Imaginem uns amigos de Mário Machado que insultam e empurram Alegre. Imaginem Louçã no prime time dos telejornais.
Ainda há dias, e aqui, lembrei o episódio – volto ao exemplo porque os protagonistas são os mesmos: bestas. Então, dizia o juiz, desculpando os violadores e pondo a culpa na turista de minissaia: "Ela foi naqueles preparos para a coutada do macho latino, estava a pedi-las..." Assim foi com Vital Moreira: foi com óculos para uma festa de martelo e bigorna. "Onde é que o senhor andou?", perguntou-lhe um legítimo proprietário do trabalho. Eu, por acaso – por razões de idade e vida –, até sei por onde Vital Moreira andou, ainda quando o 1 de Maio não era para indignações folclóricas. Isto quanto aos factos. Quanto à interpretação dos factos, os filhotes do juiz insinuam que Vital criou "um momento à Marinha Grande" (o da bofetada de um também "indignado trabalhador" a Mário Soares), para ganhar eleições. Tão longe não foi o juiz, nunca insinuou que a turista levou um orgasmo como prémio.
Ferreira Fernandes, DN, 02.05.09.
A principal notícia do 1º de Maio do PCP/CGTP foi Vital Moreira. Passados vinte anos, os rancores acumulados pelos «trabalhadores» do PCP ainda transbordam. Carvalho da Silva esboçou uma envergonhada explicação: os «trabalhadores» estão a sofrer com a «crise» e quando se cruzam com Vital Moreira dá-lhes para ali: empurram-no, dão-lhe pontapés e gritam «traidor». Não é em vão que o PCP é o digno herdeiro dos processos de Moscovo, da bala da nuca, do gulag. No fundo, os comunistas escrevem nas páginas do Avante o mesmo que o salazarista João Gomes declarou, hoje, ao Expresso, a propósito dos 120 anos do nascimento de Salazar: «Hoje é que vivemos numa ditadura: não há liberdade, temos um chefe que gosta de ser idolatrado e que criou um Estado policial». E, depois, dá nisto: estragam o seu próprio 1º de Maio.
Numa discreta coluna na página 13 do Expresso é dada a informação de que o MPT – um partido «ambientalista» e «ruralista» ( «o quase desconhecido MPT, como escreve o autor do texto) é o terceiro partido com maior orçamento para a campanha eleitoral das «europeias», imediatamente a seguir ao PSD e ao PS. Depreende-se das palavras de Quartim Graça, dirigente do dito partido, que o MPT espera que chegue dinheiro do «estrangeiro». Mais concretamente, de Declan Ganley, um milionário inglês-irlandês, fundador de um partido pan-europeu, o Libertas, com quem o MPT se acasalou. Nestes ínvios caminhos de financiamento de partidos políticos é de lamentar que o nome de Gonçalo Ribeiro Telles ainda dê cobertura a esta «agência de empregos» em forma de partido. Mas, deste episódio, decorre outro: o Tratado de Lisboa ficou em banho-maria desde a vitória do «não» no referendo irlandês. Os opositores ao Tratado regozijaram, com especial destaque para o PCP e o BE. Todos sabemos que a campanha do «não» na Irlanda teve a mão, o empenhamento e o financiamento do mesmo Declan Ganley. Para o PCP e o BE as notas – as dos Banco Central Europeu – não são todas iguais. Umas são de «esquerda»; outras de «direita».
Já se sentem outra vez em 74/75? Fascismo nunca mais!
Ontem, na Assembleia da República, soprou o vento da unanimidade entre todos os partidos políticos com assento parlamentar. Ninguém se deu ao trabalho de inventar a expressão «decidir em enriquecimento próprio». Louçã não vociferou contra o «capital»; Jerónimo de Sousa nada disse sobre «transparência». Paulo Rangel esqueceu o «enriquecimento ilícito». Ninguém falou em corrupção, o que é um claro sinal de que a «luta contra a corrupção» na boca destes nobres deputados e dirigentes partidários nada tem de substancial: trata-se apenas de uma arma de arremesso político.